2010-11-01

Subject: Seca atinge Amazonas novamente

 

Seca atinge Amazonas novamente

 

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@ NatureHá cinco anos, vastas áreas do Amazonas sofreram uma seca histórica, que destruiu árvores, causou impactos severos no modo de vida daqueles que dependem do rio e colocou aos cientistas o que se pensou ser uma rara oportunidade para investigar a maior floresta tropical húmida do mundo sob perturbação extrema.

Agora a seca está a atacar novamente, reforçando os temores de que a mão invisível das alterações climáticas possa estar envolvida na situação.

Como se compara a actual seca com a de 2005?

Até agora a seca parece semelhante em dimensão, apesar de algumas variações. Luiz Aragão, perito em detecção remota da Universidade de Exeter, que reviu os dados de estações terrestres e satélites, diz que a seca parece ser mais abrangente mas ligeiramente menos intensa do que a de 2005. 

A actual seca afecta uma vasta área do Amazonas noroeste, central e sudoeste, incluindo partes da Colômbia, Peru e Bolívia. Menos nuvens e menos chuva também se traduzem em temperaturas mais elevadas e Aragão diz que as temperaturas máximas médias de Setembro são 1°C mais elevadas que em 2005 e 2 a 3°C mais elevadas que a média. O nível da água do principal tributário do Amazonas, o Rio Negro, está a níveis historicamente reduzidos.

Apesar da desflorestação no Brasil ter diminuído, tem havido relatos de aumento de fogos. Estará isso relacionado com a seca?

Sim, os fogos florestais estão geralmente associados à desflorestação mas a seca amplifica o impacto dos fogos lançados para limpar o terreno.

Os dados preliminares para 2010 indicam que a desflorestação caiu perto de 85% comparativamente ao seu mais recente pico de 2004. Quando os dados finais forem conhecidos nas próximas semanas, o Brasil pode alegar que cumpriu o seu compromisso de reduzir a desflorestação em 80% (comparado com a média) uma década antes do previsto.

Para uma ideia da perspectiva, a União dos Cientistas Interessados, sediada em Cambridge, Massachusetts, estima que a correspondente redução em emissões de gases de efeito de estufa seja de 1 gigatonelada, comparável com o que os Estados Unidos e a União Europeia se comprometeram a reduzir na próxima década.

Apesar destas espantosas notícias, Aragão diz que os fogos aumentaram para cerca de 80% dos níveis de 2005. Os fogos naturais são uma ocorrência rara no Amazonas mas durante uma seca os fogos que são ateados para limpar pequenas parcelas de terreno têm maior probabilidade de ficar fora de controlo.

As alterações climáticas são as culpadas da seca?

É difícil indicar um culpado mas tanto em 2005 como em 2010 as secas alinham-se bem com previsões a longo prazo feita por alguns modeladores climáticos para um desidratar gradual do Amazonas devido às alterações climáticas.

 

Grande parte do Amazonas normalmente passa por uma estação seca que começa por volta de Julho ou Agosto e continua até Setembro ou Outubro. Secas periódicas também estão associadas ao El Niño (um aquecimento periódico da água superficial do Pacífico oriental) mas há algumas indicações de que as secas de 2005 e 2010 podem estar associadas a aquecimento das águas superficiais do Atlântico a norte do equador, o que afastaria os ventos e a humidade que transportam para norte. 

Os cientistas tinham classificado a seca de 2005 como um fenómeno que aconteceria uma vez num século mas, claramente, estavam errados.

Que impacto teve a seca de 2005?

Desde há cinco anos que os peritos em detecção remota debatem a questão com surpreendente intensidade. Um controverso estudo de 2007 descobriu que o Amazonas floresceu em 2005, sugerindo que a floresta tropical era mais resistente do que antes se pensava. Mas outros investigadores analisaram os mesmos dados e não encontraram esse florescimento. Alguns chegam mesmo a considerar que os dados de satélite não são suficientemente bons para responder à questão.

Os dados de detecção remota continuam a ser debatidos na literatura científica mas os dados do solo fornecem provas claras de perda de biomassa e aumento da mortalidade das árvores. Um estudo publicado na revista Science no ano passado sugere que a seca reduziu a armazenagem cumulativa de carbono nas zonas afectadas em 1,6 gigatoneladas. Desta perspectiva, menos nuvens e mais luz poderia estimular inicialmente um aumento da taxa fotossintética e originar maior crescimento vegetal mas a reduzida humidade do solo devida à seca prolongada acabou por prevalecer.

Uma análise recente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences elabora este aspecto sugerindo que as condições de seca podem desencadear perda de folhagem, gemulação e simultâneo aumento da mortalidade das árvores.

Poderá a seca de 2010 ajudar a resolver estas questões?

Dará certamente aos cientistas outra oportunidade de analisar os vários dados do solo e de satélite e desta vez saberem o que o que procurar. Não é claro de que forma o debate sobre os dados de satélite acabará. Como o recente artigo da PNAS indica, há muito trabalho a fazer para explicar porque motivo os satélite 'vêem' verde, se é que vêem, e avaliar os impactos mais vastos da seca na armazenagem de carbono. 

 

 

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