2010-08-26

Subject: Geoengenharia não reduzirá a subida do nível do mar

 

Geoengenharia não reduzirá a subida do nível do mar

 

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@ NatureA não ser que envolvam medidas extremas, a abordagem da geoengenharia à redução dos efeitos das alterações climáticas antropogénicas não fará grande coisa para combater a subida do nível do mar, relata uma equipa internacional de investigadores na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Isso porque o nível do mar responde lentamente a alterações na temperatura da Terra, explica John Moore, paleoclimatólogo da Universidade Normal de Pequim, principal autor do estudo. "Temos este legado de 150 anos de queima de combustíveis fósseis, alterações do uso da terra, etc. Não se pode simplesmente travar a fundo instantaneamente."

Moore e a sua equipa examinaram dois esquemas de geoengenharia propostos: espelhos em órbita no espaço para reduzir a quantidade de luz que atinge a superfície e a injecção de sulfatos na atmosfera superior para criar um nevoeiro brilhante reflector da luz do Sol, algo semelhante ao produzido naturalmente pela erupção de 1991 do Monte Pinatubo nas Filipinas. Os dois esquemas podem reduzir a energia solar que atinge a Terra em 1 a 4 watts por metro quadrado, o suficiente para compensar o aquecimento atmosférico causado pelo aumento do dióxido de carbono até pelo menos 2070.

Para determinar de que forma isto pode afectar o nível do mar, Moore usou um modelo de computador que consegue seguir as alterações do nível do mar ao longo dos últimos 300 anos. Descobriu que com um cenário business-as-usual de queima de combustíveis fósseis, mesmo os 4 watt dos espelhos espaciais reduziriam a subida do nível do mar este século em apenas 39 cm de uma subida projectada sem intervenção de um metro.

Apenas em combinação com reduções bastante agressivas das emissões de dióxido de carbono, calcula Moore, poderiam estes esquemas de geoengenharia ter um efeito maior. Mesmo assim, eles poderiam não conseguir impedir completamente a subida do nível do mar, devendo os oceanos subir 30 cm até 2100, dependendo do cenário de emissões.

Para cortar a subida do nível do mar pela raiz, calculam os cientistas, seria necessário injectar o dióxido de enxofre em aerossol equivalente a mais de duas e meia erupções do Pinatubo a cada quatro anos ou construir um espelho espacial em crescimento contínuo.

 

Outro problema, diz Moore, é que uma vez iniciada, a geoengenharia tem que ser contínua ou as temperaturas rapidamente reverterão para o que seriam sem intervenção. Uma subida contida do nível do mar não seria tão rapidamente mas seguir-se-ia em breve, a uma taxa de 1 a 2 cm por ano. "Essas foram as velocidades observadas durante o último degelo pós-glaciação, por isso não estamos a prever nada de novo relativamente ao registo geológico."

Os efeitos económicos dessa situação seriam tão extremos, acrescenta ele, que uma análise do custo/benefício indica que a geoengenharia nem merece ser considerada se houver mais de uma hipótese em dez de ser interrompida de repente. "É jogar roleta russa económica."

Richard Alley, glaciólogo e investigador climático na Universidade Estatal da Pennsylvania em Filadélfia, apelida as descobertas de "avanço muito interessante". Ele salienta, no entanto, que é apenas o início de tentar determinar de que forma os glaciares reagirão à geoengenharia.

"Na realidade não temos um modelo da cobertura de gelo em que possamos confiar", diz Alley, chamando a atenção para que, para além do aquecimento global, os glaciares reagem a alterações locais e regionais nos ventos e temperaturas e circulação oceânicas. "De muitas formas, este grande avanço serve para mostrar até onde já fomos antes de a modelação climática da geoengenharia ser suficientemente boa para ser útil em projecções regionais que possam ser usadas para conduzir os decisores."

Alan Robock, geofísico da Universidade Rutgers em Nova Jérsia, concorda mas refere que uma descoberta que surge muito forte é que a geoengenharia tem apenas um efeito relativamente menor na subida do nível do mar. "A redução das emissões dos gases de efeito de estufa terá um impacto muito maior."

Moore concorda. "Qualquer coisa que não seja reduzir a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera é como aplicar um penso rápido em vez de resolver verdadeiramente o problema." 

 

 

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