2010-10-03

Subject: Revelada fatiota antiga do pinguim imperador

 

Revelada fatiota antiga do pinguim imperador

 

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Inkayacu paracasensisUm esqueleto fossilizado de um pinguim com 36 milhões de anos encontrado na face de uma falésia no Peru deu aos cientistas um vislumbre da forma como as penas dos pinguins, originalmente usadas para o voo, se adaptaram à natação.

O fóssil, encontrado pelo estudante de paleontologia Ali Altamirano, do Museu de História Natural de Lima, continha pigmentos intactos, o que os cientistas consideram que significa que, em vez da plumagem preta e branca que os pinguins modernos apresentam, a ave antiga teria penas cinzentas e castanhas avermelhadas.

A colega de Altamirano, Julia Clarke, a paleontóloga da Universidade do Texas em Austin que liderou o estudo, soube que tinham um espécime especialmente bem preservado quando ao retirar pedaços de rocha revelou penas fósseis. "O fantástico é que a dada altura este pedaço soltou-se e podíamos ver as pequenas estrias das bases das penas, onde entravam na pele", diz Clarke.

Foram os melanossomas, organitos que dão às penas a sua coloração e rigidez, que mais surpreenderam Clarke. Os pigmentos no seu interior ainda continham vestígios de cinzento e castanho avermelhado. "Na minha perspectiva pessoal, achava que os pinguins ancestrais eram pretos e brancos", diz ela. 

Os melanossomas eram praticamente esféricos, o que os torna mais parecidos com os que actualmente se encontram nos petréis e albatrozes, os parentes vivos mais próximos dos pinguins, do que com os melanossomas ovais dos pinguins modernos. 

Pensa-se que o alongamento dos melanossomas dos pinguins modernos afecta a forma das penas, tornando-as mais hidrodinâmicas, logo a forma intermédia dos melanossomas fósseis sugere que a ave se estava a adaptar a nadar e a diferentes pressões ambientais. As descobertas foram publicadas online na Science.

Tentar explicar as cores das penas é um problema raro para os paleontólogos, pois os tecidos moles raramente fossilizam. Este exemplo, o primeiro conhecido de penas de pinguim fósseis, mostra "um estado de preservação espantoso e inesperado", diz Ewan Fordyce, paleontólogo da Universidade de Otago em Dunedin, Nova Zelândia.

O esqueleto tão completo também torna este fóssil tão importante, diz o biólogo Piotr Jadwiszczak, da Universidade de Bialystok, Polónia. "Muitos fósseis são compostos por ossos isolados e é impossível dizer se este úmero e aquela tíbia pertencem ao mesmo indivíduo.

O fóssil inclui um crânio intacto com um bico longo em forma de gancho, ossos das asas e das patas, vértebras e impressões de penas. A espécie foi baptizada Inkayacu paracasensis, o que significa 'imperador aquático de Paracas', a reserva natural peruana em que foi encontrado. A equipa de investigação estima que a ave viva teria cerca de 1,5 metros de comprimento e pesaria 55 a 60 kg, o que a torna duas vezes mais pesada que o moderno pinguim imperador Aptenodytes forsteri e entre os maiores entre os pinguins extintos conhecidos até à data.

 

A presença da ave no Peru vem somar-se às evidências de que os pinguins se diversificaram e espalharam pelo mundo muito cedo na sua evolução, diz Clarke. Outros pinguins ancestrais alcançaram a actual Nova Zelândia, Antárctica e outras zonas da América do Sul, onde em 2005 os colaboradores peruanos de Clarke encontraram outro pinguim gigante do mesmo período.

pena de Inkayacu paracasensisA descoberta oferece aos investigadores um instantâneo do estádio intermédio da evolução das penas das aves, de ajudantes no voo a parte das barbatanas firmes na água, que é 800 vezes mais densa que o ar. 

Enquanto à vista desarmada as penas ancestrais são semelhantes às dos pinguins modernos, a forma única dos melanossomas dos pinguins modernos pode ser um melhoramento mais tardio concebido para fortalecer as penas para a natação, escrevem os autores. "Este é um motor da transição que está mal estudado", diz Clarke.

O melanossoma parece ter evoluído a uma taxa diferente da da forma geral da ave, escreve ainda Clarke. "Se os autores estiverem correctos, então talvez não possamos prever com certeza a cor das penas ancestrais" usando árvores filogenéticas e as espécies modernas como indicadores, diz Fordyce.

Mas Marcel van Tuinen, biólogo da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, diz que as cores das penas identificadas por Clarke e pela sua equipa são "vulgares entre os parentes vivos mais próximos dos pinguins, os petréis e os albatrozes, o que do ponto de vista evolutivo faz todo o sentido".

 

 

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