2010-10-19

Subject: Dez anos para resolver a crise da natureza

 

Dez anos para resolver a crise da natureza

 

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@ NatureA convenção das Nações Unidas sobre a biodiversidade abriu com alertas sobre a forma como a continuada destruição da natureza está a causar danos às sociedades humanas, para além do mundo natural.

A reunião de duas semanas tem como objectivo estabelecer novas metas para a conservação da vida na Terra.

O ministério do ambiente japonês Ryo Matsumoto referiu que a perda de biodiversidade se tornará irreversível se não for contida rapidamente. Muita esperança está a ser colocada na análise económica que mostra que a perda de espécies e de ecossistemas está a custar à economia global triliões de dólares todos os anos.

Ahmed Djoghlaf, secretário executivo da Convenção sobre a Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB), descreveu o encontro em Nagoya, Japão, como um "momento de definição" na história da humanidade. "O estudioso budista Daisetsu Teitaro Suzuki referiu que 'o problema da natureza é o problema da vida humana'. Actualmente, infelizmente, a vida humana é um problema para natureza", disse ele aos delegados no seu discurso de abertura.

Referindo-se à meta estabelecida na Cimeira Mundial das Nações Unidas de 2002, ele continuou: "Tenhamos a coragem para olhar as nossas crianças nos olhos e admitamos que falhámos, individualmente e colectivamente, em cumprir a promessa de Johannesburg feita por 110 chefes de estado em reduzir a taxa de perda de biodiversidade até 2010. "Olhemos nos olhos das nossas crianças e admitamos que continuamos a perder biodiversidade a uma taxa sem precedentes, hipotecando o seu futuro."

No início deste ano, a ONU publicou uma avaliação de peso, o Global Biodiversity Outlook, indicando que virtualmente todas as tendências que abrangem o estado do mundo natural estavam em queda, apesar dos sucessos de conservação em algumas regiões.

Mostrou que a perda e degradação das florestas, recifes de coral, rios e outros elementos do mundo natural estavam a ter impacto no standard de vida de algumas partes do mundo, um exemplo óbvio sendo o grau em que a perda de coral afecta os stocks pesqueiros.

No seu discurso de abertura, Matsumoto sugeriu que os impactos podem ser muito mais abrangentes no futuro. "Toda a vida na Terra existe graças aos benefícios da biodiversidade na forma de solo fértil, água limpa e ar não poluído. Estamos agora perto de um 'ponto de viragem', ou seja, estamos prestes a alcançar um limiar para além do qual a perda de biodiversidade se tornará irreversível e podemos alcançar esse limiar nos próximos 10 anos, se não fizermos esforços proactivos para a conservação da biodiversidade."

Nos últimos anos, as alterações climáticas têm dominado a agenda da política ambiental e Achim Steiner, director executivo do Programa Ambiental das Nações Unidas, sugeriu que há uma perda de compreensão ao nível político da razão porque a redução da perda de biodiversidade é igualmente importante. 

 

"Este é o único planeta neste universo onde se conhece vida deste tipo", diz ele. "Só este facto devia dar-nos que pensar mas, ainda mais importante, estamos a destruir as próprias fundações que sustêm a vida neste planeta. Ainda assim, quando nos encontramos nestes fóruns intergovernamentais a sociedade tem dificuldade em compreender e valorizar o que se está a tentar fazer e porque é importante."

Em cima da mesa em Nagoya está um projecto detalhado de acordo que pode lidar com as causas subjacentes à perda de biodiversidade, bem como o estabelecimento de novas metas para a conservação. No coração da ideia está a crença de que se os governos compreenderem os custos financeiros da perda da natureza, podem adoptar novos modelos económicos que recompensem a conservação e penalizem a degradação.

Um projecto patrocinado pelas Nações Unidas chamado 'A economia dos ecossistemas e da Biodiversidade' (TEEB) calcula este custo em $2 a 5 triliões por ano, predominantemente nas zonas mais pobres do mundo.

Jane Smart, chefe do programa de espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), diz que apesar do problema ser enorme e complexo, há sinais encorajadores. "As boas notícias são que quando conservamos, funciona. Cada vez mais sabemos o que fazer e quando o fazer, funciona realmente bem."

Os governos acordaram pela primeira vez em 1992, na Cimeira do Rio, que a continuada perda de biodiversidade precisava de atenção. A CDB nasceu aí, juntamente com a convenção climática das Nações Unidas, e tem como objectivo preservar a diversidade da vida na Terra, facilitar a utilização sustentada de plantas e animais e permitir uma exploração justa e equitativa dos recursos genéticos naturais.

As Nações Unidas esperam que o protocolo sobre o elemento final, conhecido por partilha de acesso e benefícios (ABS), possa ficar aqui assegurado, 18 anos depois de ter sido acordado em princípio.

No entanto, a politiquice que tem reinado em vários processos ambientais das Nações Unidas, especialmente na Cimeira Climática de Copenhaga, também paira sobre o encontro de Nagoya. Alguns países em vias de desenvolvimento insistem que o protocolo ABS seja assinado antes de concordarem no estabelecimento de um painel científico internacional para avaliar as questões da biodiversidade.

A Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) deverá ser criada durante a actual sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. 

 

 

Saber mais:

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