2010-11-04

Subject: Geoengenharia enfrenta proibição

 

Geoengenharia enfrenta proibição

 

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@ NatureUm remédio de última hora para um planeta aflito ou um esquema temerário que pode ser uma maior ameaça à vida na Terra do que o problema que tenta resolver?

As opiniões estão fortemente divididas sobre a geoengenharia, uma potencial intervenção maciça sobre o sistema climático global com a intenção de reduzir os piores impactos das alterações climáticas.

Na última semana, os participantes na Convenção Internacional sobre a Diversidade Biológica (CBD) tornaram as suas ideias muito claras no encontro de Nagoya, Japão. Incluíram no seu acordo para a protecção da biodiversidade uma moratória sobre a geoengenharia "até que haja uma base científica adequada que permita justificar esse tipo de actividade e consideração apropriada dos riscos inerentes". 

A moratória, que se espera entre em vigor em 2012, não é legalmente vinculativa e dada a natureza preliminar dos estudos na área não é provável que afecte os investigadores num futuro independente mas alguns temem que a posição do CBD semeie a confusão e atrasos num momento em que os governos e grupos de investigação que exploram a viabilidade da geoengenharia se o aquecimento global acelerar desastrosamente.

O acordo do CBD coincide com a publicação de dois relatórios sobre geoengenharia, incluindo uma análise do congresso americano de 29 de Outubro, que apela à investigação pelo governo americano. Na introdução ao relatório, Bart Gordon (Democrata, Tennessee), salienta que os perigos de abafar esta investigação e apela ao "exame rigoroso e exaustivo" destas estratégias.

"Se as alterações climáticas são uma das grandes ameaças a longo prazo à biodiversidade e à saúde humana", diz Gordon, "então não compreender todas as nossas opções também é uma ameaça." O nosso relatório salienta a Iniciativa Americana de Nanotecnologia, um programa que incorpora investigação de 13 agências federais, como possível modelo para a coordenação da investigação.

O acordo de Nagoya garante uma excepção para pequenos estudos realizados em "ambientes controlados", mas apenas se forem devidamente avaliados e "justificados pela necessidade de reunir dados científicos específicos". Ken Caldeira, geoquímico que estuda a geoengenharia na Carnegie Institution for Science de Stanford, Califórnia, considera a linguagem do acordo vaga e confusa. "O que significa 'específico'? Quem vai determinar a necessidade dos dados? Como é que determino a necessidade de alguma coisa?" Caldeira também está preocupado com o facto de o acordo não distinguir entre tecnologias de geoengenharia controversas com intenção de bloquear o Sol e técnicas menos problemáticas, como a remoção de dióxido de carbono da atmosfera.

 

A CBD estabeleceu um precedente para esse tipo de linguagem em 2008, quando apelou ao fim da fertilização dos oceanos mas permitiu a realização de projectos de investigação em pequena escala. Essa proibição levou o governo alemão a suspender uma experiência de fertilização oceânica, a LOHAFEX, no Antárctico no início de 2009, apesar de o projecto eventualmente ter ido adiante.

Pat Mooney, director executivo do grupo ETC de Otava, Canadá, que fez campanha para a proibição da geoengenharia, considera que a questão foi avançada por representantes de todas as partes do globo. "Não impedirá as pequenas experiências mas os governos vão pensar duas vezes antes de permitirem alguma coisa em larga escala".

David Keith, investigador de geoengenharia na Universidade de Calgary, concorda com a mensagem básica de que a investigação em pequena escala deve continuar mas a aplicação em larga escala deve esperar. Keith encomendou um relatório à parte, que explora em detalhe os custos de injectar enxofre na atmosfera superior para deflectir a luz do Sol. 

O relatório sugere que uma pequena frota de aviões especializados poderia injectar 1 milhão de toneladas de enxofre na estratosfera por apenas US$1 a $2 mil milhões por ano. Isso compensaria mais de metade do aquecimento global até à data devido aos gazes de efeito de estufa antropogénicos e poderia ser aumentado. "É a primeira vez que alguém esteve a sério a pensar nisto", diz Keith, que pagou o estudo com um fundo que gere com Caldeira, fornecido pela Microsoft de Bill Gates. Keith salienta que o objectivo é ter uma ideia de quais os programas de geoengenharia para que os cientistas possam focar devidamente as suas investigações sobre impactos e consequências.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) está encorajar os cientistas a expandir o seu trabalho sobre geoengenharia e planeia um encontro em Junho do próximo ano para discutir as bases científicas da geoengenharia, custos, impactos e efeitos secundários, bem como a forma de abordar a questão na próxima avaliação do IPCC.

 

 

Saber mais:

Convention on Biological Diversity

Intergovernmental Panel on Climate Change

Geoengenharia não reduzirá a subida do nível do mar

Geoengenharia é exequível

Convenção desencoraja 'fertilização' do oceano

 

 

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