2010-11-02

Subject: Cinza vulcânica causa florescimento de salmão

 

Cinza vulcânica causa florescimento de salmão

 

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@ NatureAs especulações estão em pleno sobre a possibilidade de uma erupção vulcânica de 2008 numa ilha do Alasca tenha sido a responsável pelo aumento ocorrido este ano do salmão nos rios da Colúmbia Britânica, Canadá.

Se confirmada, a ideia vai melhorar a compreensão dos biólogos da notoriamente imprevisível dimensão das migrações de salmão e atiçará a já controversa ideia da fertilização intencional do oceano com ferro para estimular o crescimento dos stocks pesqueiros em declínio mas alguns investigadores consideram a teoria "rebuscada".

Depois dos perturbadoramente reduzidos números de 2009, o salmão voltou misteriosamente em número recorde ao rio Fraser River este ano. Tim Parsons, investigador de pescas canadiano, sugeriu que o ferro das cinzas vulcânicas da erupção da ilha Kasatochi, que teria estimulado o florescimento do fitoplâncton, teria indirectamente fornecido um festim aos salmão.

Parsons, cientista do Instituto de Ciências Oceânicas em Sidney, Canadá, é muito considerado pelo que os peritos estão ansiosos em ouvi-lo e em fazer estudos que possam confirmar a teoria. "É tão boa como qualquer outra neste momento", diz Carl Walters, do Centro de Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver.

Uma maneira de o verificar, diz David Welch. da Corporação de Investigação Kintama, seria verificar as escamas do salmão que regressou em 2010 para ver se tiveram um crescimento anormal no Outono de 2008. "As escamas de salmão têm anéis de crescimento como os das arvores, o que seria muito útil para testar esta teoria rapidamente." Walters diz que o fará mas não está convencido que seja revelador.

A sugestão de Parsons depende de um estudo feito por Roberta Hamme, da Universidade de Victoria, Colúmbia Britânica, que associa a erupção de 7 e 8 de Agosto de 2008 do vulcão Kasatochi nas Aleutas, a um enorme florescimento de fitoplâncton ocorrido mais tarde nesse mês. A erupção não foi particularmente grande mas uma tempestade espalhou a cinza sobre uma vasta área. O florescimento foi o maior em 12 anos de registos, cobrindo 2 milhões de quilómetros quadrados de oceano.

 

Há muito que se sabe que o crescimento do fitoplâncton no Pacífico norte é limitado pela quantidade de ferro na água. As tempestades de poeira dos desertos asiáticos trazem ferro à zona e os vulcões foram recentemente considerados como outra importante fonte. O artigo de Hamme carrega nessa ligação mas a questão é se as erupções têm impacto sobre os salmões.

O salmão não se alimenta de fitoplâncton, alimentam-se de zooplâncton e pequenos peixes, que por sua vez se alimentam de fitoplâncton. O zooplâncton leva meses a anos a reproduzir-se, por isso um único momento de aumento de alimento de 3 a 4 semanas não levaria necessariamente a aumento do seu efectivo, diz Welch. Hamme refere altos níveis de zooplâncton nas águas superficiais em Agosto e Setembro de 2008, mas não tanto como no início do Verão, antes da erupção.

O salmão que regressou este Verão estaria no golfo do Alasca no Outono e início do Inverno de 2008 mas quando Randall Peterman, da Universidade Simon Fraser em Burnaby, Canadá, analisou 18 outras populações que invernaram no golfo do Alasca em 2008, e apenas três tinham taxas de retorno invulgarmente altas. "Fossem quais fossem os efeitos, teriam de ser específicos para a localização do salmão do rio Fraser e não noutras zonas, o que é possível mas rebuscado."

Mas Walters salienta que a última grande migração de salmão no rio Fraser em 1958, surgiu dois anos após uma grande erupção na península de Kamchatka. "A história faz sentido."

Se a erupção causou o florescimento do salmão este ano, então pode acontecer noutros locais também mas vários factores teriam que estão correctos: a cinza vulcânica teria que ser rica em ferro, teria que cair sobre zonas pobres em ferro naturalmente (Pacífico norte e equatorial e Antárctico), a erupção teria que ser na Primavera ou Verão (quando o crescimento do fitoplâncton não é limitado pela luz) e terá que estimular o crescimento de zooplâncton e não de algas. Seguidamente os peixes têm que dar com ele durante o seu período crítico de crescimento.

Tudo isto pode resultar em novas ideias para fertilizar o oceano para estimular o crescimento de peixe mas será isso boa ideia? "Céus não", diz Walters. "A nossa experiência com a fertilização de coisas mostra que é muito fácil fertilizar a coisa errada, é muito perigoso." 

 

 

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