2010-12-08

Subject: Bactéria recebida com resposta tóxica

 

Bactéria recebida com resposta tóxica

 

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@ NatureDias após o anúncio de que uma espécie de bactéria pode aparentemente utilizar o arsénico em lugar do fósforo para construir o seu DNA e outras biomoléculas, uma capacidade desconhecida em qualquer outro organismo, alguns cientistas estão a questionar a descoberta e levantar celeuma sobre a forma como foi comunicada aos não especialistas.

Muitos concordam que a bactéria, descrita na semana passada na revista Science e baptizada GFAJ-1, realiza um feito notável ao sobreviver a altas concentrações de arsénico no lago Mono da Califórnia e em laboratório, mas os dados presentes no artigo, defendem, sugerem que a probabilidade é igual de que a bactéria não esteja a usar o arsénico mas a recolher todo o fosfato possível enquanto combate a toxicidade do arsénico. 

A alegação na conferência de imprensa da NASA de que a bactéria representa uma nova química da vida é, no mínimo, prematura, dizem eles. "É uma história fantástica sobre adaptação mas não sobre extraterrestres", diz Gerald Joyce, bioquímico no Instituto de Investigação Scripps em La Jolla, Califórnia

Na conferência de imprensa, Steven Benner, químico da Fundação para a Evolução Molecular Aplicada de Gainesville, Florida, que foi convidado para o evento para fornecer comentários externos, usou a analogia de uma cadeia de aço com um elo de lata para ilustrar que o ião arsenato, que se diz substituir o fosfato no DNA da bactéria, forma ligações que são por várias ordens de magnitude menos estáveis. Não apenas o DNA da bactéria teria de se manter íntegro apesar das ligações mais fracas, diz Benner, mas também todas as moléculas necessárias a retirar arsenato do ambiente e colocá-lo no material genético.

Os co-autores do artigo, incluindo Paul Davies, astrobiólogo da Universidade Estatal do Arizona em Tempe, contrapuseram que as ligações de arsenato podem ser reforçadas por moléculas especializadas, ou que a vida com base no arsénico simplesmente tem um turnover mais acelerado para a desintegração e construção moleculares que a vida convencional.

O grande problema, no entanto, é que os autores demonstraram que a bactéria absorve arsénico mas "não identificaram sem qualquer forma de ambiguidade qualquer biomolécula contendo arsénico", diz Roger Summons, biogeoquímico do Instituto de Tecnologia do Massachusetts de Cambridge. "E isso não é difícil de fazer", acrescenta ele, salientando que a equipa podia ter confirmado ou negado directamente a presença de arsénico no DNA ou RNA usando espectrometria de massa dirigida.

Alguns investigadores sugerem que os próprios dados dos autores indicam que se trata de uma bactéria que simplesmente absorve e isola arsenato, continuando a utilizar os vestígios de fosfatos no seu ambiente. O artigo, diz Joyce, mostra que a bactéria parece inchada e contém estruturas de grande dimensão do tipo vacúolo, frequentemente um sinal de material tóxico sequestrado.

 

As células que cresceram em arsenato foram analisadas na sua fase de repouso, que exige menos fosfato para a sobrevivência do que o crescimento activo, salienta Joyce, e as células que cresceram em altas concentrações de arsenato não parecem conter RNA, possivelmente porque a sua produção foi encerrada para conservar fosfato. Um cálculo no artigo mostra que o DNA em células cultivadas em arsenato na realidade continha 26 vezes mais fósforo que arsénico.

"Culpo os autores por não notarem estas coisas e não as analisarem", diz Rosemary Redfield, microbióloga da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, Canadá, cujo sumário dos problemas do artigo, publicado no seu blogue a 4 de Dezembro, já recebeu mais de 30 mil visitas. "Não devíamos ter que ser nós a pensar por eles."

Felisa Wolfe-Simon, astrobióloga da NASA no Geological Survey em Menlo Park, Califórnia, e principal autora do estudo, recusa lidar com as críticas. "Não vamos participar neste tipo de discussão", escreveu ela num e-mail para a Nature. "Qualquer discussão terá que ser revista por pares da mesma forma que o nosso artigo foi e passar por um processo de veto para que toda a discussão seja devidamente moderada."

Mas Jonathan Eisen, microbiólogo na Universidade da Califórnia, Davis, considera essa posição "ridícula", depois de a conferência de imprensa da NASA ter chamado a atenção com alegações de "uma descoberta de astrobiologia que terá impacto na busca por vida extraterrestre", um tema que Wolfe-Simon ecoou na apresentação. "É absurdo que digam que apenas vão discutir isto na literatura científica quando eles é que começaram esta via."

Ginger Pinholster, porta-voz da editora da Science, a American Association for the Advancement of Science de Washington DC, salientou que a revista considera respostas significativas a artigos com alta visibilidade, bem como esforços para replicar o trabalho, como "objectivos fundamentais da publicação". Pinholster também salientou que o próprio sumário para a imprensa do artigo não fazia qualquer menção à busca por vida extraterrestre, nem a Science "organizou qualquer tipo de evento promocional adicional".

 

 

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