2010-09-14

Subject: Modelo do tapete rolante oceânico agitado

 

Modelo do tapete rolante oceânico agitado

 

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@ NatureA imagem aceite da forma como um gigantesco tapete rolante oceânico revolve foi agora complicada por descobertas publicadas na última edição da revista Nature Geoscience. Os resultados podem via a ajudar a aumentar a precisão dos modelos de alterações climáticas.

À medida que a água tropical do equador flui para norte no oceano Atlântico, vai-se tornando mais fria e mais densa. A evaporação ao longo do seu percurso torna-a mais salgada, aumentando ainda mais a sua densidade. No gélido Árctico, esta água afunda para as profundezas e volta a deslocar-se para sul, acabando por voltar à superfície quando volta a aquecer.

Mas esta imagem simplificada da que é conhecida por circulação de retorno meridional (MOC) foi colocada em questão por um artigo que sugere que, nos últimos 50 anos, a circulação oceânica perto do equador enfraqueceu, enquanto as águas mais a norte circularam com mais força.

"Quanto mais olhávamos para a questão, mais complicado o oceano parecia", diz Susan Lozier, oceanógrafa da Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, e principal autora do estudo.

Quando o modelo do tapete rolante foi conceptualizado na década de 80 do século passado, os investigadores compreendiam apenas as linhas gerais das correntes marinhas globais, diz ela. Como é muito difícil realizar medições nas profundezas oceânicas, os modelos da MOC não conseguiam reflectir o intricado de todos os factores envolvidos.

Para aumentar a precisão, Lozier e a sua equipa recolheram medições de temperatura da água e sua salinidade realizadas por mais de 500 mil navios de pesquisa entre 1950 e 2000. A densidade da água aumenta com maior salinidade e menor temperatura, logo a equipa foi capaz de usar os dados para seguir as taxas de retorno. Descobriram que, em vez de essa taxa ser igual em todo o lado todo o tempo (como se esperava), as taxas nas regiões subtropical e subpolar eram diferentes e mostravam alterações nítidas ao longo do período de 50 anos.

Outras medidas realizadas em anos recentes salientam a falta de conhecimento detalhado sobre a circulação de retorno dos oceanos. Começando em 2004, investigadores liderados por Stuart Cunningham, oceanógrafo do Centro Nacional de Oceanografia da Universidade de Southampton, colocaram uma série de instrumentos a várias profundidades ao longo da linha 26.5° N de latitude para medir as variações de retorno do Atlântico.

 

Ao longo de um ano, descobriram tanta variabilidade como a que esperariam encontrar num intervalo de 50 anos e o retorno nesta estreita banda dos 26.5° N não forneceria necessariamente informação sobre o fluxo de água no Atlântico sul ou em latitudes mais elevadas, diz Lozier.

A ideia de os oceanos se deslocarem como um suave tapete rolante está a ser alterada pela acessibilidade dos dados de satélite, diz o oceanógrafo Joël Hirschi, também do Centro Nacional de Oceanografia e co-autor do estudo anterior. O esboço essencial mantém-se, diz ele, "mas em cima da imagem do tapete rolante há muita variabilidade".

Hirschi compara a variação no fluxo de água aos padrões diários do tempo na atmosfera da Terra. Modelar a MOC é como conhecer o estado médio da atmosfera, diz ele. Pode fornecer uma descrição genérica do clima mas as diferenças locais detalhadas continuarão a ser difíceis de prever.

Maiores detalhes irão ajudar a produzir melhores modelos de alterações climáticas, diz ele. Dado que o calor libertado da água que se desloca para o pólo é parte do que mantém a Europa amena, preencher os espaços nos dados poderá fornecer uma imagem mais completa do que poderá acontecer em localizações particulares.

Lozier concorda, acrescentando que à medida que as águas superficiais retornam, transportam os gases superficiais com elas para as profundezas, afastando-os da atmosfera. Compreender o fluxo da circulação oceânica pode ajudar a revelar sumidouros de dióxido de carbono, diz ela: "Antes de conseguirmos fazer um inventário rigoroso do CO2, temos que saber onde medir." 

 

 

Saber mais:

Rapid Climate Change

National Oceanography Centre, Southampton

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Correntes oceânicas no Atlântico norte mostram sinais de enfraquecimento

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