2010-09-16

Subject: Cientistas investigam vaga de morsas em terra no Alasca

 

Cientistas investigam vaga de morsas em terra no Alasca

 

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Walrus high on the barrier Island beaches near Pt Lay, Alaska, 2010

Os cientistas no Árctico observaram uma invulgar migração em massa de milhares de morsas dos campos de gelo para terra firme ao longo da costa do Alasca.

Investigadores do Geological Survey (USGS) americano, que têm vindo a seguir os movimentos das morsas através de coleiras-rádio de satélite, dizem que entre 10 e 20 mil animais (principalmente mães e crias) estão a congregar-se em colónias compactas do lado do Alasca do Mar de Chukchi, no primeiro destes êxodos de que há registo.

"É algo que nunca vimos antes nesta área", diz Geoff York, do programa árctico do WWF. "À medida que o gelo diminui, as morsas estão a abandoná-lo cada vez mais cedo. Têm que nadar para terra ou permanecer em gelo à deriva menos adequado durante longos períodos de tempo."

A fuga das morsas, relatada pela primeira vez pelo jornal local Alaska Dispatch, vem reforçar os alertas dos cientistas de que estes mamíferos marinhos podem estar a caminho da extinção devido às alterações climáticas.

O gelo marinho no Árctico desceu para o terceiro nível mais baixo de que há registo este mês. O estudo do USGS salientou que toda a plataforma do mar de Chukchi pode ficar livre de gelo durante Agosto, Setembro e Outubro até ao final do século.

O USGS, que tem vindo a seguir as morsas desde Junho, coloca as probabilidades de extinção ou sério declínio populacional das morsas em 40% até 2095 devido à rápida e generalizada perda de gelo marinho no Verão com a subida das temperaturas.

As morsas não são os únicos animais a enfrentar um declínio do seu efectivo ou mesmo a extinção devido às alterações climáticas. O Árctico está a aquecer ao dobro da velocidade média do resto do planeta e os seus oceanos estão cada vez mais acidificados devido à subida da concentração de dióxido de carbono. Um novo relatório alertou para o facto de 17 espécies, desde minúsculo plâncton a narvais, estarem ameaçadas pelo desaparecimento do gelo marinho e subida do nível do mar.

Para além dos ursos polares, cujas dificuldades são amplamente conhecidas, e das morsas, o relatório do Center for Biological Diversity revelou que várias espécies de cetáceos e focas, bem como animais terrestres como caribus e raposas já enfrentam declínios importantes.

 

Entretanto, os residentes de Point Lay referiram ao Dispatch que o número de morsas que estão a chegar a terra pode ser muito superior que as estimativas do governo. A dimensão invulgar das colónias leva os locais a temer a repetição do que aconteceu no Verão passado, em que 130 crias foram espezinhadas até à morte pelo movimento dos adultos.

"As mães e as crias precisam do gelo marinho para descansar", diz Shaye Wold, do Centre for Biological Diversity. "Quando o gelo marinho desaparece são forçadas a vir para terra e as crias são extremamente vulneráveis a serem espezinhadas quando o grupo se assusta ou se tem 10 ou 20 mil morsas em busca de alimento num espaço muito limitado."

Devido à sua dimensão, as morsas dependem de grandes bancos de gelo flutuante para descansar ou como plataformas móveis de pesca durante a sua migração anual entre as águas rasas mas gélidas entre o Alasca e a Rússia.

Em 2007, e novamente no ano passado, "milhares de morsas empilharam-se ao longo da costa noroeste do Alasca e outras dezenas de milhar ao longo da costa norte de Chukotka quando o gelo desapareceu", refere o relatório do USGS. "Estes eventos levaram ao espezinhamento e morte de centenas de morsas no Alasca e de milhares na Rússia."

A subida da concentração de dióxido de carbono no oceano também tem reduzido o fornecimento de alimento às morsas, tornando as águas demasiado ácidas para os bivalves que são a base da sua alimentação. Para além disso, o estudo do USGS também salienta que o desaparecimento do gelo de Verão, devido às alterações climáticas, deverá aumentar o tráfego marinho através dos mares de Chukchi e Bering, colocando as morsas em maior risco.

Rebecca Noblin, directora do Centre for Biological Diversity, considera que as previsões não previram os riscos de derrames de petróleo no ambiente árctico, devido ao aumento do fluxo de navios, ou os potenciais danos se a zona for aberta à perfuração ao largo de petróleo e gás. "A não ser que reduzamos drasticamente as nossas emissões de gazes de efeito de estufa, a morsa está a caminho da extinção."

O centro lançou um processo há dois anos para colocar a morsa do Pacífico na lista das espécies ameaçadas. O governo federal deve decidir sobre a questão até Janeiro de 2011, o que colocaria, se aprovado o estatuto de ameaçada, restrições às perfurações ao largo de petróleo e gás e às rotas marítimas através do Árctico. 

 

 

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