2010-11-16

Subject: Águas residuais arrefecem fervor dos peixes

 

Águas residuais arrefecem fervor dos peixes

 

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@ NatureProdutos farmacêuticos e químicos domésticos presentes nos cursos de água podem estar a afectar a forma como os peixes acasalam e desovam, alertam os cientistas, mesmo quando as substâncias não estão presentes em níveis suficientemente altos para causar danos visíveis.

Os estudos laboratoriais, relatados no encontro que decorreu entre 7 e 11 de Novembro da Sociedade de Toxicologia e Química Ambiental em Portland, Oregon, são parte de um esforço crescente para determinar a forma como a poluição afecta o comportamento dos peixes e não apenas a sua anatomia e fisiologia.

Medicamentos e produtos químicos que são lançados pela sanita para os esgotos há muito que são identificados nas águas residuais urbanas e nos cursos de água para onde estes desaguam mas tem sido difícil definir de que forma afecta a vida selvagem.

"Os efeitos subtis são a questão", diz Melissa Schultz, química na Faculdade de Wooster em Ohio. "É fácil dizer se um peixe sofre de alterações anatómicas óbvias, como a mudança de sexo ou ausência de características sexuais secundárias." Mas determinar os efeitos sobre o comportamento de acasalamento "exige trabalho mais meticuloso".

Schultz tem vindo a estudar os efeitos da baixa concentração de triclosan e de triclocarban, agente antibacterianos vulgarmente utilizados nos sabonetes, desinfectantes e, cada vez mais, a outros produtos domésticos vulgares, como brinquedos, roupa de cama, meias e sacos do lixo. 

A sua equipa colocou vairões-de-cabeça-grande Pimephales promelas adultos, peixes vulgarmente utilizados em estudos de toxicidade aquática, em aquários contendo 0,01 a 0,5 microgramas por litro (0,01 a 0,5 partes por bilião) de várias misturas destes químicos. "Estes são níveis que podemos encontrar no ambiente", diz ela.

Na natureza, os vairões fazem ninhos, que os machos defendem dos rivais mas nos testes laboratoriais de Schultz, os machos expostos estavam menos interessados que os controlos não expostos em tentar afastar os vairões artificiais que funcionavam como competidores colocados perto dos seus ninhos.

O estudo mostra que mesmo nas baixas concentrações que se encontram na natureza, estes químicos podem alterar o comportamento reprodutor, diz o colaborador de Schultz Heiko Schoenfuss, toxicólogo aquático na Universidade Estadual St Cloud no Minnesota. "Essa é a mensagem a levar para casa."

 

Um segundo estudo realizado por Dalma Martinović, toxicóloga ambiental na Universidade St Thomas em St Paul, Minnesota, encontrou efeitos igualmente perturbadores em peixes-zebra Danio rerio colocados em tanques contendo 50 microgramas por litro (50 partes por bilião) de ibuprofeno.

O medicamento tem sido encontrado em amostras ambientais a níveis até 20 microgramas por litro. Isso é um pouco menos que os níveis utilizados no seu estudo, admite Martinović, "mas da mesma ordem de magnitude".

O ibuprofeno e medicamentos semelhantes inibem duas enzimas, a COX-1 e a COX-2. Em humanos, estas enzimas fazem parte da via metabólica que produz prostaglandinas, moléculas com um papel no processo inflamatório, mas em peixes, diz Martinović, as prostaglandinas também são feromonas e desempenham um papel na iniciação do comportamento sexual e desova.

Martinović encontrou uma redução significativa no comportamento de corte, como "perseguição e toques de nariz", em machos expostos ao ibuprofeno, diz ela. Água recolhida de aquários contendo fêmeas expostas a ibuprofeno provocavam menos reacção nos peixes macho que água recolhida em tanques com fêmeas não expostas ao medicamento.

Ela conclui que mesmo que não se tenha verificado alterações anatómicas ou fisiológicas nos peixes, eles foram ainda assim afectados pela exposição a níveis de ibuprofeno semelhantes aos encontrados em águas residuais municipais. "A fisiologia é menos sensível que o comportamento", diz ela. "Penso que os efeitos sobre o comportamento podem ser mais comuns do que nos apercebemos."

"Estamos a encontrar efeitos subtis a concentrações ambientalmente relevantes", acrescenta Schultz. Ambas as investigadoras salientam que os comportamentos alterados podem ter impacto na capacidade das espécies de peixes sobreviverem na natureza.

James Lazorchak, biólogo aquático na Agência de Protecção do Ambiente americana em Cincinnati, Ohio, que não esteve envolvido nos estudos, concorda. "Temos que prestar mais atenção ao comportamento, especialmente relativamente aos produtos farmacêuticos." 

 

 

Saber mais:

Society of Environmental Toxicology and Chemistry

Melissa Schultz

Dalma Martinovic

 

 

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