2010-09-13

Subject: Brilho nos olhos do gado pode ser sinal de BSE

 

Brilho nos olhos do gado pode ser sinal de BSE

 

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@ BBC

Os olhos do gado podem revelar sinais de perturbações neurológicas, como a chamada doença das vacas loucas, dizem os cientistas. A detecção precoce dos sintomas pode ajudar a impedir que carne infectada chegue ao mercado de alimentação humana.

Os investigadores, liderados por uma equipa da Universidade Estatal do Iowa, examinaram a retina de ovelhas infectadas com uma doença semelhante à BSE (doença das vacas loucas) e, escrevem na revista Analytical Chemistry, notaram que existia um "brilho característico".

As pessoas podem contrair uma devastadora doença cerebral semelhante à encefalopatia espongiforme bovina (BSE) se comerem carne contaminada. Tal como a BSE, a doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD) em humanos é um tipo de encefalopatia espongiforme transmissível (TSE), uma perturbação neurodegenerativa causada por proteínas prião com forma anormal. Estes priões mutados destroem o tecido cerebral, causando degeneração fatal do cérebro e dos nervos e, eventualmente, a morte.

Jacob Petrich, do Departamento de Química da Universidade Estatal do Iowa, liderou o estudo e refere que ainda que este tenha sido feito com ovelhas, há esperança que procedimentos futuros semelhantes possam ser utilizados na detecção de sintomas de doenças neurológicas, como o Alzheimer, em humanos.

Juntamente com os seus colegas, Petrich examinou o tecido cerebral de 73 ovelhas mortas e utilizou os métodos tradicionais de detecção de presença de priões infecciosos. Uma vez confirmados os casos de doença, analisaram 140 globos oculares fazendo incidir um feixe de luz sobre a retina. 

Descobriram que as retinas de ovelhas infectadas emitiam um "brilho" característico. "As retinas que pertenciam a animais doentes apresentavam grande fluorescência, reflectiam grande quantidade de luz e de uma forma muito estruturada", diz Petrich.

Ele explica que ao contrário da forma habitual de dissecar o cérebro para analisar o tecido e detectar priões, esta nova técnica é uma forma indirecta de procurar as doenças neurológicas.

As TSE geralmente manifestam-se no tecido do sistema nervoso central e, dado que o nervo óptico está a ele ligado directamente, o olho torna-se o único ponto de entrada não invasivo para um experimentalista, diz Petrich. "De outra maneira, ter-se-ia que atingir o cérebro ou a medula espinal e tudo isso é difícil e doloroso."

 

Segundo ele, uma doença causada por priões provoca um dano no tecido do sistema nervoso central e esse dano manifesta-se na produção de pigmentos coloridos. "Por isso, não estamos a detectar o próprio prião, estamos a ver os danos neurológicos que achamos que os priões estão a causar, o que resulta em pigmentos na retina que, quando iluminados, emitem luz de um certo comprimento de onda."

O próximo passo, diz ele, será realizar experiências de campo para verificar se é possível detectar a doença simplesmente iluminando o olho de animais vivos mas o problema será imobilizar o animal, pelo menos durante um curto período de tempo. 

Se a realização do teste em gado vivo se revelar demasiado complicada, acrescenta ele, "teremos que o realizar imediatamente post-mortem". Desta forma será possível detectar a infecção e impedir que a carne entre no fornecimento de alimentos".

Mas que certeza podemos ter de que apenas por incidir luz na retina saberemos que o animal está doente? Na opinião de Petrich, há uma boa correlação entre ovelhas confirmadas com os testes standard e as assinaturas espectrais. 

"Analisámos muitos olhos e penso que a assinatura espectral é um marcador muito bom de doença neurológica. Se se fizer uma análise post-mortem, então, pelo menos, estas medições darão uma indicação de que o animal deverá ser testado através de dissecação do cérebro por um veterinário."

Segundo ele, em teoria, seria possível aplicar procedimentos semelhantes a humanos mas seria mais difícil. "Quando os humanos se tornam susceptíveis a doenças neurológicas já estão perto dos 50 anos e, quanto mais velhos nos tornamos, mais pigmentos se acumulam no tecido neurológico."

"Já um animal não deverá ter mais de dois anos quando segue para abate e a única coisa que pode causar o surgimento desses pigmentos no seu sistema nervoso central será algum tipo de TSE. Por isso, aplicar esta técnica ao Homem será algo muito pouco provável." 

 

 

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