2010-11-18

Subject: Tubarões mediterrânicos são imigrantes australianos

 

Tubarões mediterrânicos são imigrantes australianos

 

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@ NatureO esquivo tubarão branco do Mediterrâneo pode ser descendente de uma única pequena população australiana que se terá desorientado após visitar a África do Sul há 450 mil anos.

Os grandes tubarões brancos Carcharodon carcharias estariam provavelmente a regressar às Antípodas quando terão ficado aprisionados após atravessar o estreito de Gibraltar, de acordo com uma equipa liderada pelo biólogo marinho Leslie Noble, da Universidade de Aberdeen, Reino Unido. Os tubarões fizeram do Mediterrâneo o seu lar pois, tal como os salmões, reproduziram-se lá e os juvenis regressam sempre ao seu local de nascimento.

Pouco se sabe sobre os tubarões brancos mediterrânicos, os avistamentos são raros e as amostras de tecidos ainda mais, mas Noble fez equipa com investigadores turcos para ter acesso a amostras de quatro tubarões capturados em redes de pesca, dois na Turquia, um na Tunísia e um na Sicília.

A sua investigação, publicada na revista Proceedings of the Royal Society B, sugere que uma combinação de alterações climáticas, alto nível do mar e fortes correntes oceânicas em volta da costa sul-africana podem ter sido a razão porque os tubarões em migração se desviaram da sua rota, ao longo da costa ocidental africana e para leste até ao Mediterrâneo. 

Mas como a população inicial era pequena, a variabilidade genética dos tubarões brancos mediterrânicos actuais parece ser limitada, indicando que a falta de diversidade pode ameaçar a sua sobrevivência futura. As fêmeas do vizinho Atlântico não parecem estar a migrar para a região, onde poderiam ajudam a reanimar um fundo genético estagnado.

Os investigadores sequenciaram uma zona do DNA mitocondrial dos quatro tubarões e comparou-a com sequências presentes em bancos de dados de tubarões brancos de diversas zonas do mundo, incluindo África do Sul, Austrália e Atlântico.

Noble diz que a sua equipa ficou surpreendida por descobrir que uma secção da sequência de DNA era idêntica em três dos quatro tubarões mediterrânicos, e que mostrava que eram mais fortemente aparentados com os tubarões brancos australianos. A equipa esperava encontrar maior afinidade com as populações do vizinho Atlântico ou Índico ocidental.

Os tubarões brancos eram antes considerados uma espécie costeira mas pesquisas mostraram que migram longas distâncias em mar aberto, apesar dos cientistas não saberem exactamente porquê. Tubarões marcados têm sido observados a viajar entre as costas da África do Sul e Austrália do sul, e os autores sugerem que deve ter sido durante uma dessas excursões que um pequeno grupo terá virado para o lado errado.

Os investigadores usaram uma técnica de datação molecular baseada no número de diferenças entre o DNA dos tubarões mediterrânicos e australianos para estimar que os tubarões se perderam durante o Pleistoceno, há cerca de 450 mil anos. Noble diz que esse foi um período entre duas idades do gelo: um tempo de alto nível do mar, alterações climáticas e, quem sabe ainda mais importante, um eddy invulgarmente rápido ao largo da costa leste da África do Sul chamado anel Agulhas, o que pode explicar a razão porque os tubarões se perderam.

 

A corrente quente de Agulhas flui para sul ao longo da costa leste de África mas periodicamente um anel Agulhas leva as suas águas em volta da extremidade sul do continente para a corrente de Benguela ao largo da costa ocidental. "Quando os tubarões seguem a corrente de Agulhas, as águas frias da de Benguela devem alertá-los para voltar para leste", diz Nelson, "mas um anel Agulhas é como uma bolha de água quente." Um grupo de tubarões que nadassem nestas bolhas podiam falhar a volta e acabar com a costa ocidental de África entre eles e o seu destino desejado.

Os investigadores especulam que os tubarões terão então nadado para norte até que a bacia do Mediterrâneo lhes proporcionou a hipótese de voltarem para leste novamente. Uma vez na bacia, podem ter ficado aprisionados pelas suas penínsulas e canais estreitos.

Paulo Prodöhl, geneticista evolutivo na Universidade Queen de Belfast, diz que apesar de a descoberta "conter um conjunto de dados precioso e único, a amostra é realmente demasiado pequena para se retirar conclusões definitiva". Mas ele admite isso porque as amostras de tubarão são tão difíceis de obter, "temos que trabalhar com o que se tem".

"Reconhecemos o problema da dimensão da amostra", diz Noble. "Estamos a tentar obter outras 50 amostras mediterrânicas, o que pode alterar dramaticamente as nossas inferências, estamos ansiosos para por as mãos em material dos museus."

Mas, diz ele, "não me parece que altere o questão central, de que, tanto quanto sabemos, uma proporção significativa dos tubarões mediterrânicos  são de origem australiana".

Noble também espera que o seu trabalho saliente o drama de uma população de tubarões potencialmente frágil que sobrevive num mar poluído e sobreexplorado. Segundo ele, os grandes tubarões brancos têm um "papel central" no Mediterrâneo e a remoção dos predadores de topo de outros ecossistemas marinhos tem sido desastroso.

"Na costa leste da América, a erradicação de tubarões causou uma cascata ecológica", diz Noble. Populações de espécies que eram presas dos tubarões, como as focas e os golfinhos, explodiram, desequilibrando todo o ecossistema. "Tem sido instrumental a ajudar a dizimar bivalves", diz Noble. "Não gostaria de especular sobre as consequências para o Mediterrâneo se esta população se extinguir."

 

 

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