2010-11-11

Subject: Reguladores do atum-rabilho sob pressão

 

Reguladores do atum-rabilho sob pressão

 

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@ Nature/ReutersAo mesmo tempo que os reguladores das pescas se encontram para a semana para analisar o destino do atum-rabilho do Atlântico, estão sob crescente pressão para suspender totalmente a indústria do tunídeo até que as alegações de má gestão do stock possam ser compreendidas.

A Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos Atlânticos (ICCAT) com sede em Madrid, a entidade responsável pela gestão da pesca do atum, reune-se em Paris a 17 de Novembro para avaliar o estado das pescas do atum-rabilho e estabelecer futuras quotas de capturas.

O encontro, no entanto, será ensombrado por um relatório, publicado esta semana, que documenta uma década de pesca ilegal dos stocks de atum-rabilho do Atlântico leste, situação que conduziu a muito perto do colapso das pescas e a um mercado negro de perto de US$4 mil milhões.

Um único atum-rabilho do Atlântico Thunnus thynnus pode pesar mais de 500 kg e render mais de $100 mil nos mercados japoneses mas o rentável mercado desta espécie deixou o seu efectivo  reduzido a perto de 35% dos seus níveis históricos, segundo a ICCAT.

O novo relatório, Looting the Seas, é o culminar de uma investigação de oito meses feita pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação (ICIJ), um grupo formado pelo Centro para a Integridade Pública em Washington DC.

"Aqueles de nós que trabalharam sobre o atum-rabilho não ficaram surpreendidos", diz Sue Liebermann, directora de política internacional do Grupo Ambientalista Pew em Washington DC, uma organização sem fins lucrativos de defesa da conservação. "Toda a informação sobre a fraude, o comércio ilegal e a adulteração da papelada está agora completamente documentada. Os governos já não podem esconder-se alegado que não há provas de que tudo isto tenha acontecido."

O relatório do ICIJ alega que entre 1998 e 2007, mais de um terço de todo o atum-rabilho do Atlântico leste capturado foi obtido de forma ilegal. As alegadas violações incluem a captura de peixe de peixe demasiado pequeno, indicar um valor inferior da real dimensão das capturas e incumprimento das quotas estabelecidas pela ICCAT.

A ICCAT é frequentemente criticada por ter quotas demasiado complacentes, bem como não as aplicar (ver Más notícias para o atum são más notícias para a CITES). O comité científico da ICCAT diz que está consciente da gravidade dos dados errados fornecidos entre 1998 e 2007, que salientou no seu mais recente relatório científico.

Durante esse período, a ICCAT estima as capturas anuais entre 50 e 60 mil toneladas, cerca de 40% mais altas do que as 30 a 35 mil toneladas indicadas, diz Jean-Marc Fromentin, ecologista do Centro de Investigação de Pescas Mediterrânicas e Tropicais em Sète, França, e membro do comité científico da ICCAT. Durante este período, o comité científico da ICCAT recomendou que as capturas não excedessem 15 a 25 mil toneladas, acrescenta ele.

 

"Durante esse período, foi realmente muito mau", diz Fromentin. "Houve uma quantidade maciça de pesca excessiva associada a capturas relatadas inferiores às reais por todo o lado mas especialmente no Mediterrâneo.

Mas Fromentin mantém que a situação melhorou nos últimos três anos devido a novas medidas de aplicação e fiscalização. Observadores foram colocados nos barcos de pesca e nas aquaculturas, onde o atum é engordado antes de ser capturado. Antes de ser vendidos, todos os peixes têm que ter a papelada correcta: um documento de captura de atum-rabilho (BCD), que segue o peixe ao longo da cadeia de fornecimento.

O novo relatório alega que muitos peixes acabam no mercado sem a papelada completa mas Fromentin diz que o novo sistema reduziu drasticamente os números errados nos relatórios de capturas.

Isso não significa o fim da pesca excessiva no entanto, diz Andrew Rosenberg, vice-presidente sénior para a ciência e conhecimento da Conservation International de Arlington, Virginia, e antigo negociador de pescas dos Estados Unidos. "Eles reduziram os relatórios incorrectos de capturas mas não podem ver-se livres dos peixes do mercado negro." O mercado negro inclui peixes capturados por países não membros da ICCAT, bem como peixes capturados por navios registados sob bandeiras de conveniência, o que os coloca sob a jurisdição de países não membros da ICCAT.

Apesar de conservacionistas como o Grupo Ambientalista Pew irem pressionar os países membros da ICCAT a suspender as capturas de atum-rabilho o encontro da próxima semana, é mais provável que as conversações reafirmem as quotas existentes. No entanto, pode ser que se comprometam a aplicar regras de documentação mais apertadas, o que, por si só, já seria uma vitória, diz Rosenberg.

 

 

Saber mais:

Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos Atlânticos

Relatório “Looting the Seas”

Atum-rabilho fortemente atingido pelo derrame do golfo

Más notícias para o atum são más notícias para a CITES

ICCAT recua perante proibição da pesca do atum-rabilho

Não haverá cortes nas capturas de atum no Mediterrâneo

 

 

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