2010-10-26

Subject: Atum-rabilho fortemente atingido pelo derrame do golfo

 

Atum-rabilho fortemente atingido pelo derrame do golfo

 

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Impacto nas regiões de desova (Imagem CLS) - Clique para ampliar

O derrame de petróleo no Golfo do México não podia ter ocorrido em pior altura para o atum-rabilho: estes peixes tinham acabado de à região para a desova. Os satélites estão agora a ajudar a avaliar os danos do desastre da Deepwater Horizon neste habitat. 

Uma das maiores espécies de peixe vivas, capaz de atingir o tamanho de um Volkswagen carocha, o atum-rabilho chega ao Atlântico, todos os anos, entre Janeiro e Junho. O pico da época de reprodução no Golfo é Abril e Maio, momento em que, este ano, dez milhões de litros de petróleo por dia estavam a ser derramados, na sequência da explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, a 20 de Abril. 

Este peixe, de grande valor comercial, reproduz-se nas águas superficiais, com as fêmeas a libertarem os ovos e os machos a segui-las para os fertilizarem. A presença de petróleo na superfície pode danificar os ovos, as larvas e os adultos, afectando a sua respiração ao danificar as brânquias e envenenando todo o seu sistema. Com os stocks no Atlântico ocidental a decrescer a uma taxa de 82% nos últimos 30 anos, é imperativo que a espécie possa reproduzir-se sem interferências. 

Num esforço de salvaguardar as zonas de desova, a Ocean Foundation, organização sem fins lucrativos envolvida na protecção dos oceanos e das suas espécies, foi saber quais os habitats da região nordeste do golfo que tinham sido mais afectados. Dados de radar do satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), Envisat e outros satélites internacionais foram usados para produzir mapas semanais com a localização, forma e tamanho da mancha de petróleo. 

Para simular os habitats de desova e desenvolvimento da larva, os cientistas usaram atuns marcados electronicamente e um modelo oceânico baseado na medição de temperaturas, altura da superfície do mar medida com altímetros do Envisat e do Jason da NASA, e ainda informação sobre a cor da água obtida a partir do MERIS, Envisat, MODIS e Aqua da NASA. A cor da água pode dar uma indicação acerca da presença de plâncton, alimento para os juvenis.

Sobrepondo os mapas foi possível ver onde e com que frequência o derrame e os habitats se sobrepuseram entre 20 de Abril e 29 de Agosto. Logo a seguir à fecundação, a larva começa a procurar comida junto à superfície, o que significa que a presença de petróleo é potencialmente fatal para organismos tão pequenos. 

 

Uma vez que a área do derrame e os habitats preferenciais para a desova coincidiram no final da época reprodutiva, os investigadores contabilizaram os efeitos, concluindo que o desastre foi responsável por uma diminuição de 20% no número de novos atuns. 

Pelas observações de satélite, conclui-se que os locais de reprodução no oeste não foram, aparentemente, afectados pela poluição. “Esta análise vai ajudar-nos a aumentar o nível de conhecimento do impacto destes eventos, guiando-nos no desenvolvimento e recomendação de políticas”, disse David Guggenheim, da Ocean Foundation. 

“Além disso, esta análise e a sua abordagem representam uma ferramenta de nova geração que pode ajudar os investigadores e decisores no caso de enfrentarmos um desastre semelhante no futuro”, referiu ele. 

Quando o poço Deepwater Horizon foi finalmente selado a 15 de Julho, tinham sido derramados 750 milhões de litros de crude. Alguns dias após a explosão, os satélites começaram a monitorizar a situação e a fornecer dados quase em tempo real às autoridades americanas envolvidas nos esforços de limpeza. Mapas baseados em dados da ESA também documentam os efeitos de derrame nos habitats costeiros e nos locais de reprodução das tartarugas. 

A protecção dos habitats naturais está esta semana em destaque na COP 10, Convenção para a Diversidade Biológica das Nações Unidas, que está a decorrer em Nagoya, Japão.

 

 

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