2010-10-12

Subject: Tardam análises sobre lama tóxica na Hungria

 

Tardam análises sobre lama tóxica na Hungria

 

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@ NatureUma semana após cerca de um milhão de metros cúbicos de lama vermelha terem sido derramados de uma fábrica de alumínio na Hungria, uma análise encomendada pelo grupo ambientalista Greenpeace revelou que mais de 50 toneladas de arsénico podem ter sido libertadas em resultado do derrame.

A lama, um subproduto da produção de alumínio (óxido de alumínio), matou pelo menos sete pessoas e contaminou vários milhares de hectares de terras na zona do lago Balaton, que escapou à contaminação, a 4 de Outubro. A vila de Kolontár e duas outras mais pequenas podem ter que ser abandonadas por completo e os cientistas prevêem anos para o ambiente recuperar.

A análise do Greenpeace, feita pela Agência Federal do Ambiente austríaca em Viena, examinou o conteúdo em metais pesados de amostras de lama recolhidas por activistas na terça-feira.

Para além de conter quase o dobro do arsénico (110 miligramas por quilograma de massa seca) do que seria de esperar para a lama vermelha resultante da produção de óxido de alumínio, as concentrações de mercúrio e de crómio também são relativamente altas, diz o químico Herwig Schuster, activista-chefe do Greenpeace para a Europa Central e do leste. "Como o arsénico é imediatamente solúvel, podemos estar perante um enorme problema com a água subterrânea."

O estudo foi recebido com cepticismo pelos químicos húngaros, em parte porque a bauxite, a forma a partir da qual a maioria do óxido de alumínio (e em último caso o alumínio) é derivado, não contém mercúrio ou arsénico. No entanto, o Greenpeace diz que as descobertas foram confirmadas por laboratórios independentes na Hungria. Os números do governo húngaro, baseados em amostras recolhidas por cientistas na semana passada, ainda estão para ser publicados.

"É complicado dizer o que é preciso fazer se não soubermos exactamente quais e que quantidade de substâncias tóxicas foram derramadas", diz Gergely Simon, químico ambiental do braço húngaro do Clean Air Action Group. Ele já pediu ao ministério da administração interna que revelasse a informação já recolhida sobre a composição química da lama.

János Szépvölgyi, director do Instituto de Materiais e Química Ambiental da Academia Húngara de Ciências em Budapeste, está a chefiar o esforço governamental para analisar o solo e a água da zona. "Toda a vida morreu. Uma camada de dois a cinco centímetros de lama cáustica cobre o solo. Essa lama tem que ser fisicamente recolhida e removida, o que vai levar muito tempo."

Com base numa análise preliminar, diz Szépvölgyi, "sabemos que a lama contém cerca de 2% de titânio e 0,5% óxido de vanádio mas o verdadeiro problema são os metais pesados em solução, que podem entrar nas águas superficiais e absorvidos pelas plantas".

Mas análises preliminares das suas amostras, acrescenta ele, sugerem que o conteúdo de arsénico e crómio dissolvidos são geríveis. Os fluxos de águas superficiais mais contaminados são o pequeno ribeiro Torma e o rio Marcal. O rio Rába, tributário do Danúbio, está menos afectado e a contaminação no Danúbio é quase negligenciável, diz Szépvölgyi. Ainda assim, ele salienta que as descobertas são preliminares e a qualidade da água de todos os ribeiros e rios da zona deverá ser verificada regularmente.

 

A análise, que inclui os resultados de uma análise de amostras recolhidas na sexta-feira por cientistas do Instituto de Investigação de Ciência do Solo e Química Agrícola em Budapeste, será publicada ainda esta semana, diz Szépvölgyi.

Schuster que os números do Greenpeace sugerem que a água potável para pelo menos 100 mil pessoas pode estar afectada por níveis potencialmente tóxicos, incluindo os habitantes da cidade de Györ a jusante dos rios contaminados. Exactamente com que rapidez e até que distância a contaminação alcançará depende da permeabilidade do solo local, que os cientistas ainda não avaliaram.

As descobertas do Greenpeace são surpreendentes, diz Tamás Weiszburg, mineralogista da Universidade Eötvös Loránd em Budapeste, que não esteve envolvido em nenhuma das análises.

Apesar da pequena quantidade de arsénico na bauxite, na lama pode ter-se acumulado ao longo do tempo, "se a amostra do Greenpeace é representativa não há questão de que os resíduos industriais se misturaram no reservatório", diz Weiszburg.

O Greenpeace também suspeita que o reservatório que vazou pode ter contido outros resíduos tóxicos para além da lama da produção de óxido de alumínio.

@ Nature"Os standards ambientais para as velhas fábricas húngaras estão muito atrás das regras europeias para as recém-construídas", diz Schuster. "Nem sabemos em que ano a barragem foi construída ou com que frequência foi modificada."

Entretanto, o governo húngaro alertou para o real perigo de um segundo derrame tóxico a partir do mesmo local. Outro reservatório no local parece frágil e se rebentar vários milhares de toneladas de lama podem inundar as terras e rios da zona.

Na semana passada, o governo revelou que peritos do Instituto Geológico Húngaro em Budapeste iriam reavaliar a segurança de três outros reservatórios que, em conjunto, contêm cerca de 50 milhões de toneladas de lama vermelha. Perto de 30 milhões de toneladas são mantidas em Ajka, 12 milhões de toneladas em Almásfüzítő e 8 milhões de toneladas em Mosonmagyaróvár. Os reservatórios de Almásfüzítő e Mosonmagyaróvár situam-se nas vizinhanças imediatas do Danúbio.

 

 

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