2010-08-22

Subject: Sumidouro verde de carbono está a desaparecer

 

Sumidouro verde de carbono está a desaparecer

 

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a verde aumento do crescimento e a vermelho redução do crescimento @ Nature

A capacidade das plantas de agirem como um sumidouro de carbono pode estar em declínio.

À medida que as temperaturas globais sobem nas últimas décadas, a quantidade de carbono atmosférico que está a ser convertido em biomassa vegetal tem subido à mesma taxa. No entanto, num artigo publicado na última edição da revista Science, os ecologistas Maosheng Zhao e Steve Running, da Universidade do Montana em Missoula, relatam uma surpreendente inversão desta tendência ao longo da última década, apesar dela ter sido a mais quente de que há registo.

Em 2003, um estudo em que Running foi co-autor e liderado por Ramakrishna Nemani, também da Universidade do Montana, relatou um aumento da produtividade vegetal entre 1982 e 1999. Os investigadores atribuíram essa tendência a um clima mais quente e ao aumento da radiação solar. Zhao e Running esperavam encontrar um aumento semelhante para o período 2000 a 2009, uma expectativa que não correspondeu à realidade.

Tal como os oceanos, as plantas estão a prestar-nos um enorme serviço ao remover cerca de metade das emissões de dióxido de carbono resultantes da queima dos combustíveis fósseis da atmosfera, diz Running. "Esta é a primeira indicação de que as coisas podem estar a mudar."

A dupla analisou dados dos espectros visível e infravermelho do satélite MODIS da NASA para distinguir diferentes ecossistemas vegetais e medir a densidade da vegetação. Seguidamente analisaram os factores que influenciam o crescimento vegetal, como a disponibilidade de água e a duração do dia, para estimar a quantidade de carbono atmosférico acumulado como biomassa vegetal, a produção bruta primária (PBP).

Os resultados mostram que a absorção de carbono pelas plantas aumentou realmente em algumas zonas, essencialmente no hemisfério norte como partes da América do Norte, Europa ocidental, Índia e China. Mas nas zonas onde a absorção de carbono diminuiu, a queda foi acentuada. No hemisfério sul, 70% das terras florestadas, incluindo regiões da América do Sul, África e Austrália, revelaram uma diminuição do PBP. "Fazendo um balanço", comenta Running sobre a absorção de carbono pelas plantas, "quando somamos todos os mais e menos, há uma diminuição."

Os investigadores dizem que esta quebra na absorção global de carbono pode ser atribuída a secas regionais, como a grave seca no Amazonas em 2005 e uma tendência genérica para a secura no hemisfério sul que se tem agravado com o aquecimento global.

 

Porque razão os hemisférios norte e sul estão a reagir de maneira diferente ao clima mais quente e à crescente seca não é claro. Running sugere que as variações podem ser atribuídas a diferentes constrangimentos enfrentados pelas plantas de lados opostos do equador. No hemisfério norte, o factor limitante para o crescimento vegetal tem tendência para ser a temperatura e a duração da estação de crescimento, ambos a aumentar com o aquecimento global. A principal limitação ao crescimento vegetal no hemisfério sul, entretanto, é a disponibilidade de água, motivo porque as secas estão a ter um impacto superior.

Michael Crimmins, climatólogo na Universidade do Arizona em Tucson, diz que "este artigo faz em excelente trabalho" a esclarecer as zonas do planeta onde o crescimento vegetal é limitado pela disponibilidade de água e não pela temperatura. "Estou feliz por finalmente ver evidências à escala global de que um mundo em aquecimento não é necessariamente um mundo mais verde."

No entanto, Bill Munger, ecologista na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, é crítico dos métodos utilizados no artigo. "O tipo de modelação que usaram é bom para salientar os padrões espaciais nos processos vegetais mas muito dependente da influência assumida de humidade e da temperatura."

Running concorda que tiveram que ser feitas assumpções. "Concordo plenamente que quando se está a fazer cálculos a nível global está-se apenas a ver uma muito pequena parte da actividade do ecossistema e a inferir o resto. Até que se vejam outros 10 a 20 anos de dados, pode ser prematuro garantir que esta tendência é permanente mas certamente significa que é melhor estarmos muito atentos." 

 

 

Saber mais:

MODIS

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