2010-12-02

Subject: Mercúrio causa homossexualidade em íbis machos

 

Mercúrio causa homossexualidade em íbis machos

 

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@ NatureA exposição à poluição contendo mercúrio pode estar a atingir fortemente a perspectiva de reprodução de algumas aves selvagens pois leva os machos a ligarem-se a outros machos.

Os íbis brancos americanos Eudocimus albus da Florida do sul que consumiram metilmercúrio (MeHg), a forma mais tóxica e mais facilmente absorvida que se encontra no ambiente, tinham maior probabilidade de se envolver em emparelhamentos entre indivíduos do mesmo sexo, um fenómeno desconhecido em populações selvagens desta espécie em que não haja exposição ao poluente.

As principais fontes de mercúrio a nível global são as centrais energéticas a carvão e a mineração de ouro, apesar de na Florida o mercúrio ter provavelmente origem na queima de resíduos hospitalares e municipais. O metal é convertido em metilmercúrio por algumas espécies de bactérias, vulgarmente encontradas em zonas húmidas que também são lar de muitas espécies diferentes de aves.

Peter Frederick, ecologista na Universidade da Florida, Gainesville, recolheu 160 juvenis de íbis de colónias reprodutoras no sul da Florida em 2005, e dividiu-os em quatro grupos, cada um com 20 machos e 20 fêmeas. Quando as aves tinham 90 dias de idade, os investigadores começaram a adicionar metilmercúrio à sua ração. Três dos grupos receberam doses baixas, médias e altas de mercúrio com base em níveis entre 0,05 e 0,3 partes por milhão registados na natureza, enquanto o quarto grupo não recebeu mercúrio.

Ao longo dos três anos seguintes, os investigadores mediram os níveis de mercúrio nas penas e no sangue dos íbis e observaram o seu comportamento de acasalamento.

A equipa descobriu que os níveis de mercúrio se acumularam nas aves ao longo do tempo e que a exposição resultou em cerca de 13 a 15% mais de ninhos que não produziram descendência. Uma alta proporção destes ninhos falhados revelaram pares de macho-macho.

As aves expostas a mercúrio, independentemente da dose, revelaram menor comportamento de acasalamento e tinham menor probabilidade de ser abordados pelas fêmeas quando o tinham. À medida que o nível de exposição ao mercúrio aumentava, também o grau e persistência do emparelhamento homossexual. Os machos que participaram nos casais homossexuais também tinham menor probabilidade de mudar de parceiro de um ano para o outro, algo que Frederick diz ser normal nos íbis quando não há sucesso na sua primeira época de reprodução.

Dado que os níveis de metilmercúrio usados na experiência são típicos dos encontrados nos habitats naturais das zonas húmidas das aves, "a implicação é que isto deve estar a acontecer nas populações selvagens", diz Frederick.

Em termos de número total de crias produzidas, os machos e as fêmeas expostos tinham tendência a produzir menos ninhadas do que o grupo controlo. No entanto, apesar das fêmeas expostas aos níveis mais altos de mercúrio terem entre 33 e 35% menos crias do que o grupo controlo, os resultados não são estatisticamente significativos.

 

Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B.

O metilmercúrio parece causar estas alterações comportamentais ao afectar o sistema endócrino, que controla a libertação de hormonas no corpo. Esse efeito altera os níveis das hormonas sexuais testosterona e estradiol em íbis machos, diz Frederick.

Um estudo paralelo, que ele diz ser publicado brevemente, mostra que há diferenças significativas na expressão endócrina entre as aves expostas e os controlos. "O mercúrio é um conhecido perturbador do sistema endócrino mas este é o primeiro estudo da perturbação endócrina em aves", acrescenta Frederick.

Heinz Köhler, chefe do Departamento de Ecologia e Fisiologia Animal da Universidade de Tübingen, Alemanha, diz que os estudos que associam de forma convincente os efeitos de perturbadores do sistema endócrino sobre as hormonas sexuais com diminuição da capacidade reprodutora são raros. "Este estudo associa os efeitos deletérios sobre a bioquímica à redução do sucesso reprodutor de forma muito plausível, através da alteração do emparelhamento e do comportamento de corte."

No entanto, Frederick e Köhler alertam para o facto de as descobertas não poderem ser simplesmente extrapoladas para outras espécies, mesmo que sejam aves. "O seu comportamento pode ser menos frágil e mais robusto ao metilmercúrio", diz Köhler.

Frederick está preocupado que as pessoas "leiam este artigo e imediatamente tirem a conclusão de que os humanos que comam mercúrio vão tornar-se gay. Quero deixar muito explícito que este estudo não contém nada sobre isso."

O próximo passo para os investigadores é verificar se o poluente está a ter o mesmo efeito na natureza mas entretanto Frederick diz que podemos e devemos lidar com o problema da poluição com mercúrio. "A maioria das fontes de mercúrio são locais e não globais, suficientemente locais para podermos fazer algo acerca delas, como por exemplo, instalar filtros nas chaminés das centrais a carvão. Os ecossistemas reagem muito rapidamente a acções regulatórias quando se trata de mercúrio."

 

 

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