2010-10-17

Subject: Sociedades evoluem por etapas

 

Sociedades evoluem por etapas

 

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@ NatureAs sociedades humanas progridem em pequenas etapas, tal e qual como a evolução biológica, revela um estudo da estrutura e linguagem de sociedades do sudeste asiático e Pacífico.

"Um dos grandes debates da antropologia tem sido se havia algum padrão ou processo recorrente na forma como as sociedades mudam ao longo do tempo", diz Tom Currie, da University College de Londres, que liderou o estudo publicado na revista Nature. Ele e a sua equipa quiseram saber se as sociedades aumentam em complexidade através de um número limitado de formas diferentes, de tribo, a cacicado, a estado e império, ou se diferentes sociedades têm diferentes padrões.

A sua análise, que utiliza métodos quantitativos emprestados pela genética, apoia um modelo popular de evolução política que sugere que as sociedades revelam um aumento gradual de complexidade mas os dados também apoiam outra teoria, que diz que as sociedades também podem diminuir de complexidade, seja pelo mesmo padrão de pequenas etapas ou através de quedas maiores.

Os antropólogos tradicionalmente olham para as sociedades humanas através de estudos de campo dos diferentes grupos, entrevistando pessoas e observando-as e usando dados arqueológicos para obter uma ideia da forma como as culturas se alteram ao longo do tempo.

Mas estes métodos têm a suas limitações, o registo arqueológico não preserva muito bem informação sobre a estrutura social e política e os estudos de campo não revelam nada sobre o passado. "Muitos dos debates neste campo têm sido puramente verbais e descrições", diz Currie.

A equipa de Currie usou a abordagem empírica da filogenética, o estudo do parentesco evolutivo, mas em vez de estudar genes, usou uma recente árvore filogenética de 400 linguagens do sudeste asiático e Pacífico (zona também designada Austronésia). Esta região estende-se de Taiwan no norte à Nova Zelândia no sul e de Madagáscar no ocidente à Ilha da Páscoa no oriente. A zona inclui províncias como Bali e Java, bem como pequenos grupos autónomos como os Iban da Malásia.

A árvore mostra as relações entre as linguagens ao longo do tempo. Duas linguagens com muitas diferenças são colocadas em ramos distantes, tal como duas espécies com maior divergência genética estariam em pontas opostas da árvore filogenética.

A equipa identificou os tipos de sociedade encontradas na região actualmente e sobrepôs essa informação à ponta dos ramos da árvore. Recuando através dos ramos, estimaram a forma como as sociedades se tinham alterado e evoluído ao longo do tempo, usando a linguagem como medida por interposta pessoa.

"Depois de ler o artigo foi tão óbvio que este era o melhor método para resolver questões sobre a evolução da complexidade política mas nunca tinha sido feito antes", diz Jared Diamond, da universidade da Califórnia, Los Angeles, que tem escrito bastante sobre a evolução das sociedades modernas e fez um comentário que acompanha o artigo.

 

Mas outros estão mais desconfiados. "O objectivo é antropológico mas o seu método é totalmente diferente do que temos usado", diz Robert Carneiro, antropólogo do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque. 

Gary Feinman, antropólogo da Universidade do Illinois em Chicago, salienta que análises da evolução política geralmente olham para alterações nas estruturas políticas de uma região ao longo de um dado período de tempo mas os dados usados por Currie estão relacionados com a dispersão de pessoas e da sua linguagem através de uma vasta área geográfica, logo a forma como as sociedades se alteram podem ser muito diferentes. Por exemplo, um pequeno grupo que se separe do continente é um caso diferente de um estado grande que se divide em vários grupos menores, cada um permanecendo na mesma zona.

Alguns antropólogos também não estão familiarizados com estes métodos fortemente estatísticos copiados da genética. "Mesmo supondo que conheço estas técnicas estatísticas, a forma como se passa de filogenia linguística a evolução política não é clara", diz Carneiro.

Diamond defende o método. "As linguagens não são usadas para derivar qualquer resultado sobre as sociedades, apenas para definir a árvore filogenética. Uma vez isso definido, pode-se usar a árvore para estudar, neste caso, a evolução política. Por isso, a única questão seria ' são as linguagens uma boa forma de definir as relações entre as sociedades?'" De modo geral, diz Diamond, as linguagens servem.

Mas há alguns problemas, diz Feinman. "Pode haver outras razões para as linguagens poderem ser semelhantes", diz ele. As palavras podem ser passadas de uma sociedade para outra sem haver uma origem comum, por exemplo.

"As conclusões são razoáveis e a abordagem é certamente inovadora", diz Feinman. "Mas precisam de ter uma percepção melhor das questões socioculturais sobre as quais estão a tentar falar."

Currie quer garantir que todo o anterior trabalho em antropologia e sociologia não é esquecido. "Não queremos deitar tudo janela fora mas queremos ser mais rigorosos sobre a forma como testamos estas teorias e mais explícitos sobre o que estamos a falar."

 

 

Saber mais:

Tom Currie

Jared Diamond

 

 

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