2010-11-10

Subject: Comércio ilegal de tigres mata mil por ano

 

Comércio ilegal de tigres mata mil por ano

 

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Young Siberian Tiger (Image: David Lawson/WWF-Canon)

O comércio ilegal de partes de tigre levou a que mais de mil tigres selvagens tivessem sido mortos na última década, sugere um relatório agora conhecido. 

A Traffic International, que monitoriza o comércio de espécies selvagens, descobriu que peles, ossos e garras eram os artigos apreendidos pelos funcionários alfandegários com maior frequência. O comércio continua sem sobressaltos apesar dos esforços para proteger estes grandes felinos, alerta o relatório.

Ao longo do último século, o número de tigres tem vindo a declinar de cerca de 100 mil animais para o que se estima não ultrapasse os 3500 actualmente.

O estudo, que utilizou dados de 11 dos 13 países que fazem parte do actual habitat de populações de Panthera tigris, estima que entre 1069 e 1220 tigres foram mortos para fornecer a procura ilícita por partes do corpo de tigres.

Desde Outubro de 1987 que os tigres estão listados como espécie do Apêndice I (ameaçadas de extinção) pela Convenção Internacional para o Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora (CITES), o que significa que todo o comércio destes animais ou partes do seu corpo é estritamente proibido.

O número baseia-se na análise de 481 apreensões, das quais mais de 275 foram na Índia, representando, segundo os autores, entre 469 e 533 tigres. A China, com 40, tem o segundo maior número de apreensões, correspondendo a cerca de 124 animais, e o Nepal representou 39 apreensões ou 113 a 130 tigres, acrescentam eles.

"Dado que metade dos tigres do mundo vivem na Índia, não é surpresa nenhuma que este país tenha o maior número de apreensões", explica a co-autora do relatório Pauline Verheij, gestora conjunto dos programas de comércio de tigres da TRAFFIC e do WWF.

"Ainda que um número elevado de apreensões possa indicar altos níveis de comércio, trabalho de eficaz de fiscalização ou uma combinação de ambas as situações, salienta sem dúvida que os tigres desse país estão a enfrentar uma severa pressão da caça furtiva", diz ela. "Com partes do que potencialmente são mais de 100 tigres selvagens apreendidos todos os anos, só podemos especular quais serão os verdadeiros números dos animais que estão a ser pilhados."

Os autores consideram que os dados mostram que o comércio continua "imperturbável apesar dos consideráveis e repetidos esforços para o controlar por parte dos países do actual habitat destes felinos e dos países consumidores, organizações intergovernamentais e não governamentais".

Comentando as descobertas, o líder a iniciativa Tigers Alive do WWF Mike Baltzer referiu: "Claramente os esforços de fiscalização realizados até à data são ineficazes ou não são suficientemente dissuasores. Não só o risco de ser apanhado tem que aumentar significativamente, como as apreensões e prisões também têm que ser seguidas de julgamentos rápidos e com sentenças adequadas, reflectindo a seriedade dos crimes contra os tigres."

 

Em Março de 2010, durante o mais recente encontro ao mais alto nível da CITES, os países acordaram aumentar a partilha de informação sobre as redes criminosas que traficam partes de tigre.

Num discurso em 2009, o chefe do Banco Mundial Robert Zoellick disse que o mercado negro global de produtos de vida selvagem valia cerca de $10 mil milhões por ano, tornando a vida selvagem o terceiro produto ilícito mais valioso, logo após as drogas e as armas.

Os conservacionistas também salientam que as quintas de tigres da China são uma ameaça para os animais selvagens pois, alegam eles, perpetuam um mercado em que as partes do corpo do tigre pode ser vendidas, frequentemente exigindo um valor superior a produtos feitos com animais selvagens, considerados mais "potentes".

Apesar de a China oficialmente não permitir a venda de bens obtidos a partir dessas quintas de tigres, na prática várias investigações têm revelado que partes de tigre estão a ser vendidas.

O relatório apelou a uma melhor compreensão do comércio em partes do corpo e tigres e a uma aplicação da lei muito mais apertada.

@ Mekong Waterfront Guard and Natural Resources and Environmental Crime Suppression Division / BBC"Mas uma boa aplicação e fiscalização por si só não vão resolver o problema", alerta Steven Broad, director excutivo da TRAFFIC.

"Para salvar os tigres na natureza, é preciso que haja uma acção concertada para reduzir a procura de partes de tigre em países chave na Ásia."

Os esforços de aplicação e fiscalização da lei, concluem os autores, "apontam para a existência de uma falta de vontade política entre os responsáveis, tanto a nível nacional como internacional".

Eles esperam que o relatório forneça uma "importante base para informar e compreender este persistente, ainda que ilegal, comércio".

 

 

Saber mais:

CITES

TRAFFIC

WWF

Revelado o preço da conservação do tigre

Tigres e outros animais de criação

Comércio de pele de tigre na China exposto

 

 

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