2010-09-23

Subject: Parasita da malária humana provém de gorilas

 

Parasita da malária humana provém de gorilas

 

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@ NatureUm estudo alargado dos parasitas da malária em macacos sugere que a espécie responsável pela maioria dos casos da doença em humanos, Plasmodium falciparum, teve origem em gorilas e não, como antes se pensava, em chimpanzés.

Para além disso, concluem os investigadores, o parasita pode ter dado o salto entre espécies apenas uma vez.

Das cinco espécies de parasitas transportados por mosquitos que causam malária no Homem, P. falciparum é de longe a mais comum, causando centenas de milhões de casos e um milhão de mortes por ano. Compreender as origens do parasita irá, esperam os cientistas, ajudar a criar estratégias médicas de combate à doença.

Até agora, os cientistas acreditavam que o parente mais próximo do P. falciparum era o P. reichenowi, o parasita que afecta os chimpanzés Pan troglodytes, mas os estudos tinham-se limitado a alguns macacos, muitos deles de populações em cativeiro. Não era sabido se as populações selvagens estavam a funcionar como reservatórios naturais das espécies de Plasmodium.

Este último estudo, liderado por Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama em Birmingham e publicado na última edição da revista Nature, olhou para populações selvagens de chimpanzés, bonobos e gorilas de toda a África subsaariana para analisar os genes dos parasitas dos primatas não humanos relacionados com o P. falciparum.

A equipa usou amostras fecais de bancos de espécimes construídos para investigar a evolução do HIV, incluindo 1827 de chimpanzés, 803 de gorilas e 107 de bonobos. Sequenciaram o DNA de Plasmodium encontrado nas amostras, procurando em particular o DNA mitocondrial.

Descobriram altos níveis de infecção com malária entre os chimpanzés e os gorilas ocidentais Gorilla gorilla, populações que funcionam como reservatórios naturais das espécies de Plasmodium, mas nenhuma infecção entre os gorilas orientais Gorilla beringei ou entre os bonobos Pan paniscus.

A equipa usou as sequências de DNA mitocondrial para construir árvores filogenéticas que representam o parentesco entre os diversos organismos com base na sua genética.

A sua análise revela que os grandes símios foram infectados com pelo menos nove espécies de Plasmodium, três das quais são novas para a ciência. Com uma excepção, as espécies parasitas eram todas fortemente aparentadas, pertencendo todas ao subgénero Laverania, e eram todas altamente específicas em relação ao hospedeiro.

As amostras de P. falciparum humano incluídas no estudo eram mais aparentadas com parasitas que infectaram gorilas ocidentais nos Camarões, Republica Centro Africana e Republica do Congo, e é provável que tenham tido origem num único episódio de transmissão.

 

Daniel Jeffares, biólogo evolutivo do University College de Londres, descreve as descobertas como "marcantes". "Em termos da nossa compreensão do parasita, este estudo vem alterar todo o jogo."

"É uma questão evolutiva fascinante a de saber de onde provém estes parasitas humanos", diz o biólogo evolutivo Paul Sharp, da Universidade de Edimburgo, que trabalhou no estudo. "Estamos agora a pensar se um salto entre espécies como este poderá voltar a acontecer novamente no futuro."

No entanto, Jeffares diz que a confirmação de um único evento de transmissão exigirá a análise de mais amostras de P. falciparum do que as incluídas no estudo.

Sharp considera que as amostras do grupo são representativas da espécie como um todo pois a diversidade genética é baixa em P. falciparum comparada com a diversidade das espécies de Plasmodium em grandes símios. Mas Jeffares defende que a baixa diversidade em P. falciparum é um mito baseado em referências ultrapassadas: "Artigos mais recentes mostram que há bastante diversidade em diferentes áreas, talvez se procurássemos melhor encontrássemos origens múltiplas."

Se P. falciparum realmente deu o salto para o Homem num único evento de transmissão, isso, e as outras relações reveladas pelo estudo, sugere que a transmissão interespécies é rara, o que pode augurar boas coisas para a erradicação da malária. Se P. falciparum for eliminado com sucesso, diz Jeffares, podem passar centenas de milhar de anos antes de outro parasita ser transmitido pelos grandes símios. No entanto, Sharp especula que isso iria "simplesmente deixar vago um nicho para outro parasita Plasmodium dar o salto para o Homem".

O estudo pode ajudar os cientistas a localizar as alterações genéticas que permitiram ao parasita infectar o Homem. Jeffares considera que seria relativamente simples e barato amostrar genomas inteiros de P. falciparum e dos seus parentes mais próximos: "Podíamos procurar por todo o genoma e encontrar onde tinha ocorrido evolução rápida." 

 

 

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