2010-09-27

Subject: Incubação extra faz cucos sair do ovo primeiro

 

Incubação extra faz cucos sair do ovo primeiro

 

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@ BBC

Um cuco tem a extraordinária capacidade de manter o seu ovo no interior do corpo durante 24 horas extra antes de o libertar no ninho de uma ave hospedeira, descobriram os investigadores. 

Segundo eles esta "incubação interna" permite ao cuco sair do ovo antes dos seus parceiros de ninho, despejá-los e garantir que os progenitores adoptivos lhe trazem toda a comida.

A descoberta pode ajudar a compreender de que forma os cucos evoluíram para se tornarem parasitas de criação, aves que colocam os ovos no ninho de outra espécie. A equipa publicou os seus resultados na última edição da revista Royal Society Proceedings B journal.

Muitas espécies de cucos são parasitas de criação, dependendo de outras espécies para criar os seus juvenis. Se os progenitores adoptivos não removerem o intruso antes de este chocar, os seus próprios descendentes quase sempre acabarão no chão, despejados pelo invasor.

Para ser capaz de sobreviver na família adoptiva, "temos que ser capazes de chocar antes dos outros pintos, isso é crucial porque te dá um avanço", explica Tim Birkhead, da Universidade de Sheffield, que liderou o estudo.

Os ornitólogos há muito que sabem disto, bem como do curioso facto que os embriões de cuco presentes em ovos acabados de por parecem mais desenvolvidos do que os presentes em ovos de outras espécies nas mesmas condições.

Birkhead diz que há inúmeros relatórios na literatura datada dos séculos XVIII e XIX sobre colectores de ovos que ficaram espantados por observar embriões muito mais desenvolvidos quando estavam a analisar ovos de cuco.

Os cientistas têm tentado resolver este mistério há décadas e a ideia da incubação interna foi sugerida pela primeira vez já em 1802 mas parecia tão invulgar que a comunidade científica acabou por ignorá-la ... até agora.

 

"Para muitas pessoas parecia extremamente improvável porque não pensavam que os cucos, ou outra ave, fossem capazes de reter os ovos uma vez prontos para serem postos", diz Birkhead. "Mas os nossos resultados mostram que é claramente o que acontece."

Para testar a sua ideia, os cientistas ingleses decidiram imitar o processo de incubação natural. Recolheram ovos acabados de por de cucos europeus e incubaram-nos durante 24 horas a 40ºC, a temperatura do corpo da ave, e examinaram os embriões ao microscópio.

"Com certeza, os embriões pareciam muito mais avançados do que os encontrados nos ovos de outras espécies que analisámos", diz Birkhead. Para verificar se esta era a estratégia que dava à cria um avanço, a equipa recolheu ovos de tentilhão e os resultados confirmaram que estavam certos.

"Quando incubamos os ovos de tentilhão durante um período extra de 24 horas, imitando a situação do cuco, os seus embriões estavam exactamente no mesmo estágio que o embrião de cuco quando o ovo é posto", explica ele.

A equipa considera que o ovo do cuco passa apenas mais 24 horas no corpo da fêmea, uma vantagem no choco que se revela na realidade ser de 31 horas pois no interior do corpo se desenvolve bem mais rápido que no ninho.

"Se não tivessem esta incubação interna e a cria de cuco chocasse ao mesmo tempo que a cria dos hospedeiros ou depois dela, seria muito menos bem sucedida a expulsá-las do ninho e, por isso mesmo, muito menos eficiente a monopolizar os alimentos", acrescenta ele.

A colega de Birkhead na Universidade de Sheffiled, Nicola Hemmings, apelidou a descoberta de "espantosa". "Com certeza altera a nossa percepção em termos da forma como os cucos evoluíram para por os seus ovos noutros ninhos e dá-nos alguma ideia sobre a razão porque terão desenvolvido esta estratégia parasítica. Sabemos que o facto de estarem a por os ovos em que os embriões estavam neste estado de desenvolvimento mais avançado, como que os predispôs para se tornarem aves parasitas."

 

 

Saber mais:

Proceedings of the Royal Society B Biological Sciences

Aves parasitas são capazes de partilhar

 

 

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