2010-09-22

Subject: Efeito do stress nos ecossistemas

 

Efeito do stress nos ecossistemas

 

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@ NatureEstás tenso e amedrontado, alerta para o menor restolhar ou partir de um galho. Um predador está perto, podes senti-lo. O teu coração acelera, começas a transpirar e silenciosamente ... agarras um donut. 

O stress acelera o metabolismo da maioria dos animais, levando-os a procurar glícidos facilmente digeríveis para uma injecção rápida de energia. Este e outros resultados, publicados em três revistas do mês passado, podem ter graves implicações e não apenas da perspectiva das presas, para todo o ecossistema em que vivem.

Em condições mais relaxadas, muitos animais optam por alimentos ricos em proteínas que os ajudam a crescer e reproduzir, mas com um predador à espreita eles precisam de combustível para alimentar os seus corpos acelerados e para dar à sola se for preciso. Dror Hawlena, ecologista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, tem estado a identificar as ramificações ecológicas deste stress da predação em prados.

Em gaiolas colocadas sobre vegetação natural, Hawlena colocou gafanhotos e, em alguns casos, aranhas com as suas peças bocais coladas (para que induzissem medo sem matar os gafanhotos). Os gafanhotos expostos às aranhas deixaram a dieta de ervas rica em proteínas para uma contendo várias espécies de plantas ricas em açúcares, como a arnica do mato. 

Inicialmente, esta alteração de dieta pensava-se que estivesse relacionada com a facilidade que os gafanhotos teriam em esconder-se das aranhas nas ramificações e flores da arnica do mato. Para isolar os possíveis efeitos da procura de refúgio, Hawlena também estudou gafanhotos e aranhas amordaçadas em terrários. Em vez de plantas, os gafanhotos recebiam uma dieta artificial de 'biscoitos' ricos em açúcares ou em proteínas, e observou a mesma alteração: os gafanhotos temerosos procuravam os biscoitos ricos em açúcar em vez dos ricos em proteínas.

Toda esse comida açucarada significa que os insectos stressados estão a ingerir alimentos mais ricos em carbono e mais pobres em azoto do que os seus primos mais calmos. Entretanto, os seus corpos estão a degradar proteínas para fabricar ainda mais glicose. O resultado é um corpo com significativamente mais carbono e menos azoto, e, por isso mesmo, que é um fertilizante muito mais pobre quando se decompõe.

Hawlena pensa que o ecossistema deverá sofrer dois tipos de alteração devido aos gafanhotos assustados. Primeiro, eles comem mais arnica e menos ervas, alterando a razão entre estas espécies na paisagem e, segundo, o solo recebe menos azoto, potencialmente influenciando o que nele pode crescer.

 

Em experiências em curso, Hawlena está a obter resultados intrigantes ao analisar os diferentes tipos de bactérias do solo que vivem em cadáveres de gafanhotos stressados ou calmos. Ele espera observar uma história semelhante nos corpos da maioria dos outros animais: os stressados devem alterar a sua dieta e os relaxados e felizes devem fornecer melhor fertilizante.

Hawlena considera que este fenómeno pode ajudar os ecologistas a compreender alterações nos ecossistemas antes inexplicáveis e pode deslocar a ecologia para mais perto de se tornar uma ciência preditiva.

Mas a relação, se existe, pode não ser assim tão directa. Tal como os gafanhotos de Hawlena, os alces do Parque Nacional Yellowstone no Wyoming deviam estar a alimentar-se de forma diferente devido à ameaça de predação. 

Alguns investigadores propuseram que o regresso dos lobos ao parque levaria os alces a evitar certas zonas arriscadas com predadores, o que, por sua vez, permitiria às árvores, devoradas pelos alces, voltar a crescer nessas zonas. Segundo essa teoria, mesmo em pequeno número, os lobos teriam um enorme impacto na paisagem.

Mas afinal não, segundo um estudo recente realizado por Matthew Kauffman, do US Geological Survey em Laramie, Wyoming. Os anéis das árvores e zonas cercadas experimentais revelaram que o crescimento das árvores não estava de acordo com a presença ou ausência de lobos. Os alces alteram realmente o seu comportamento em resposta aos lobos e realmente evitam as zonas de risco, apenas não com a frequência suficiente para alterar a fotografia para as árvores. 

Isto pode acontecer porque alces que estão esfaimados, como muitas vezes acontece no Inverno, estão dispostos a correr riscos para se alimentar. "Basta que um macho dominante em más condições se aventure em habitat de risco e lá se alimente durante uns dias", diz Kauffman.

Resta ver se os efeitos fisiológicos do stress em gafanhotos se alargam às plantas, solo, bactérias do solo e por aí adiante, ou se o efeito é demasiado pequeno e é abafado por todos os outros factores convolutos nos ecossistemas.

"É muito intrigante que [Hawlena e os seus colegas] possam detectar estes efeitos. O que irá determinar a importância ecológica é com que intensidade estes efeitos se traduzem de um nível de organização biológica para outro", diz Kauffman.

 

 

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