2010-09-02

Subject: Ecologistas temem crise do krill antárctico

 

Ecologistas temem crise do krill antárctico

 

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@ NatureO humilde krill antárctico Euphausia superba suporta um fardo pesado: pode ser um minúsculo crustáceo semelhante ao camarão mas a sua abundância torna-o uma das maiores fontes de proteínas da Terra, avidamente procurada por peixes, pinguins, baleias e homens.

Os ecologistas vieram agora alertar para o facto de o rápido crescimento da pesca de krill estar a somar-se à pressão das alterações ambientais que ameaçam estes animais, pelo que apelam a uma melhor fiscalização e gestão cautelosa destas capturas.

A indústria global da aquacultura está cada vez mais dependente de rações para peixe fabricadas com base no krill e enzimas e outros compostos químicos deles derivados fazem parte e vários produtos alimentares e dietéticos.

No ano passado, por exemplo, a Aker Biomarine, uma companhia de Oslo especializada na captura e processamento do krill antárctico, aumentou a capacidade do seu navio-fábrica Saga Sea para aumentar as capturas. Na primeira metade de 2010 produziu 8600 toneladas de rações de krill para o mercado da aquacultura, quando durante toda a época de 2009 o valor foi de 6200 toneladas. As capturas totais de krill esta época espera-se que seja entre as 150 e as 180000 toneladas, excedendo o total do ano passado em 40%.

Em Maio, a pesca de krill da Aker Biomarine foi certificada pelo Marine Stewardship Council (MSC), uma organização londrina que tem como objectivo promover práticas de pesca sustentáveis ao permitir que capturas tenham o seu certificado. O Pew Environment Group, um grupo de defesa do ambiente de Washington DC, colocou objecções a esta situação, argumentando que capturas para o fabrico de ração para peixe não deveriam ter a possibilidade de se candidatar à certificação MSC. O debate atingirá o máximo numa reunião em Outubro da Convenção para a Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos do Antárctico (CCAMLR), um organismo internacional responsável pela gestão das pescas no oceano Antárctico.

Uma questão para o debate será o limite anual de capturas da CCAMLR de 3,47 milhões de toneladas na secção de fronteira entre o Atlântico e o Antárctico, o principal local de pesca do krill antárctico. "A actual gestão do krill não tem em conta as subtilezas do ecossistema", diz Volker Siegel, biólogo marinho no Instituto para a Pesca Marinha de Hamburgo, Alemanha, e membro da delegação da União Europeia à CCAMLR. Siegel diz que em vez de colocar um limite em todos os oceanos, a pesca do krill devia ser regulamentada a escala menor, pois a maior parte das capturas está limitada a uns poucos locais.

 

Outra preocupação é o número de navios de pesca colocados no oceano Antárctico. A Noruega opera três navios, por exemplo, e espera-se que a China aumente rapidamente a pesca do krill após ter enviado o seu primeiro navio este ano. "Se a China começa a pescar em grande, as capturas vão disparar e ultrapassar completamente a nossa capacidade de as gerir de forma ordeira", diz Steve Nicol, ecologista marinho na Divisão Antárctica Australiana em Kingston, Tasmânia, que aconselha o governo australiano sobre a pesca do krill.

Os investigadores suspeitam que o krill antárctico também está a sentir o efeito das alterações climáticas. As larvas de krill alimentam-se de algas que vivem na base do gelo marinho, que está rapidamente a desaparecer em volta da península Antárctica. Segundo uma estimativa, o efectivo de krill na zona pode ter caído 80% desde a década de 70 mas "não há respostas definitivas sobre a forma como está a reagir ao aquecimento", diz Nicol. Também não é claro se os stocks de krill são transitórias ou fixas numa dada área, nem que quantidade vive abaixo dos 200 metros, abaixo da zona mais fortemente explorada pelos pescadores e cientistas.

Observadores científicos obrigatórios a bordo de todos os navios de captura de krill, tal como já é comum para todas as restantes capturas antárcticas, poderiam ajudar a responder a estas questões, diz Nicol. 

Os cientistas são bem-vindos a bordo do Saga Sea, mas os japoneses e os norte-coreanos já são menos hospitaleiros. Enquanto existir tanta incerteza sobre as populações de krill, "não devemos permitir que as pescas se expandam demasiado rápido", diz Nicol. "Não queremos encontrar-nos numa situação em que tenhamos que dizer às pessoas para retirarem os seus navios porque lhes permitimos que capturassem demasiado, como tem acontecido com outras pescas." 

 

 

Saber mais:

Aker Biomarine

Comissão para a Conservação dos Recursos Marinho Vivos do Antárctico

ASOC

Moody Marine

 

 

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