2010-09-11

Subject: Porque certas memórias permanecem

 

Porque certas memórias permanecem

 

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@ NatureA prática faz a perfeição quando se trata de recordar coisas mas exactamente como isso funciona tem sido um mistério.

Um estudo publicado na revista Science esta semana indica que a reactivação de padrões neurais vez após vez pode marcar as questões na memória.

As pessoas acham mais fácil recordar as coisas se o material for apresentado repetidamente a intervalos bem separados do que se for tudo de uma vez. Por exemplo, é mais provável que nos recordemos de um rosto que vimos em múltiplas ocasiões ao longo de alguns dias do que de um que vimos uma vez durante um período de tempo longo.

Uma das razões para isso é que um rosto associado a muitos contextos diferentes, como a escola, o trabalho e o lar, é mais fácil de reconhecer do que um que esteja associado a apenas uma localização, como uma festa, por haver múltiplas formas de aceder a essa memória. Esta ideia, apelidada hipótese da codificação da variabilidade, foi proposta pelos psicólogos há cerca de 40 anos.

Cada contexto diferente activa um conjunto distinto de regiões cerebrais e a hipótese sugere que são estas respostas neurais diferentes que melhoram a memória. Mas a investigação com neuroimagens liderada por Russell Poldrack, neurocientista cognitivo da Universidade do Texas, Austin, vem agora sugerir que o oposto é verdadeiro: as coisas são melhor recordadas quando activam os mesmos padrões neurais com cada exposição.

A equipa de Poldrack mediu a actividade cerebral em 24 pessoas usando imagens de ressonância magnética funcional (fMRI). Os indivíduos viram 120 rostos estranhos, cada um repetido quatro vezes a intervalos variáveis durante a fMRI. Uma hora depois, foram-lhes mostrados os mesmos rostos, misturados com 120 novos e foi-lhes perguntado o grau de familiaridade de cada um.

Seguidamente, os investigadores analisaram as respostas cerebrais registadas quando os indivíduos viram os rostos pela primeira vez, focando-se em 20 regiões cerebrais associadas à percepção visual e memória. Rostos que foram reconhecidos posteriormente evocaram padrões de activação semelhantes em nove das regiões, particularmente as associadas com a percepção dos objectos e rostos. Rostos que foram posteriormente esquecidos não evocavam esse padrão no mesmo grau.

 

Numa experiência diferente, os indivíduos colocados na fMRI viam 180 palavras, cada uma repetida três vezes. Seis horas depois, realizaram dois testes de memória. As palavras recordadas evocaram padrões semelhantes em cada repetição em 15 das 20 regiões cerebrais examinadas pelos investigadores.

Mas Marvin Chun, neurocientista cognitivo na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, diz que os resultados não invalidam a hipótese da codificação da variabilidade pois Poldrack e a sua equipa estavam num tipo de situação diferente. Para testar directamente a hipótese, os autores deviam ter apresentado os itens em contextos diferentes, diz ele.

Mais ainda, palavras ou rostos chamativos podem evocar padrões de activação mais reproduzíveis quando apresentados múltiplas vezes do que itens menos atractivos, diz Rik Henson, neurocientista cognitivo da Unidade de Ciência Cerebral e Cognição MRC em Cambridge, Reino Unido. Este efeito pode explicar os resultados sem refutar a hipótese da codificação da variabilidade, acrescenta ele.

"Não podemos eliminar isso", diz Poldrack. Para lidar com essa preocupação, ele teria que analisar melhor as respostas cerebrais dos indivíduos estudados a cada item. "Pode ser que haja uma versão da hipótese da codificação da variabilidade que seja compatível com estes dados."

"Se obrigarmos os teóricos a pensar um pouco mais e a incorporar os dados das neurociências nestas teorias, então será algo bom, independentemente de virmos a descobrir se a teoria da codificação da variabilidade se revelar verdadeira ou não." 

 

 

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