2010-08-24

Subject: Estudo mede acumulação de plástico no Atlântico

 

Estudo mede acumulação de plástico no Atlântico

 

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Map showing researcher's expedition in the North Atlantic (SEA)

Um estudo agora publicado na revista Science mediu a quantidade de resíduos plásticos encontrados numa dada região do Atlântico ao longo de um período de 22 anos. 

Os investigadores americanos sugerem que o volume de plástico parece ter atingido o seu máximo nos últimos anos, uma situação que pode dever-se às regras mais apertadas para a poluição marinha, que impedem os navios de despejar resíduos no mar.

A equipa considera que a monitorização do plástico flutuante também fornece uma visão do comportamento das correntes oceânicas superficiais.

No estudo descobriram plástico, na sua maior parte pedaços medindo alguns milímetros, em mais de 60% das 6136 amostras recolhidas arrastando redes de malha fina ao longo da superfície dos oceanos.

Os investigadores, da Sea Education Association (SEA), da Woods Hole Oceanographic Institution e da Universidade do Havai, descrevem o plástico como um "contaminante de grande escala". "A poluição marinha com plástico é uma preocupação ambiental significativa mas não há uma descrição do alcance do problema no oceano aberto. A durabilidade quimicamente manipulada e baixa taxa de biodegradação permite a estes polímeros sintéticos permanecerem no ambiente marinho anos, décadas ou mesmo mais."

Os impactos causados por este tipo de resíduos incluem o perigo de os animais marinhos ficarem neles emaranhados, serem por eles confundidos com alimento e devorados e o facto de funcionarem muitas vezes como 'jangadas' e serem usados por espécies invasoras para colonizar habitats que estariam, naturalmente, fora do seu alcance. 

"Ainda que altas concentrações de resíduos plásticos flutuantes tenham sido encontrados no oceano Pacífico, há uma quantidade muito limitada de dados que quantifiquem e expliquem o seu alcance geográfico. No oceano Atlântico, então, o tema tem sido praticamente ignorado."

A equipa analisou dados de censos feitos por navios ao longo de 22 anos, entre 1986 e 2008, que envolveram mais de 6 mil arrastos com rede que recolheram mais de 64 mil pedaços de plástico.

O maior número de pedaços de plástico registado foi recolhido em 1997, ocasião em que 1069 pedaços foram recuperados pelos investigadores após um arrasto superficial de apenas 30 minutos. Este resultado pode ser equacionado em 580 mil pedaços por quilómetro quadrado.

A equipa observou que as maiores concentrações de plástico flutuante estavam "claramente associados" com a convergência de correntes oceânicas superficiais e ventos prevalecentes. "Esta zona de convergência ... estende-se através da maior parte da bacia subtropical do Atlântico norte. Esta correspondência não só explica a distribuição do plástico mas também ilustra de que forma os resíduos flutuantes actuam como marcadores das principais correntes superficiais em larga escala."

 

Usando uma série de marcadores, a equipa foi capaz de estimar que demorou menos de 60 dias para o plástico ser transportado para uma "zona de recolha" das águas costeiras na costa leste dos Estados Unidos.

Quanto à fonte de plástico, a equipa refere que não há estudos que quantifiquem o volume de plástico que entra nos oceanos. No entanto, sugerem que o aumento registado ao longo do período estudado deverá ter vindo de fontes terrestres.

Segundo eles, a produção global de materiais plásticos aumento cinco vezes entre 1976 e 2008, e a quantidade deles descartados, só nos Estados Unidos, aumento quatro vezes só nas últimas duas décadas. 

Entretanto, o volume deitado ao mar por navios caiu em resultado das regras introduzidas em 1988, que proíbem o despejo de materiais plásticos no mar mas a equipa considera que o aumento projectado dos plásticos de origem terrestre não se reflectiu nos dados recolhidos pelos censos em navios.

@ SEA/Giora Proskurowski/BBC"É improvável que a circulação oceânica possa ser responsável por uma exportação de plástico suficientemente grande da região para compensar o aumento de entrada presumido", referem eles. 

Oferecem várias razões possíveis para a discrepância, incluindo a degradação do plástico em pedaços demasiado pequenos para serem capturados pelas redes dos censos, os resíduos afundarem-se abaixo da superfície ou o material estar a ser ingerido pelos animais.

Para reduzir o impacto ambiental a longo prazo do plástico flutuante nos oceanos do mundo, a equipa de investigadores considera que o seu estudo revelou evidências de que qualquer tipo de esforço para impedir que plástico descartado em terra chegue aos cursos de água pode ser "efectivo de forma mensurável".

 

 

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