2010-11-08

Subject: Nascimentos virgens em boas

 

Nascimentos virgens em boas

 

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@ Warren Booth

Uma boa constritora deu à luz duas ninhadas extraordinárias pois as evidências sugerem que a cobra produziu 22 crias sem pai, ou seja, múltiplos nascimentos virgens.

Para além disso, a composição genética das crias não é nada como as anteriormente registadas entre vertebrados. Os detalhes foram publicados na última edição da revista Biology Letters.

Os chamados nascimentos virgens ocorrem em vários animais. Muitos invertebrados, como insectos, produzem descendência assexuadamente, num processo de clonagem conhecido por partenogénese, que origina descendentes geneticamente idênticos, entre si e ao progenitor. No entanto, em vertebrados continua a ser uma bizarria pois apenas foi documentado em menos de 0,1% das espécies deste grupo.

Em 2006, os cientistas descobriram que dois dragões do komodo Varanus komodoensis, a maior espécie de lagarto do mundo, tinham produzido ovos viáveis que não tinham sido fertilizados, ou seja, por partenogénese.

Já em 2007, outros cientistas descobriram que fêmeas cativas de tubarões-martelo Sphyrna tiburo também eram capazes de reprodução assexuada, ainda que os vertebrados geralmente se reproduzam sexuadamente.

Não incluir o material genético paterno, ter na prática um único progenitor biológico, reduz a diversidade genética e torna mais difícil a adaptação a condições ambientais em permanente mudança ou ao surgimento de novas doenças.

Agora, um grupo de cientistas e peritos em cobras identificou o primeiro caso de partenogénese em boas. "Apesar de a partenogénese ter sido documentada em algumas espécies de cobra, as nossas descobertas são realmente uma novidade por várias razões", diz Warren Booth, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh.

Ele liderou a equipa que fez esta última descoberta e também trabalhou com os investigadores que documentaram a partenogénese em tubarões-martelo. "A fêmea boa não teve apenas um, mas dois, eventos de partenogénese, apesar de estar alojada em conjunto e ter sido observada a ser cortejada por múltiplos machos. Toda a descendência é fêmea e partilham apenas metade da composição genética da mãe."

Para além disso, a cobra fêmea em questão produziu descendência completamente única. Nos dois anos a seguir a 2007, a fêmea Boa constrictor nascida em cativeiro produziu duas ninhadas de crias vivas, ao mesmo tempo que estava alojada com quatro machos.

 

As primeiras impressões sugeriam que havia algo de especial com as crias: eram todas fêmeas e tinham uma rara coloração caramelo. Esta coloração resulta de um alelo recessivo raro, transportado pela mãe mas não por nenhum dos potenciais pais.

Por esse motivo, Booth realizou uma série de testes genéticos às cobras para resolver o enigma e o que descobriu foi espantoso. Os testes ao DNA revelaram que a descendência tinha várias diferenças genéticas em relação a qualquer dos potenciais progenitores, o que os eliminou e confirmou o primeiro registo conhecido de nascimentos virgens em boas.

Toda a descendência também apresentava cromossomas sexuais muito invulgares. Estes cromossomas conduzem o desenvolvimento das características sexuais, tornando os animais machos ou fêmeas.

O Homem, por exemplo, tem cromossomas sexuais X e Y: dois cromossomas X para as fêmeas e um X e um Y para os machos. As cobras, por sua vez, em vez de cromossomas X e Y têm Z e W: ZZ são machos e ZW são fêmeas.

Mas estranhamente, todas as cobras destas ninhadas são WW, o que foi mais uma prova de que as cobras herdaram todo o material genético da mãe pois apenas as fêmeas possuem o cromossoma W. "Essencialmente, são meios clones da mãe", diz Booth, pois as crias herdaram duas cópias de metade dos cromossomas da mãe, incluindo um cromossoma W.

Mais espantoso ainda é que nenhum animal vertebrado em que as fêmeas possuem cromossomas sexuais diferentes (neste caso, o cromossoma W) tinha sido registada a produção natural de descendência viável WW via partenogénese. "Há décadas que a combinação WW tem sido considerada não viável", diz Booth.

Nestas espécies, todos os exemplos de crias produzidas por partenogénese são machos, transportando um par de cromossomas ZZ. Os únicos animais que antes se sabia transportarem a combinação WW tinham sido criados por cientistas em laboratório, usando técnicas genéticas intricadas para alterar artificialmente a forma como os ovos se desenvolveram.

Um outro mistério por resolver é o que terá levado a fêmea a dar à luz desta forma. "Esta fêmea deu à luz anteriormente a crias sexuadamente e só se reproduziu em anos em que esteve alojada com machos", diz Booth. "Parece que é necessária alguma interacção com os machos mas então porque não utiliza o seu esperma continua por saber."

As boas são mantidas e criadas por todo o mundo como animais de estimação mas, acrescenta Booth, "este estudo diz-nos que temos muito mais a aprender sobre a reprodução destes répteis primitivos".

 

 

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