2010-08-31

Subject: "Hipótese da avozinha" debaixo de fogo

 

"Hipótese da avozinha" debaixo de fogo

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureA avó pode não ser tão importante como pensávamos, pelo menos quando se fala de evolução.

Um modelo publicado esta semana questiona uma teoria popular apelidada 'hipótese da avó', que refere que as fêmeas humanas, ao contrário das dos outros grandes símios, sobrevivem bem para além do seu óptimo reprodutor devido aos benefícios que as mulheres pós-menopausa trazem aos seus netos.

O biólogo evolutivo William Hamilton propôs inicialmente a ideia num artigo de 1966 que trabalhava sobre a teoria de George Williams e Peter Medawar. Mas a hipótese da avó realmente ganhou apoiantes durante as décadas de 80 e 90 com base em dados de campo recolhidos por Kristen Hawkes, antropóloga da Universidade do Utah em Salt Lake City.

A investigadora encontrou entre os caçadores-recolectores da Tanzânia, os Hadza, mães enfrentavam um equilíbrio entre a recolha de alimentos para si e para as crianças desmamadas e o cuidar dos recém-nascidos. Mas se as avós ajudassem na recolha de alimentos eram recompensadas com netos mais saudáveis e pesados, que eram desmamados mais cedo. Ao longo do tempo evolutivo, este aumento de aptidão podia ter seleccionado mulheres que sobrevivessem bem para além da menopausa, uma anomalia entre os parentes evolutivos do Homem.

"Os chimpanzés quase nunca vivem até aos quarenta na natureza mas a maioria dos humanos, se tiverem a sorte de atingir a idade adulta, vivem bem para além dos anos procriadores", diz Hawkes.

Mais apoios à hipótese da avó surgiram de estudos de outras culturas de subsistência, bem como de registos históricos, apesar de nem todos a terem apoiado. "Foi muito influente e muito importante, desencadeando muitas investigações", diz Friederike Kachel, bióloga evolutiva no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha.

Apesar dos apoios anedóticos e apelo intuitivo, a hipótese da avó não tem muitas provas quantitativas que mostrem ser possível a longevidade ter evoluído das avós, diz Kachel, cuja equipa correu uma simulação matemática para testar a plausibilidade da teoria.

O seu modelo baseado no agente, que simula as acções e interacções de indivíduos, começa com uma população de mil pessoas, metade delas mulheres, cuja longevidade e janela reprodutiva são características hereditárias que mudam ao longo do tempo. Inicialmente, as fêmeas morrem quando deixam de se reproduzir, aos 50 anos. Em algumas simulações, quando as fêmeas não estão a amamentar as suas próprias crianças, elas fornecem benefícios de aptidão aos seus netos reduzindo a idade a que são desmamados.

 

Após cerca de 500 gerações, o modelo demonstrou que a assistência de uma avó durante a infância encurtou o intervalo entre os tempos em que as suas filhas davam à luz e levavam a janelas reprodutivas menores. No entanto, comparadas com simulações em que as avós não ajudavam, os benefícios nunca resultaram numa alterações da longevidade.

À posteriori, diz Kachel, os resultados não são tão surpreendentes como seria de esperar. A selecção natural é mais forte no início da vida e a sua influência sobre uma característica desvanece-se com o envelhecimento do organismo. Por isso, os benefícios da presença de avós teriam que ser gigantescos para prolongarem a longevidade humana.

Hawkes pensa que o modelo inclui todos os factores correctos sobre a ontogenia e filogenia e está ansiosa para analisar o código do software mas tem dúvidas sobre algumas das assumpções que a equipa de Kachel fez sobre as taxas de mortalidade e fertilidade. "Aposto que se modificarmos algumas delas, obteremos resultados diferentes."

Frank Marlowe, antropólogo da Universidade Estatal da Florida em Tallahassee, pensa que a hipótese da avó continua a ser a melhor que temos, mesmo que não seja perfeita. No entanto, qualquer teoria sobre a longevidade que seja bem sucedida também tem que ter em conta os machos, diz ele, "mesmo se os machos apenas venham por arrasto com as fêmeas, que foram o alvo da selecção".

Kachel é agnóstica em relação a que tipo de força pode ter aumentado a vida dos humanos mas a nossa longevidade pode ser um artefacto cultural devido ao desaparecimento das causas tradicionais de mortalidade, como a predação.

"As avós são importantes em muitas sociedades e desempenham realmente um importante papel social mas isso não prova que são a causa da longevidade", diz ela. 

 

 

Saber mais:

Avós prestáveis unem humanos e orcas

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com