2010-10-29

Subject: Narvais transmitem dados climáticos do oceano Árctico

 

Narvais transmitem dados climáticos do oceano Árctico

 

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@ NatureA água fria por baixo da camada de gelo de Inverno na baia de Baffin está a ficar mais quente, segundo medições obtidas por narvais equipados com termómetros.

Os dados recolhidos por estes mamíferos mergulhadores preenchem uma lacuna geográfica e sazonal nos registos climáticos da região, pois não havia disponibilidade de temperaturas de Inverno até à data na zona. Os dados também confirmam que uma tendência de aquecimento detectada durante estudos de Verão na zona da corrente ocidental da Groenlândia nos três anos antes de 2007.

"Basicamente não sabíamos nada sobre os Invernos na baia de Baffin", diz o oceanógrafo físico Mike Steele, da Universidade de Washington em Seattle, co-autor do estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research. "Mas há muito interesse no fluxo de água do mar em volta da Groenlândia."

A ideia não é nova: outras equipas de investigação polar já colocaram instrumentos oceanográficos em mamíferos marinhos, incluindo em focas-elefante, que mergulham cerca de 2 mil metros abaixo da superfície do oceano Antárctico, e em focas-barbudas, que nadam nos fiordes da Groenlândia, mas esta é a primeira vez que os investigadores usam narvais Monodon monoceros para a oceanografia e é também o primeiro estudo que tem como alvo a baia de Baffin, zona com poucos dados com cerca de 689 mil quilómetros quadrados.

Outros investigadores árcticos agradecem os dados tão difíceis de obter como uma forma de melhorar as suas predições climáticas. "Precisamos de mais observações para verificar, alterar e afinar os nossos modelos, por isso é fantástico termos os dados do Inverno", diz o oceanógrafo Lars Böhme, da Universidade de St Andrews, Escócia, que não esteve envolvido no estudo.

Tradicionalmente, os investigadores recolhem a temperatura da água do mar suspendendo dispositivos de navios ou de helicópteros, ou deixando uma equipa na camada de gelo durante uma estação para periodicamente baixar uma sonda de condutividade-temperatura-profundidade (CTD) para a água por baixo.

No entanto, estas opções não são práticas na baia de Baffin no Inverno, quando é frequentemente inacessível ou inospitaleiro para os investigadores. Em resultado, para os oceanógrafos que esperam acrescentar dados às bases de dados de temperaturas, como o departamento Hidrográfico e Climático do Centro de Ciência Polar (PHC), de que Steele é curador e que as previsões do clima usam no seus modelos, "lá estava este gigantesco e embaraçoso buraco", diz Steele.

Antes do estudo com os narvais, o mais próximo de medições de temperaturas de Inverno que se tinha vinha de pequenos povoados costeiros na margem ocidental da baia de Baffin e da costa oeste da Groenlândia, diz Steele, duas costas que distam entre 110 e 650 km entre si. Interpolação a parir destes pontos de recolha de dados no PHC davam uma média de temperatura de Inverno de 3,3°C no sul da baia de Baffin, mas podia não passar de uma estimativa.

 

Por isso, em 2006, quando a bióloga marinha Kristin Laidre, agora também na Universidade de Washington, se ofereceu para partilhar dados de temperatura obtidos para o seu estudo biológico dos narvais, Steele concordou. "Os animais têm o que apelidamos de alta fidelidade a um dado local", diz Laidre, "podemos capturar alguns durante o Verão, colocar-lhes instrumentos e ter uma boa ideia de onde estarão durante o Inverno."

Laidre diz que o método fornece uma cobertura abrangente da baia. Ela e os seus colegas do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia em Nuuk seguiram 14 narvais com transmissores de satélite durante três Invernos. Os narvais mergulharam a profundidades de 1773 metros na sua busca por presas. Laidre obteve leituras de temperatura, complementadas com uma série de lançamentos de 15 CTD retirados de um helicóptero e de um navio na Primavera de 2007, mostrando que o centro da baia de Baffin tinha uma temperatura média de Inverno cerca de 0,9°C superior do que a estimada pelo PHC.

"É sempre muito bom preencher uma lacuna", diz Steele, "mas descobrir este aquecimento não foi surpreendente." Os dados irão para a próxima versão do PHC e podem ajudar a fazer futuros modelos climáticos da região muito mais rigorosos, diz ele.

No entanto, tanto Steele como Böhme salientam que os sensores de temperatura não são tão precisos como os vulgarmente usados pelos oceanógrafos físicos. "Gostaria de ter visto um parágrafo sobre o rigor dos dados" dos sensores pequenos transportados pelos animais, diz Böhme, e "é importante incluir medições de salinidade para ser uma verdadeira plataforma de observação oceanográfica".

"Ficámos um pouco limitados pela dimensão dos instrumentos que colocávamos sobre os narvais", acrescenta Laidre; os instrumentos eram mais ou menos do tamanho de um baralho de cartas. "Mas se continuarmos com isto no futuro, gostaríamos de falar mais com os oceanógrafos sobre o que eles precisam, por exemplo medições de salinidade."

 

 

Saber mais:

Departamento Hidrográfico e Climático do Centro de Ciência Polar (PHC)

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