2010-09-01

Subject: O mistério da pluma de petróleo desaparecida

 

O mistério da pluma de petróleo desaparecida

 

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@ NatureOra se vê, ora não se vê.

Segundo as notícias na semana passada, a pluma de petróleo nas profundezas do golfo do México já não existe mas apenas alguns dias antes não só existia, como era uma ameaça a longo prazo.

As intrigantes histórias sobre a pluma da Deepwater Horizon provêem de dois estudos publicados pela revista Science no mês passado, que causaram grande debate entre os cientistas, bem como apelos a uma melhor combinação entre os que estudam o derrame.

Se a pluma está realmente a permanecer, animais como larvas de camarão ou atuns podem estar expostos a químicos tóxicos durante meses ou anos. Por isso seria útil saber se realmente ainda lá está.

Pistas sobre quanto tempo o petróleo poderá persistir chegaram com um estudo publicado a 19 de Agosto e que forneceu o primeiro mapa detalhado da pluma. Apesar "de se ouvir rumores do que foi encontrado e se ler coisas nos jornais", diz Ben Van Mooy, oceanógrafo na Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI) no Massachusetts e co-autor do estudo, tem havido muito pouca literatura científica que apoie os relatórios até agora.

Van Mooy e os seus colegas mediram os níveis de oxigénio e a concentração de hidrocarbonetos no golfo em final de Junho. Descobriram uma neblina contínua de petróleo flutuando por mais de 35 km a uma profundidade de cerca de 1100 metros e que os níveis de oxigénio na água não estavam a cair substancialmente. A equipa interpretou isso como significando que os microrganismos não estavam a consumir muito oxigénio e, por isso, não estavam a degradar de forma significativa o petróleo. Com base nas suas descobertas, os investigadores concluíram que a pluma tinha "persistido durante meses sem degradação substancial", levando-os a sugerir que o petróleo abaixo da superfície poderia permanecer muitos meses.

Um segundo estudo sobre a pluma, liderado por Terry Hazen, ecologista microbiano do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley em Berkeley, Califórnia, foi publicado a 24 de Agosto. Apesar da equipa de Hazen ter medido níveis estáveis de oxigénio, o grupo também encontrou microrganismos capazes de se alimentar do petróleo, da ordem Oceano­spirillales, e observou intensa actividade microbiana. Pareceu-lhes que os microrganismos estavam a trabalhar rapidamente na pluma, pelo menos desde final de Maio e início de Junho, quando as medições foram realizadas.

John Kessler, oceanógrafo químico da Texas A&M em College Station, salienta que ambos os estudos são imagens paradas das condições com base em dados com meses de idade. "Não devemos extrapolar toda a pluma com base em alguns hidrocarbonetos medidos."

As notícias ficaram ainda mais confusas quando mensagens sobre os dois artigos da Science foram confrontados com detalhes que iam surgido sobre o estado actual da pluma. Hazen realça, por exemplo, que o cruzeiro de investigação que agora está a coordenar não tem tido sucesso na detecção da pluma desde há várias semanas. Ele acredita que o petróleo se terá "dissipado ou degradado todo". "Seria óptimo encontrarmos algum para descobrir mais sobre ele mas não está lá."

 

"Acho isso muito difícil de acreditar", contrapõe David Valentine, geomicrobiólogo na Universidade da Califórnia, Santa Barbara. Durante um cruzeiro de Junho, Valentine descobriu que os níveis de oxigénio na pluma eram variáveis, indicando que haveria um equilíbrio subtil entre a respiração microbiana e a mistura oceânica. Assim, os níveis de oxigénio por si só não eram suficientes para calcular taxas de degradação de petróleo, diz ele, e não só porque alguns hidrocarbonetos se degradam mais rapidamente que outros.

Outros investigadores que estão a trabalhar no golfo insistem que a pluma ainda está à espreita a 1100 metros de profundidade e derivou mais 130 km para além de onde foi detectada pela primeira vez. "A pluma não desapareceu, deslocou-se", diz Samantha Joye, biogeoquímica na Universidade da Georgia em Athens. Joye está no mar numa operação com dois navios numa zona diferente do golfo da dos navios de Hazen e está a usar instrumentos diferentes que "estão claramente a captar a pluma", diz ela.

Trabalhar com estas complexidades vai requerer amostragem extensa nos próximos meses, diz James Hollibaugh, ecologista microbiano na Universidade da Georgia. "Não é algo que possamos perceber nas próximas duas semanas." A equipa de Hazen, por exemplo, está a colocar 'armadilhas' a diferentes profundidades para ver que tipo de microrganismos encontra e se se estão a alimentar de petróleo. O grupo também está a perfurar núcleos em redor do poço e perto do percurso da pluma para determinar se o petróleo está a ficar aprisionado no sedimento.

Van Mooy diz que a situação salienta a necessidade de linhas abertas de comunicação entre todos os que estudam o derrame. Na luta frenética para recolher dados, tem havido muito pouca coordenação entre o governo e os académicos para avaliar exactamente quais as medidas necessárias, acrescenta Joye. 

Esta semana, o Comando Unificado, responsável pela coordenação dos esforços de resposta ao derrame da Deepwater Horizon, vai realizar uma série de reuniões com académicos para desenvolver um plano de amostragem para avaliar que petróleo permanece no golfo. "É um salto enorme acima de tudo o que vimos até agora e um sinal de que haverá mais concertação", diz Valentine.

"Se vamos descobrir alguma coisa sobre esta pluma nesta emergência", acrescenta Van Mooy, "precisamos de começar a conversar uns com os outros de alguma forma."

 

 

Saber mais:

Comando Unificado para a Deepwater Horizon

Revelada extensão da pluma de petróleo do golfo

Questionado relatório optimista sobre petróleo no golfo

Cientistas da administração Obama admitem preocupação com uso de dispersantes

 

 

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