2010-09-24

Subject: Quando o Atlântico norte se arrepiou

 

Quando o Atlântico norte se arrepiou

 

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@ NatureTrês décimas de grau pode parecer um queda pequena mas para os climatólogos a descoberta que uma vasta zona do oceano arrefeceu 0,3°C no espaço de alguns anos por volta de 1970 é uma pequena sensação.

"Quando feita a média em todo o hemisfério 0,3°C é bastante grande", diz David Thompson, cientista atmosférico da Universidade Estatal do Colorado em Fort Collins. Centrado no Atlântico norte, o evento de arrefecimento súbito que Thompson relata pode ajudar a resolver um mistério: a queda proeminente na temperatura média global da superfície por volta da mesma altura. O arrefecimento do oceano, que pode ter resultado de alteração de correntes, também nos recorda do sobredimensionado papel do Atlântico norte no clima.

Os cientistas detectaram a anomalia quando voltaram a analisar os registos da temperatura da superfície do mar. Medições da temperatura a partir de navios pode ser enganadoras: em 2008, a mesma equipa mostrou que uma alegada queda de 0,3°C nas temperaturas médias globais em 1945 na realidade reflectiam uma alteração nas técnicas de medição a partir de navios após a guerra. Por isso, antes de concluir que esta nova anomalia era real, recorda o co-autor Phil Jones, da Unidade de Investigação Climática da Universidade de East Anglia em Norwich, "passámos muito tempo a eliminar possíveis questões relacionadas com os dados".

O que causou o arrefecimento superficial do oceano por volta de 1970 não é claro mas Rowan Sutton, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas em Reading, suspeita que as correntes sejam responsáveis. "O padrão espacial do evento sugere fortemente que tem a ver com uma súbita alteração na corrente de retorno do Atlântico meridional", o fluxo de águas quentes superficiais quentes que vai para norte enquanto as águas mais frias se deslocam para sul a maior profundidade.

"Precisamos de compreender as circunstâncias em que isto acontece", acrescenta Sutton, que estudou formas de prever alterações abruptas de circulação. Uma poça temporária de baixa salinidade no Atlântico norte chamada a Grande Anomalia de Salinidade coincidiu com o arrefecimento, sugerindo que um influxo de água doce foi o factor desencadeador. 

 

"Se novas investigações mostrarem que os dois eventos estão relacionados, isto pode fornecer uma forma de melhor testar as respostas do oceano nos modelos ao acrescento de água doce vinda do Árctico", diz Gavin Schmidt, modelador do clima no Instituto de Estudos Espaciais Goddard da NASA em Nova Iorque. Os cientistas acreditam que o aquecimento global irá aumentar o fluxo de água doce para o Atlântico norte.

O arrefecimento do oceano também coincide com uma queda de 0,2°C na temperatura média global entre o final da década de 60 e meados da década de 70 (ver o gráfico). Os investigadores têm atribuído este arrefecimento de curta duração, mais pronunciado no hemisfério norte, a um aumento do teor de aerossóis com sulfatos derivados da queima de combustíveis fósseis e que bloqueiam a passagem da luz solar, que começaram a desaparecer na década de 70, à medida que os controlos sobre a poluição começaram.

Thompson pensa que a alteração da circulação no Atlântico norte é uma culpada mais provável mas Michael Mann, investigador climático da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park, não tem essa certeza. Ele pensa que os aerossóis devem ter contribuído para o arrefecimento global e que o arrefecimento do oceano foi provavelmente o final acentuado de uma oscilação climática natural que decorreu ao longo de várias décadas. "Não estou convencido que tenham mostrado que o modelo de um evento isolado e breve encaixe melhor nos dados."

Para Jones, o debate científico é uma mudança bem-vinda. Durante o ano passado ele esteve no centro de uma controvérsia após e-mails alegadamente comprometedores terem sido roubados do seu computador. Jones e a sua equipa foram ilibados de qualquer má conduta científica e, diz ele, "é mesmo agradável finalmente voltar a falar de verdadeira ciência".

 

 

Saber mais:

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