2010-11-25

Subject: Animais de laboratório e de estimação enfrentam epidemia de obesidade

 

Animais de laboratório e de estimação enfrentam epidemia de obesidade

 

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@ NatureNão são apenas as pessoas que estão a engordar, uma análise estatística de mais de 20 mil animais sugere que a epidemia de obesidade está a espalhar-se para os animais de estimação, animais selvagens que vivam em proximidade com humanos e animais alojados em centros de investigação. 

Isto talvez indique que factores ambientais para além da dieta e do exercício têm, pelo menos em parte, culpa no alargar das cinturas.

David Allison, bioestatístico na Universidade do Alabama em Birmingham e autor principal de um estudo publicado online na revista Proceedings of the Royal Society B, descobriu por acaso a tendência ao procurar uma relação entre o peso corporal e a longevidade numa população de saguis alojados no Centro Nacional de Investigação de Primatas do Wisconsin em Madison e decidiu estudar a situação mais de perto.

Ele e os seus colegas examinaram alterações no peso de 24 populações  (12 machos e 12 fêmeas), retiradas de 8 espécies diferentes, incluindo primatas e roedores usados em investigação, cães e gatos domésticos e ratazanas urbanas. Cerca de metade dos dados em análise vêm de roedores usados entre 1982 e 2005 nos ramos de controlo de estudos realizados pelo Programa Nacional de Toxicologia, que avalia os níveis de exposição segura a vários químicos.

Os investigadores seguiram a percentagem de ganho de peso dos animais por década, bem como as probabilidades de os animais serem obesos. Como não há directrizes claras para o peso adequado dos animais, os autores definiram a obesidade como o peso acima do percentil 85 em cada grupo no momento mais antigo para que tinham dados. 

Tanto a percentagem de aumento do peso corporal como a probabilidade de uma animal ser obeso numa dada população mostraram uma acentuada tendência de subida e apesar de a alteração ser estatisticamente significativa em menos de metade dos grupos quando analisados individualmente, era fortemente significativa quando os números de todos os grupos eram agrupados.

O surto de obesidade humana é geralmente atribuído ao aumento do consumo de calorias e uma redução da actividade física, "mas talvez haja outras coisas importantes, porque essas questões não podem estar a actuar sobre os saguis, ratinhos e ratazanas do Programa Nacional de Toxicologia", diz ele.

Em alguns casos, a explicação pode ser óbvia: o salto de mais de 40% em peso corporal das ratazanas ferais que pululam nas ruas de Baltimore pode reflectir o aumento da riqueza da sua dieta, pois recebem o nosso refugo rico em calorias. Noutros casos, factores escondidos podem estar em jogo. Por exemplo, toxinas que perturbam o sistema endócrino podem estar a ser lixiviadas para o fornecimento de água ou agentes patogénicos podem estar a ter um efeito generalizado sobre o metabolismo dos mamíferos, diz Allison.

 

Nikhil Dhurandhar, um investigador do Centro de Investigação Biomédica Pennington em Baton Rouge, Louisiana, demonstrou que um adenovírus humano chamado AD36 aumenta os níveis de gordura corporal em modelos animais como galinhas e roedores. Para além disso, ele descobriu que os humanos obesos tinham três vezes maior probabilidade de serem infectados com o vírus que os não obesos e que os mais pesados em ambos os grupos tinham tendência para estar infectados. Dhurandhar relatou as suas descobertas num artigo de 2005 em que Allison foi co-autor.

O estudo actual é conceptualmente importante, diz Dhurandhar, porque "chama a atenção para a necessidade de se olhar para o ambiente e para a forma como está a alterar-se, em vez de se focar apenas no estilo de vida de uma pessoa".

No entanto, Jaap Seidell, investigador de nutrição e saúde no Centro Médico da Universidade VU em Amesterdão, que estudou a ligação entre o aumento de peso em animais de estimação e seus donos, defende que os dados apresentados no estudo podem ser explicados simplesmente por factores associados ao estilo de vida.

"É uma interessante colecção de dados mas é muito difícil de interpretá-los", diz Seidell. Os animais de estimação e o animais ferais podem muito bem estar sujeitos a alterações nos nossos hábitos alimentares e não há informação suficiente para concluir que os animais cativos estão isentos dessas influências, acrescenta ele. 

Outros factores também se podem ter alterado. Por exemplo, ao longo dos últimos 30 anos o número de roedores alojados em cada jaula pode ter-se alterado, o que pode muito bem afectar a quantidade de exercício que conseguem ter. "Penso que estão a tentar desviar a atenção da restrição à actividade física e dos alimentos ricos em energia", diz Seidell.

O artigo inclui a afirmação de que Allison "recebeu fundos, honorários, receitas de consultadoria e doações de numerosas companhias alimentares e farmacêuticas, advogados e entidades sem fins lucrativos e governamentais com interesses em temas relacionados com a obesidade". No entanto, Allison salienta que este estudo em particular não foi financiado por nenhuma companhia.

Seidell reconhece que certos factores ambientais podem estar a afectar os ciclos de peso corporal no Homem e noutros animais. Na sequência das alterações climáticas, por exemplo, alguns animais deixaram de hibernar e outros encurtaram as suas rotas sazonais de migração.

O estudo actual, no entanto, não é suficientemente rigoroso para se ter a certeza se esses são os factores responsáveis, diz ele. "Penso que vale a pena fazer este estudo de forma sistemática."

 

 

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