2010-10-07

Subject: Declínio na actividade solar associada a aquecimento recente

 

Declínio na actividade solar associada a aquecimento recente

 

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@ NatureUma análise de dados de satélite desafia a ideia intuitiva de que a diminuição da actividade solar arrefece a Terra e vice-versa.

Na realidade, a forçagem solar do clima superficial da Terra parece funcionar ao contrário, pelo menos durante o actual ciclo solar.

Joanna Haigh, física atmosférica no Imperial College de Londres, analisou medições diárias da composição espectral da luz do Sol entre 2004 e 2007 realizadas pelo satélite da Experiência da Radiação Solar e Clima da NASA (SORCE). Descobriu que a quantidade de luz visível que alcança a Terra aumentou à medida que a actividade do Sol diminuiu, aquecendo a superfície. As suas inesperadas descobertas foram publicadas na última edição da revista Nature.

O período do estudo cobre a fase de declínio do actual ciclo solar. A actividade solar, que no actual ciclo atingiu o seu pico em 2001, alcançou um mínimo pronunciado no final de 2009, durante o qual não se observaram manchas solares durante um período invulgarmente longo.

As manchas solares, áreas escuras de temperatura superficial baixa no Sol causadas por intensa actividade magnética, são a manifestação visível mais conhecida do ciclo solar de 11 anos. São observadas e registadas regularmente desde o século XVII mas as medições do comprimento de onda da radiação solar têm sido escassas até agora.

A equipa de Haigh comparou os dados do espectro solar SORCE com os comprimentos de onda previstos por um modelo empírico standard baseado essencialmente no número e área de manchas solares, e aperceberam-se de diferenças inesperadas. A quantidade de radiação ultravioleta no espectro era quatro a seis vezes inferior do que o previsto empiricamente mas o aumento na radiação visível, que aquece a superfície da Terra, compensava essa redução.

Ao contrário das expectativas, a quantidade bruta de energia solar que atinge a troposfera terrestre parece ter sido maior em 2007 do que em 2004, apesar do declínio de actividade solar ao longo desse período.

As alterações espectrais parecem ter mudado a distribuição do ozono acima da troposfera. Numa simulação modelo, a abundância de ozono diminuiu abaixo de uma altitude de 45 km entre 2004–07 e aumentou mais acima na atmosfera. As alterações modeladas são consistentes com medições no espaço do ozono no mesmo período.

 

"Estamos a observar uma alteração muito interessante na irradiação solar com alterações espantosamente semelhantes no ozono", diz Haigh. "Pode ser uma coincidência, e é preciso verificação, mas as nossas descobertas podem ser demasiado importantes para não as publicar agora."

"À primeira vista, os dados parecem incrivelmente importantes", diz Michael Lockwood, físico espacial na Universidade de Reading. "Se a actividade solar estiver desfasado com a forçagem radiativa solar, pode alterar a nossa compreensão da forma como os processos da troposfera e estratosfera actuam na modulação do clima terrestre."

Ao longo do período de três anos do estudo, as variações observadas no espectro solar causaram mais ou menos a mesma quantidade de aquecimento da superfície da Terra como a subida das emissões de dióxido de carbono, diz Haigh. Mas como a actividade solar é cíclica não deverá ter um impacto a longo prazo sobre o clima, independentemente de terem ocorrido alterações espectrais durante ciclos solares anteriores. "Se o clima fosse afectado a longo prazo, o Sol teria produzido um arrefecimento notório na primeira metade do século XX, que sabemos não ter acontecido."

A ideia de que os cientistas podem não ter compreendido bem o efeito do Sol no clima não deverá fornecer novas munições aos cépticos climáticos, diz Martin Dameris, cientista climático do Centro Aerospacial Alemão em Oberpfaffenhofen.

"As descobertas podem revelar-se muito significativas em relação à compreensão e quantificação das flutuações climáticas naturais", diz ele. "Mas seja de que forma se olhe para isto, a influência do Sol no clima actual é quando muito um pequeno acrescento natural ao aquecimento devido ao acumular de gases de efeito de estufa."

 

 

Saber mais:

NASA - satélite experimental para o clima e a radiação solar

NASA - manchas solares

 

 

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