2010-11-07

Subject: Navio de pesquisa sobre derrame encontra corais mortos

 

Navio de pesquisa sobre derrame encontra corais mortos

 

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@ NatureUma equipa de investigadores que analisava as profundidades do golfo do México descobriu uma vasta área de corais, e fauna a eles associada, mortos ou a moribundos. 

Apesar dos cientistas alertarem para o facto de não poderem ter a certeza do que causou os danos, acreditam que as limitadas evidências de que dispõem apontam para que o derrame da plataforma Deepwater Horizon ser o culpado.

"Foi imediatamente óbvio quando chegámos a este local que quase todos os corais estavam em mau estado", diz Charles Fisher, da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park, cientista-chefe da expedição. "Não foi subtil: estavam cobertos com um material castanho."

A expedição em duas etapas 'Lophelia II' da equipa começou em 14 Outubro, quando partiram do porto de Pensacola, Florida, a bordo do navio de pesquisa da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) Ronald H. Brown. A bordo estavam investigadores de várias instituições, incluindo uma equipa da Woods Hole Oceanographic Institution no Massachusetts, que trouxe o submersível remotamente operado Jason.

Observando imagens recolhidas pelo Jason na sala de controlo do navio, a equipa observou primeiro corais duros danificados e depois um enorme campo de corais gorgonianos moles, conhecidos por leques-do-mar, quase na sua totalidade fortemente danificados. Alguns estavam cobertos por um material castanho, outros estavam a perder tecidos ou com o esqueleto rijo danificado. As estrelas-do-mar que geralmente coabitam com os corais moles estavam descoloridas e imóveis.

"Essas imagens são de pesadelo", diz Edith Widder, bióloga de mar profundo e presidente da Ocean Research & Conservation Association em Fort Pierce, Florida. Widder, que não estava no navio, tinha ficado aliviada com relatórios anteriores da expedição sobre a saúde de outros locais na vizinhança do derrame. "É nauseante ver este tipo de devastação."

Fisher não acredita que o material castanho sobre os corais contenha petróleo, apesar de admitir que seja possível. Em vez disso, ele sugere que sejam detritos da água que simplesmente se acumularam sobre os corais à medida que estes morriam. Os investigadores vão analisar amostras do material castanho, bem como de sedimentos e tecidos do coral e de outros animais, em busca de níveis significativos de petróleo ou dispersantes.

O trabalho foi parte de um trabalho multianual financiado pelo Gabinete de Exploração e Investigação Oceânica da NOAA e pelo Bureau de Gestão Energética Oceânica, Regulação e Aplicação, através de um privado, TDI-Brooks International. Durante vários anos, os investigadores têm vindo a estudar os recifes de coral e os locais de fuga natural de petróleo e metano espalhados pelo golfo do México a profundidades de várias centenas a milhares de metros.

Depois do derrame da Deepwater Horizon ter começado em Abril, o grupo expandiu os seus esforços para incluir a exploração de locais perto da cabeça do poço. Concordaram em recolher mais amostras como parte de um processo em curso e legalmente mandatado pela Avaliação de Danos de Recursos Naturais.

 

A descoberta dos corais a 2 de Novembro surge quando a equipa explorava um local a cerca de 11 Km a sudoeste do derrame, a uma profundidade de 1400 metros. O local está no percurso da pluma de profundidade de petróleo difuso que os cientistas descobriram em Maio e se manteve abaixo da superfície durante o derrame. "Honestamente, esperávamos encontrar efeitos subtis", diz Fisher. "Não me parece que alguém realmente esperasse levar uma bofetada destas."

Usando o Jason e outros veículos, a equipa passou centenas de horas a explorar mais de 30 locais de profundidade de coral e fugas no golfo. Erik Cordes, da Universidade Temple, Filadélfia, Pennsylvania, cientista-chefe da primeira etapa da expedição, diz que os danos não devem estar associados a uma fuga natural de petróleo ou gás pois são, de longe, muito mais severos que qualquer outro exemplo anterior, apesar de isso não puder ser eliminado.

Os cientistas dizem que apenas podem ter a certeza que as colónias de coral foram expostas a algo tóxico. A exposição também foi relativamente recente, porque os corais mortos ainda não foram abafados por outros animais. Mesmo se os danos forem causados pelo petróleo ou pelo dispersante, pode não se ter acumulado quantidade suficiente deles para permitir detecção exacta.

@ NatureNo entanto, devido à novidade da descoberta, a sua localização e o seu momento, a equipa acredita que há fortes provas circunstanciais de que o derrame terá causado os danos. "Acho que quando se junta tudo, é bastante óbvio", diz Fisher. Para além do petróleo e do dispersante, a redução de oxigenação devido à degradação bacteriana do petróleo, que leva a pontos quentes de anoxia extrema, é outra causa possível, apesar de dados não publicados ainda não revelarem níveis de oxigénio assim tão baixos.

A equipa vai voltar ao golfo em Dezembro para o submersível Alvin da Woods Hole para revisitar o local danificado e para explorar novos locais na região. 

 

 

Saber mais:

Ronald H. Brown

Atum-rabilho fortemente atingido pelo derrame do golfo

O mistério da pluma de petróleo desaparecida

O legado perdido do último grande derrame de petróleo

 

 

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