2010-08-27

Subject: Altruísmo pode ser explicado pela selecção natural

 

Altruísmo pode ser explicado pela selecção natural

 

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@ NatureO comportamento altruísta, como o das formigas operárias estéreis que transportam a descendência da sua rainha, evolui apenas entre indivíduos aparentados através do que é conhecido por selecção de pares, ou pelo menos assim pensavam tantos biólogos desde a década de 60.

Eles defendiam que a teoria da selecção natural standard não conseguia explicar a evolução dos grupos eusociais de organismos como os das abelhas ou formigas, pois os operários estéreis destes grupos não se reproduzem.

Uma análise matemática em duas partes, publicada na revista Nature, inverte esta ideia mostrando que é possível que o comportamento eusocial evolua através dos processos normais da selecção natural.

A selecção de pares baseia-se na 'aptidão inclusiva', a ideia de que, por exemplo, as operárias estéreis podem trazer benefícios reprodutivos ao ajudar os seus parentes. Ao faze-lo, ajudam à sobrevivência de genes partilhados que são passados às gerações seguintes. Isto abre à eusociedade caminho para evoluir.

Mas Martin Nowak, biólogo matemático da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e autor principal da análise, diz que "não há necessidade de aptidão inclusiva para explicar a eusociedade".

Nowak fornece a primeira análise matemática da teoria da aptidão inclusiva. Ele calculou qual de dois comportamentos, por exemplo a dissidência (partir para fundar uma colónia nova) ou a cooperação, se tornaria prevalecente numa população se a selecção natural standard estivesse em acção. Seguidamente descobriu que assumpções seriam necessárias para que a teoria da aptidão inclusiva chegasse ao mesmo resultado.

A equipa de investigadores descobriu que a aptidão inclusiva dá o mesmo resultado apenas num conjunto limitado de situações específicas que raramente surgem na realidade. Por exemplo, a aptidão inclusiva funcionava apenas se os dois comportamentos fossem muito semelhantes, de forma a que a pressão para seleccionar um ou outro seja quase nula, e se apenas dois indivíduos interagissem num dado momento.

Quando a teoria da aptidão inclusiva funcionava, a resposta que fornecia era matematicamente equivalente à obtida através de selecção natural standard.

"Mostrámos que a aptidão inclusiva não é a teoria geral da evolução como os seus proponentes alegam", diz Nowak. "No domínio limitado em que a aptidão inclusiva realmente funciona, é igual à selecção natural standard, logo não precisamos dela, não tem poder explicativo."

 

Numa segunda análise matemática, a equipa investigou a forma como a eusociedade poderia evoluir através de selecção natural. Descobriram que um gene para a eusociedade se poderia propagar rapidamente desde que as vantagens que confere (aumento do tempo de vida e sucesso reprodutor da rainha) surgissem mesmo em colónias pequenas. Por isso, colónias com apenas duas ou três operárias deverá fornecer vantagens significativas à rainha para o gene e o comportamento se espalharem.

"Que a eusociedade evolua ou não depende da forma como a dimensão da colónia afecta a mortalidade e a fecundidade da rainha", diz Nowak. "O nosso modelo também mostra que a eusociedade tem dificuldade em evoluir mas é muito estável após estabelecida."

A análise começou a gerar controvérsia entre os cientistas que já estão fortemente divididos sobre a questão da forma como o comportamento altruísta evolui.

David Sloan Wilson, biólogo evolutivo da Universidade de Binghamton em Nova Iorque, diz que o artigo de Nowak "derruba a aptidão inclusiva do seu poleiro". Mas, acrescenta ele, "ainda há um lugar vago à mesa para a aptidão inclusiva, pode ser usada como regra simples sobre quando algo poderá evoluir."

Samir Okasha, filósofo da biologia da Universidade de Bristol, Reino Unido, concorda com o artigo que os modelos da aptidão inclusiva depende de certas assumpções mas considera que elas "não são tão limitativas" como é sugerido.

O artigo "esquece-se de mencionar que a aptidão inclusiva é uma maneira de explicar porque certos animais causariam danos ao seu próprio sucesso reprodutivo e a resposta é porque estão a beneficiar os seus parentes", diz ele.

Stu West, biólog evolutivo da Universidade de Oxford, Reino Unido, considera a nova análise "incorrecta". Segundo ele, dados empíricos mostram que o caminho para a eusociedade é através da descendência ajudar os progenitores e não através das fêmeas se unirem em grupos, como ele diz que Nowak sugere.

Mas Nowak diz que a eusociedade implica que a descendência permaneça com os pais e os ajude a reproduzir logo "o grau de parentesco é uma consequência da eusociedade". Mas, pergunta ele, será também a causa da eusociedade? "A resposta a essa pergunta é não."

 

 

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