2010-09-12

Subject: Tartarugas de água doce enfrentam futuro sombrio

 

Tartarugas de água doce enfrentam futuro sombrio

 

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@ Thomas Rainwater/BBCAs tartarugas de água doce estão a enfrentar um declínio catastrófico, de acordo com uma nova análise realizada pela Conservation International (CI).

O grupo conservacionista refere que mais de um terço das estimadas 280 espécies destes animais em todo o mundo estão agora ameaçadas de extinção.

A recolha não sustentada de tartarugas para uso na alimentação humana e para o lucrativo negócio dos animais de estimação são os motores principais da queda do efectivo destes répteis. A perda de habitat em resultado da construção de barragens hidroeléctricas é outra preocupação.

Peter Paul van Dijk, director do Programa de Conservação das Tartarugas de Água Doce da Conservation International, considera as perspectivas muito sombrias. "Estes animais demoram entre 15 e 20 anos a tingir a maturidade e depois vivem outros 30 a 40 anos, depositando um punhado de ovos no solo todos os anos. Jogam com as probabilidades, na esperança que nesse período de vida de 50 anos, algumas das suas crias de alguma forma sobrevivam aos predadores e procriem também. Mas se os removermos antes de atingirem os 15 anos e se reproduzam, tudo acaba aí."

Ao contrário das suas primas marinhas, as tartarugas de água doce estão adaptadas a viver bem para o interior dos sistemas fluviais, atingindo mesmo os pequenos córregos de montanha. Povoam lagos, rios, estuários e há mesmo algumas espécies que toleram as águas salobras dos sapais e mangais.

Mas 11 famílias das que compõem este grupo de répteis com carapaça viram o seu efectivo cair impiedosamente ao longo das últimas duas décadas.

As tartarugas são muito valorizadas por toda a Ásia, particularmente na China, onde o seu consumo é considerado benéfico para a saúde. O mercado é de tal maneira vasto que já está a ser fornecido por quintas de criação.

Para além de toda esta sobreexploração, alguns dos seus habitats fluviais estão cada vez mais degradados. 

"As tartarugas precisam de padrões naturais de água corrente nos rios ou os seus ninhos nas margens arenosas ficam inundados na época errada do ano", explica van Dijk. "Precisam de águas límpidas para ver o que comem e de plantas subaquáticas, que apenas crescem se a água não estiver turva. Por isso, em certo grau, podem ser um bom indicador da saúde dos sistemas fluviais."

 

A espécie em maiores dificuldades deve ser a tartaruga gigante de carapaça mole do Rio Vermelho Rafetus swinhoei. Restam apenas quatro indivíduos no mundo e os esforços para ajudar dois espécies há muito em cativeiro a reproduzir-se, na China, não tiveram sucesso.

Duas espécies batagur, a tartaruga do rio de coroa vermelha e a tartaruga do rio de Myanmar, foram particularmente atingidas pelos caçadores. A de coroa vermelha foi, em tempos, abundante em todos os grandes rios do norte da Índia, Bangladesh e Nepal, mas está agora reduzida a uma única população viável no rio Chambal, Índia central.

A espécie de Myanmar já foi mesmo considerada extinta durante a maior parte do século passado. Antes abundante na bacia do rio Irrawaddy em Myanmar, as suas populações ficaram reduzidas a uma dúzia de adultos a montante do rio Chindwin.

@ CI/Peter Paul van Dijk/BBCA recolha de ovos, a caça e a perda de habitat em resultado de barragens e mineração de ouro são os principais culpados desta situação. Uma população em cativeiro de tartarugas de Myanmar está a ser construída para um programa de reintrodução na natureza.

"Todas as toneladas de tartarugas que as pessoas querem consumir podem ser satisfeitas através de quintas de criação", diz van Dijk. "Se conseguirmos eliminar a recolha de forma insustentável na natureza, teremos 80% da batalha ganha. Para além disso, é uma questão de gestão dos habitats de forma a obter o mínimo de impactos sobre as tartarugas e outras formas de vida selvagem nesses habitats." 

 

 

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