2010-08-21

Subject: Revelada extensão da pluma de petróleo do golfo

 

Revelada extensão da pluma de petróleo do golfo

 

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@ NatureA mancha de petróleo que ainda se estende a partir da localização da afundada Deepwater Horizon tem mais de 35 Km de comprimento, de acordo com um novo relatório agora conhecido. 

O estudo, publicado na última edição da revista Science, é a primeira grande análise revista por pares da pluma subaquática de petróleo e também indica que ela tem persistido desde há vários meses, com as medições de oxigénio a mostrarem poucos sinais de o petróleo estar a ser degradado rapidamente por microrganismos aquáticos.

Uma equipa de investigadores da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) do Massachusetts descobriu que a pluma principal está suspensa a uma profundidade entre os mil e os 1200 metros abaixo da superfície, atingindo em alguns locais mais de 2 Km de largura e os 200 metros de espessura. Outras plumas de petróleo estão presentes no golfo do México mas esta foi a primeira a ser identificada e exaustivamente amostrada.

"Até agora, tinha-se identificado hidrocarbonetos em águas abaixo da superfície mas não se tinha sido capaz de dizer qual a dimensão da pluma ou se era ou não contínua", diz o autor principal do estudo Richard Camilli, oceanógrafo da WHOI.

Começando no local do poço de petróleo que explodiu, Camilli e os seus colegas estudaram as propriedades da pluma ziguezagueando num veículo subaquático autónomo (AUV) através da pluma. Suspeitam que a pluma tinha mais de 35 Km de comprimento mas as suas medições foram encurtadas em final de Junho pela aproximação do furacão Alex. 

No entanto, entre 19 e 28 de Junho, a equipa realizou mais de 3500 medições em tempo real da concentração de hidrocarbonetos e seguiu a presença de 10 produtos químicos na coluna de água através de um espectrómetro de massa associado ao AUV. Realizaram outras 2300 medições químicas enquanto amostravam a concentração de oxigénio na água através de um dispositivo descido através de um cabo.

A equipa tem uma "capacidade técnica insuperável", diz John Kessler, oceanógrafo químico na Universidade do Texas A&M em College Station. "Basicamente eles fizeram o AUV andar como um peixe ao longo da pluma, medindo os diferentes hidrocarbonetos de gás e petróleo e obtendo um mapa da zona da pluma de uma forma muito mais eficiente do que alguém poderia imaginar."

Ao contrário das descobertas de outras equipas, o novo relatório conclui que os níveis de oxigénio não desceram substancialmente na zona da pluma desde o início do derrame e que pouco do petróleo tinha sido degradado nas regiões de onde recolheram amostras. Microrganismos que consomem petróleo e gás estão naturalmente presentes no oceano e consomem oxigénio à medida que degradam os hidrocarbonetos, o que torna o nível de oxigénio um bom indicador da velocidade a que o petróleo está a ser degradado.

"As nossas descobertas sugerem que a taxa de degradação microbiana é relativamente baixa", diz Benjamin Van Mooy, oceanógrafo da WHOI e co-autor do estudo. "Isso significa que levará muito tempo antes de atingirmos os baixos níveis de oxigénio que podem ser perigosos para os animais." Mas isso também significa que a pluma não vai desaparecer em breve.

Em alguns casos, a equipa encontrou níveis de oxigénio abaixo do normal mas atribuem a situação a problemas nos instrumentos, pois os sensores podem ficar sujos com o petróleo. Quando usaram um método de apoio, conhecido por titração de Winkler, que permite a medição rigorosa da concentração de oxigénio, as medições baixas não foram reproduzidas na maior parte dos casos.

Mas o grupo de Kessler, que amostrou a mesma pluma que o grupo da WHOI no início de Junho, relatou reduções de oxigénio de até 30%, indicando que a biodegradação estava a decorrer rapidamente. Outra equipa descobriu que as concentrações de oxigénio eram entre 30 e 50% inferiores ao normal em algumas zonas ao longo da pluma. Estas duas equipas reproduziram as suas descobertas através de métodos independentes.

 

As duas situações podem estar a acontecer no interior da pluma, diz Kessler. A equipa de Camilli "pode ter recolhido amostras em zonas que ainda não sofreram a redução do oxigénio, enquanto nós amostramos zonas com uma mistura de hidrocarbonetos ligeiramente diferente".

David Valentine, geomicrobiólogo da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, que esteve no mesmo navio que Kessler, considera que as taxas de respiração devem variar com a localização e maturidade da pluma. Valentine compara a situação a um buffet: "Se apresentarmos uma coisa que as pessoas gostam, como filet mignon, isso desaparece logo mas a salada murcha vai lá continuar."

Mas Valentine discorda com a conclusão que as taxas de respiração relatadas no estudo indiquem metabolismo lento. "É uma taxa muito rápida para algo estar a acontecer às profundidades a que estamos a falar."

Os primeiros relatórios de que o petróleo e os gases estavam a permanecer nas profundezas em vez de subir à superfície foram um choque para muitos cientistas. O petróleo à superfície é relativamente fácil de limpar, enquanto hidrocarbonetos subaquáticos podem expor os organismos marinhos aos seus efeitos tóxicos muito mais tempo.

Entre os químicos medidos por Camilli estão o benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos, colectivamente conhecidos por BTEX. Estes compostos orgânicos voláteis de baixo peso molecular (VOC) são tipicamente as primeiras moléculas a evaporar-se do petróleo à superfície do oceano. Não é claro quanto tempo eles podem permanecer na coluna de água. "Os VOCs têm toxicidade aguda mas têm pouco tempo de vida na maioria das situações de derrame", diz Judy McDowell, ecologista fisióloga da WHOI. "Neste caso, os BTEX persistirem em profundidade sugere que os efeitos tóxicos agudos devem ocorrer."

Outro grupo de investigadores, da Universidade do Sul da Florida em St Petersburg, tem evidências preliminares de que o fitoplâncton e as bactérias estão a ser expostos a concentrações tóxicas de químicos na zona nordeste do poço destruído.

Ainda assim, os investigadores não podem dizer exactamente quais os ingredientes que permanecem na pluma ou de que forma poderão afectar o oceano. O petróleo tem milhares de componentes que se comportam de forma diferente na água. Alguns dos produtos da degradação podem ter subido à superfície, enquanto outros continuam aprisionados na pluma.

@ NatureOs investigadores da WHOI salientam que a sua amostragem foi uma "fotografia" no tempo e que a pluma já se deverá ter alterado desde o final de Junho. Na realidade, os investigadores não sabem bem onde estará localizada neste momento, diz Valentine.

"Acho que vamos ver que muitos dos hidrocarbonetos destas plumas de petróleo vão andar às voltas no golfo, provavelmente permanecendo na mesma gama de profundidades durante algum tempo, certamente meses, se não anos", comenta Valentine.

 

 

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