2010-08-28

Subject: Frio esvazia rios da Bolívia

 

Frio esvazia rios da Bolívia

 

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@ NatureCom os altos picos dos Andes e a floresta tropical húmida, a Bolívia é um país de extremos ecológicos mas durante este Inverno no hemisfério sul, as temperaturas invulgarmente baixas na região tropical do país atingiu fortemente as espécies de água doce, matando mais de 6 milhões de peixes e milhares de aligátores, tartarugas e golfinhos do rio.

Os cientistas que visitaram os rios afectados dizem que o evento é maior desastre ecológico que a Bolívia já conheceu e, como exemplo de alterações climáticas súbitas a causarem o caos na vida selvagem, não tem precedentes na história.

"Há um enorme número de peixes mortos", diz Michel Jégu, investigador no Instituto de Investigação sobre Desenvolvimento de Marselha, que está actualmente a trabalhar no Museu Nacional de História Natural Noel Kempff Mercado em Santa Cruz, Bolívia. "No rios perto de Santa Cruz há cerca de mil peixes mortos por cada 100 metros de rio."

Com estes eventos climáticos extremos potencialmente a tornarem-se mais comuns devido às alterações climáticas, os cientistas apressam-se a coordenar investigações sobre esses impactos e com que rapidez o ecossistema poderá recuperar.

A extraordinária quantidade de peixe em decomposição tem poluído as águas dos rios Grande, Pirai e Ichilo no grau de as autoridades locais se verem obrigadas a procurar fontes alternativas de água potável para as cidades ao longo dos seus cursos. Muitos pescadores perderam a sua fonte de rendimento, tendo sido proibidos de remover qualquer peixe das populações que provavelmente estarão em dificuldades para recuperar.

A culpa é, pelo menos indirectamente, de uma massa de ar antárctico que se estabeleceu sobre a América do Sul durante grande parte do mês de Julho. A prolongada onda de frio também está associada à morte de pelo menos 550 pinguins ao longo da costa do Brasil e de milhares de cabeças de gado no Paraguai e Brasil, não esquecendo centenas de pessoas por todo o continente.

A temperatura da água dos rios bolivianos normalmente ronda os 15˚C durante o dia, chegou a atingir valores tão baixos como 4˚C. Hugo Mamani, chefe de previsões do Centro Nacional de Meteorologia boliviano em Senamhi, confirma que a temperatura do ar na cidade de Santa Cruz caiu para 4˚C este Julho, um valor mínimo batido apenas pelo recorde de 2,5˚C em 1955.

Mas exactamente de que forma as baixas temperaturas causaram tamanha devastação permanece um mistério. Até agora, não houve sensos rigorosos dos danos ecológicos, apenas observações anedóticas.

Fons Smolders, perito de pescas na Universidade Radboud em Nijmegen, Holanda, é um dos que visitou a área e está ansioso para que o fenómeno seja devidamente estudado pois estes eventos climáticos atípicos podem vir a tornar-se mais comuns no futuro.

 

Frequentemente, quando o frio causa a morte de peixes em lagos, a mortalidade deve-se directamente a hipoxia, quando o nível de oxigénio é demasiado baixo. A situação deve-se à temperatura mais baixa à superfície poder reduzir a misturar a coluna de água.

Dado que as mortes ocorreram principalmente em rios, Smolders suspeita que estejam associadas a infecções. "Alguns dos peixes que vi tinham manchas brancas que podem indicar doença. O frio provavelmente tornou-os mais susceptíveis a todo o tipo de infecções."

@ Nature"Quando os peixes morrem, geralmente não há um único factor de stress mas uma multitude deles em interacção", concorda Steven Cooke, ecologista aquático na Universidade Carleton em Ottawa, Canadá, que no ano passado escreveu uma análise sobre o choque causado pelo frio em peixes. "Por isso, se o choque causado pelo frio ou as temperaturas mais baixas estão implicadas na mortalidade, provavelmente há algo mais a passar-se."

A maior parte da investigação no campo do choque devido ao frio em peixes tem sido desenvolvida em rios de climas temperados e não em rios tropicais. Por exemplo, peixes de rios temperados morrem frequentemente quando uma estação termoeléctrica que lança água quente num rio regularmente, de repente é desactivada.

Jégu tem outra hipótese. Ele pensa que a queima de zonas agrícolas em redor de Santa Cruz, como parte do ciclo normal, teve um nível particularmente alto este ano. Esse facto pode ter sido um factor importante na morte dos peixes, possivelmente devido ao fumo ter acrescentado poluição aos rios.

"Esperamos conseguir financiamento para estes estudos para descobrir a razão porque os peixes estão a morrer." Com sorte, e dinheiro, as pesquisas terão início em Outubro.

 

 

Saber mais:

Museu Nacional de História Natural Noel Kempff Mercado em Santa Cruz

Onda de frio na Florida impede avanço de pitões

 

 

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