2010-10-23

Subject: Pais obesos prejudicam saúde das filhas

 

Pais obesos prejudicam saúde das filhas

 

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@ NaturePais com uma dieta gorda podem passar problemas de saúde à sua descendência feminina, segundo um estudo com ratos publicado na revista Nature.

O problema dos pais parece ser herdado sem alterações ao DNA, em vez disso há ajustes epigenéticos químicos aos genes, alterando de alguma maneira a forma como são expressados na descendência.

"Pensamos que esta é uma das primeiras descobertas em mamíferos em que um efeito nutricional num pai foi passado à sua descendência", diz a autora principal do estudo Margaret Morris, investigadora sobre obesidade e diabetes na Universidade da Nova Gales do Sul em Sydney, Austrália.

Globalmente, a prevalência da obesidade na maioria dos grupos etários está a aumentar e esta situação está associada a um aumento e emergência precoce de diabetes tipo 2, uma forma da doença que geralmente apenas surgiria mais tarde.

Ampla investigação tem sido feita mostrando que se a dieta da mãe for pobre e se ela for obesa pode haver danos ao metabolismo da sua descendência e aumentar o seu risco de obesidade. "Mas há muito pouco sobre a influência paternal, por isso é que esta investigação é tão importante", diz Neil Stickland, chefe de ciência básica na Royal Veterinary College de Londres, que não esteve envolvido no estudo.

Morris colocou um grupo de ratos numa dieta com alto teor de gordura. Um grupo de controlo recebeu uma alimentação normal e, sem surpresa, os da dieta com alto teor de gordura ficaram obesos e revelaram sinais de diabetes tipo2. Tinham problemas com o metabolismo da glicose e eram resistentes à insulina, o que significa na realidade que a hormona se torna menos eficiente na redução dos níveis de açúcar no sangue.

A verdadeira surpresa surgiu quando Morris examinou a descendência feminina dos ratos obesos. Também elas tinham problemas na regulação da insulina e nos níveis de glicose. Os pais saudáveis, no entanto, tinham filhas saudáveis. Ainda não se sabe se problemas semelhantes surgiam nos filhos macho.

Os níveis de glicose no corpo são controlados pela insulina, produzida pelas células β do pâncreas. Estes grupos de células formam as chamadas ilhas do pâncreas. A equipa notou que as filhas de pais gordos tinham estas ilhas de células reduzidas, quando comparadas com as filhas controlo.

O próximo passo é investigar o que causa estas alterações. As filhas dos ratos obesos revelavam alterações na expressão de mais de 600 genes das ilhas pancreáticas mas como o próprio DNA permaneceu inalterado, a equipa de Morris sugere que as alterações na expressão genética são epigenéticas.

 

Os investigadores descobriram a maior diferença na expressão de uma gene no Il13ra2. A expressão de um gene pode ser alterada por metilação, em que grupos metil são acrescentados ao DNA, efectivamente silenciando o gene mas nas filhas dos pais obesos o nível de metilação deste gene era cerca de 25% do nível observado nas filhas controlo.

Mas nem todos ficaram convencidos. Stephen O'Rahilly, bioquímico clínico da Universidade de Cambridge, Reino Unido, salienta que "a diferença na tolerância à glicose entre os animais era pequena e o número de animais no estudo era demasiado reduzido para se obter um sinal robusto".

Para além disso, não é claro se estas alterações são causadas por uma dieta rica em gorduras ao longo de toda a vida ou se são cruciais períodos no desenvolvimento do pai quando o seu esperma é afectado pela dieta.

"O que este estudo não discerne é exposição pubertária e exposição adulta nos ratos pais, pois a equipa de Morris abrangeu todo o intervalo", diz Tracy Bale, investigador de neurociências na Universidade da Pennsylvania em Filadélfia, cujos estudos incluem a epigenética de doenças. "Por isso em humanos não significa que se um homem come um cheeseburger numa noite e tem relações sexuais com a mulher no dia seguinte, que irão conceber uma criança com disfunções a nível das células β."

Se este estudo pode ser transporto directamente para o Homem ainda terá que ser visto mas muitas mães entram na gravidez com peso a mais ou obesas, logo também é provável que muitos pais também estão a ter crianças enquanto são obesos, diz Morris. "Talvez isso afecte os gâmetas de formas que tenham consequências na próxima geração."

O'Rahilly alerta para o facto de ser "completamente prematuro" e "perigoso" traduzir estas descobertas para para humanos. "É um artigo interessante e provocador mas a ciência ficou pouco clara." O resultado deve ser razoavelmente fáceis de reproduzir em diferentes laboratórios, acrescenta ele. "Se for real, outros vão encontrá-lo."

 

 

Saber mais:

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