2010-10-18

Subject: IPCC busca clareza e relevância para próximo relatório

 

IPCC busca clareza e relevância para próximo relatório

 

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@ BBCFornecer informação que os decisores possam utilizar é crucial para o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), no momento em que inicia o trabalho para a sua próxima avaliação global.

O relatório, baptizado AR5, vai focar-se em factores que afectem materialmente a vida das pessoas, como por exemplo, as monções asiáticas, bem como que aspectos das alterações climáticas poderão ser irreversíveis.

Os líderes do grupo de avaliação científica do IPCC indicaram este novo rumo durante uma conferência na Coreia do Sul, destinada a modernizar a organização.

Segundo eles, os procedimentos utilizados na compilação do AR5 reflectirão algumas das críticas feitas sobre erros descobertos na avaliação anterior, em 2007.

A revisão recente dos procedimentos do IPCC, conduzida pelo Conselho Interacademias (IAC), um corpo abrangente das academias científicas de todo o mundo, referiu que algumas das afirmações sobre a probabilidade de ocorrência de impactos severos baseavam-se em muito pouca investigação. "Os autores relatavam alta confiança em afirmações para as quais há muito poucas evidências, como a muito citada afirmação de que as colheitas agrícolas em África poderiam reduzir-se em 50% até 2020."

O IAC recomendou que o próximo relatório lidasse com mais cuidado e consistência com as incertezas e Chris Field, co-presidente do grupo de trabalho do IPCC sobre os impactos, adaptação e vulnerabilidade, indicou que a mensagem tinha sido recebida.

"O facto é que os impactos das alterações climáticas são muito pouco conhecidos", diz ele. "Apenas temos estudos científicos maduros para um punhado de tópicos e num punhado de localizações, por isso temos que o reconhecer e descobrir como, num ambiente em que a informação é limitada, podemos ainda assim fornecer informação válida."

"Espero que consigamos usar a indicação da incerteza com cuidado, de forma a evitar problemas mas também conseguir trazer valor à discussão. Afinal, a maioria das pessoas passa as suas vidas a tomar decisões com base em incertezas e é isso que o lidar de forma eficaz com as alterações climáticas exige, o mesmo tipo de decisão que se toma quando se decide apertar o cinto de segurança, comprar um seguro para a cada ou investir nos mercados financeiros."

Cada vez mais os modelos computorizados das alterações climáticas estão a projectar impactos numa base região a região e não apenas globalmente, algo que é reconhecidamente vital para a tomada de decisões. No entanto, os relatórios anteriores do IPCC não produziam estas avaliações regionais da forma mais compreensível ou relevante, refere Thomas Stocker, da Universidade de Berna, Suíça, co-presidente do grupo de trabalho de ciência climática para o AR5.

"Vamos começar com os processos que são necessários para caracterizar as alterações climáticas regionais, como a Oscilação do Sul El Nino, a Oscilação do Atlântico Norte, os sistemas de monções por todo o mundo, etc.", diz ele. Esta nova abordagem permite avaliar a nossa compreensão física desses processos fundamentais: quais são os elementos que os alteram, de que forma respondem a alterações de fundo no albedo, na temperatura ou nos padrões de precipitação? Uma vez isso estabelecido, podemos perguntar-nos como esse conhecimento nos informa sobre uma projecção da monção na Índia, por exemplo."

Acredita-se que este processo tornará mais fácil para os governos e para as pessoas avaliar de que forma a sua vida poderá ser afectada pelas alterações climáticas e, assim, tomar decisões mais informadas.

Outra questão que o AR5 irá analisar com muito mais detalhe do que anteriormente é a influência dos ciclos naturais no clima, especialmente a curto prazo. Nos últimos anos, o mundo tem assistido a uma influência de arrefecimento da La Nina a conter a subida das temperaturas globais, antes de uma alteração para condições El Nino ter colocado 2010 na linha dos anos mais quentes, talvez o mais quente, dos tempos recentes.

Os investigadores que tentam projectar as temperaturas para a próxima década têm que ter em conta numerosos ciclos naturais, para além do efeito dos gases de efeito de estufa, e Stocker admite que o cenário se torna confuso.

 

"É um campo de pesquisas novo e as incertezas são grandes. Pode-se encontrar estudos com um arrefecimento para os próximos 10 anos e outros com aquecimento acentuado, por isso a variedade de estudos com simulações parece confusa. Por isso, o que queremos apresentar é uma boa avaliação da questão da previsibilidade. Provavelmente não vamos fornecer uma solução para a dificuldade de o curto prazo ser difícil de prever mas vamos fornecer a base científica para a sua explicação."

Áreas activas de investigação vitais para a compreensão das alterações climáticas, incluindo as interacções das nuvens e das partículas e poeira na atmosfera, terão os seus capítulos detalhados próprios.

Também pela primeira vez, o AR5 dará um olhar demorado a se alguns dos aspectos das alterações climáticas conduzirão a transformações na terra, ar e oceanos irreversíveis à escala humana.

Com as emissões de gases de efeito de estufa determinadas em continuar a sua subida com o fim da recessão global, o reconhecimento global é crescente de que a investigação sobre formas de viver com as alterações climáticas (adaptação) é tão importante como a investigação de formas para reduzir as emissões.

Os países em desenvolvimento, particularmente aqueles que acreditam que os impactos climáticos já são notórios, estão particularmente determinados em garantir que a adaptação tenha estatuto igual ao da mitigação.

Chris Field, da Instituição Carnegie para a Ciência da Universidade de Stanford na Califórnia, refere que o AR5 também terá esse aspecto em conta. 

Para melhorar as suas análises, o IPCC está a adoptar um novo conjunto de "cenários", projecções da forma como o futuro será, em termos de crescimento económico, efectivo populacional, opções energéticas, etc., todos factores que afectam as emissões. Conhecidos como Percursos Representativos de Concentrações (RCP), o seu objectivo é integrar melhor os dados e previsões de diferentes aspectos do futuro e permitir uma análise mais ampla das opções políticas.

"Os RCP permitem-nos explorar muitas questões, não apenas na compreensão das implicações de política mas também na forma como elas se ramificam em coisas tão diversas como impactos sobre a equidade de distribuição, justiça ou migração", diz Field. "É uma gama vasta de questões onde tem sido muito difícil distinguir a parte climática da parte social."

Interacções entre as manifestações físicas das alterações climáticas e questões sociais também serão expandidas na terceira parte do AR5, sobre opções de mitigação, um segmento que também incluirá avaliação do significado das diversas opções do ponto de vista económico.

"Desde a publicação do AR4, tem surgido grande quantidade de literatura sobre os aspectos socioeconómicos das alterações climáticas", refere o vice-presidente do IPCC Hoesung Lee. "Por isso a quinta avaliação irá analisar em particular esta questão."

O AR5 deve ser publicado em 2013 ou 2014, em quatro partes consecutivas: ciência, impactos, mitigação e uma síntese, tal como com os anteriores. No entanto, os procedimentos e tempos foram ajustados com o objectivo de facilitar a coordenação entre grupos de trabalho, particularmente para que as projecções científicas mais recentes possam estar na base da análise dos impactos.

A conferência coreana, o plenário anual do IPCC, terminou com a adopção parcial das medidas de reforma recomendadas pela revisão do IAC. A maioria das recomendações, no entanto, serão ainda discutidas pelos comités nos próximos meses, com o objectivo de resolver todas as questões prementes até Maio. 

 

 

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