2010-11-20

Subject: Branqueamento dos corais vai de mal a pior

 

Branqueamento dos corais vai de mal a pior

 

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@ NatureO ano de 2005 foi devastador para os corais, com águas invulgarmente quentes no Atlântico tropical e nas Caraíbas a causarem um dos maiores eventos de branqueamento de que há registo.

Investigadores que seguiram o evento vieram agora catalogar a extensão total do desastre e alertam que 2010 se está a preparar para ser ainda pior.

Mark Eakin, coordenador do programa de vigilância dos corais da Administração Nacional Americana dos Oceanos e da Atmosfera (NOAA) sediado em Silver Springs, Maryland, realizou um censo minucioso dos corais para registar os efeitos das altas temperaturas fora de época sobre os recifes em 2005. O projecto envolveu mais de 250 colaboradores de 22 países e comparou dados de satélite com estudos de campo para determinar de que forma o stress afectou o coral de diferentes locais.

Num artigo publicado esta semana na revista PLoS ONE, os investigadores relatam o branqueamento mais grave de que há registo nas Caraíbas: mais de 80% dos corais analisados tinham perdido a cor e em muitos locais mais de 40% tinham morrido. "Um branqueamento severo e generalizado significa problemas para os ecossistemas marinhos tropicais em geral", diz Eakin.

Os investigadores também observaram branqueamento em locais onde nunca tinha sido registado antes, por exemplo no Santuário Marinho Nacional de Flower Garden Banks no golfo do México. Também verificaram o primeiro branqueamento em massa do coral chifre-de-alce Acropora palmata no Parque Nacional das Ilhas Virgin. Este coral era dominante nos recifes desse ecossistema e faz parte da lista de espécies ameaçadas americana desde 2006.

O branqueamento ocorre quando o stress leva os corais a expelir as algas simbióticas com que vive. Vários factores podem levar ao branqueamento mas, segundo Eakin, a única coisa que pode causar branqueamento em massa a esta escala geográfica são as temperaturas elevadas mantidas ao longo de meses. "Há algumas evidências de que factores locais e outros factores à escala climática, como a acidificação dos oceanos, subido do nível do mar e alterações na intensidade das tempestades, podem influenciar a sensibilidade ao branqueamento mas a temperatura é o motor principal."

Em 2005, médias regionais da temperatura foram as mais elevadas dos últimos 150 anos e os investigadores calculam que os corais estiveram sujeitos ao mais alto stress térmico dos últimos 20 anos. O stress térmico é uma medida do quanto as temperaturas estavam acima do normal e do período de tempo em que persistiram

Os corais podem recuperar do branqueamento mas em muitos locais, diz Eakin, o branqueamento está a acontecer mais rapidamente do que os recifes podem recuperar. "Quando os recifes são repetidamente atingidos pelo stress há um declínio contínuo. A expectativa futura é de que apenas haja pioria e não melhoria."

 

Eakin está preocupado com a possibilidade de 2010 ser particularmente devastador para os corais. O branqueamento tem sido observado em todos os oceanos e mares em que há corais, desde o golfo Pérsico ao sudeste asiático, o Pacífico central às Caraíbas, onde é apenas a segunda vez que tal acontece (a primeira foi em 1998). "Estamos a olhar para um evento da mesma magnitude, com temperaturas a par do que se viu em 2005. Para os corais, 2010 é, em certas zonas, tão mau ou ainda pior que 2005."

Eakin atribui as temperaturas invulgarmente altas de 2010 ao padrões climáticos, especialmente aos efeitos dominó do evento El Niño de 2009-2010 seguido do evento La Niña em 2010-2011, combinados com o aquecimento global devido às alterações climáticas. Com as temperaturas base mais elevadas, diz Eakin, qualquer outra subida de temperatura devido a padrões meteorológicos ou outras causas podem fazer os corais ultrapassar o seu limite de resistência.

Paul Sammarco, do Consórcio Marinho de Universidades da Louisiana em Chauvin, que investiga os impactos ambientais sobre os recifes de coral mas que não esteve envolvido no programa de Vigilância dos Recifes de Coral, concorda que 2010 pode ser pior para os corais do que 2005, mas considera que ainda é demasiado cedo para o avaliar. Seja como for, diz ele, os dados de temperatura e observação dos corais sugerem que haverá mais branqueamento no futuro. "O que é muito mais previsível e provável é que teremos um ano muito pior que 2005 algures entre a actualidade e 2015 ou 2020."

Os investigadores estão a continuar a seguir os eventos de branqueamento para tentar compreender de que forma eles são afectados pelos factores locais, como a presença de excesso de nutrientes resultante do escorrimento superficial. "Temos uma melhor compreensão das relações entre a temperatura e nutrientes, a forma como estes processos funcionam e de que forma podemos efectivamente reduzir os impactos", diz Eakin. "Mas o maior desafio é perceber como lidar com os níveis de CO2 atmosféricos e oceânicos."

Se as temperaturas marinhas não podem ser postas sob controlo alterando as concentrações atmosféricas de CO2 ou temperaturas, os investigadores podem ser forçados a tomar medidas drásticas para tentar salvar pequenos locais de corais particularmente importantes. Dois métodos possíveis são proteger os corais com tecido e bombear água fria das profundezas sobre os recifes de água rasa durante curtos períodos quando as temperaturas se prevejam particularmente altas, diz Sammarco. "Isto tudo seria arriscado e difícil de controlar mas pode valer a pena investigar." 

 

 

Saber mais:

NOAA Coral Reef Watch

NOAA El Niño

NOAA La Niña

Flower Garden Banks National Marine Sanctuary

 

 

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