2010-08-17

Subject: Doença mata um milhão de morcegos

 

Doença mata um milhão de morcegos

 

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Hibernating little brown bats affected by white-nose syndrome (Image: Alan Hicks)

Uma doença conhecida como síndroma do nariz branco já matou cerca de um milhão de morcegos castanhos Myotis lucifugus na América do Norte, dizem os cientistas. 

A equipa de investigação relata na última edição da revista Science que esta situação pode conduzir a espécie à extinção no nordeste americano em apenas 16 anos. Essas conclusões resultam da recolha de 17 anos da dados sobre as colónias de morcegos.

Um fungos associado à doença terá sido trazido pelo Homem para o interior das cavernas onde os morcegos hibernam. O fungo Geomyces destructans parece desenvolver-se excepcionalmente bem nestas cavernas, onde cresce sobre o nariz, asas e orelhas dos morcegos.

A infecção torna os morcegos inquietos durante o Inverno, levando-os a ter actividade quando deviam estar em hibernação, gastando as suas reservas de gorduras. Uma vez instalada a infecção numa colónia em hibernação, mata em média 73% dos animais, calcularam os cientistas. "Entrámos em algumas cavernas e não conseguíamos andar porque o chão estava coberto de cadáveres de morcegos", recorda Thomas Kunz, da Universidade de Boston.

Kunz liderou a equipa que realizou o estudo  explica que a doença foi descoberta pela primeira vez numa caverna comercial no estado de Nova Iorque em 2006. Esta caverna era frequentemente visitada por turistas, razão porque os cientistas acreditam que o Homem transportou os primeiros esporos do fungo para a caverna.

"Antes do nariz branco, a população estava estável, até em ligeiro crescimento", diz Kunz, "mas quando analisámos os novos dados ficou claro que estávamos perante um massacre. Com base estritamente nestes dados, prevemos que, no espaço de 20 anos, esta população regional se extinga mas isso assumindo que não haverá um período de recuperação."

A região em questão engloba a Pennsylvania, Nova Iorque e Nova Inglaterra mas a doença está rapidamente a espalhar-se para além dessa zona.

Kunz comparou a severidade da doença à do fungo quitrídio que dizimou muitas populações de anfíbios e aos tumores faciais dos diabos da Tasmânia, um tipo de cancro infeccioso que está a ameaçar a sobrevivência destes marsupiais. "Isto é apenas a ponta do icebergue em termos do que iremos assistir nos próximos anos e nós só estudámos uma das seis espécies de morcegos que são afectadas pela doença."

Actualmente, o fungo apenas foi detectado na Europa e na América do Norte e não parece causar o mesmo tipo de mortandade nas populações europeias. No entanto, nos Estados Unidos, as perspectivas do pequeno morcego castanho são "bastante negras".

 

Actualmente a equipa está a tentar identificar colónias com resistência genética à doença, para descobrir se podem usar esses animais para ajudar a reconstruir a população mas esse trabalho está nas etapas iniciais.

Os cientistas também estão a encorajar as pessoas a instalar caixas para morcegos nos seus jardins e conceberam um "módulo de hibernação" que pode ser inserido no sótão das casas.

@ Alan Hicks"As pessoas perguntam porque motivo se devem preocupar", diz Kunz. "Mas temos que pensar quão importantes são os morcegos nos ecossistemas. Um único morcego pode comer metade do peso corporal em insectos numa única noite e muitos desses insectos são pragas agrícolas. Pensando assim, este milhão de morcegos que morreram podiam ter consumido cerca 694 toneladas de insectos num ano."

A fama dos morcegos de transmitirem raiva aos humanos também joga contra estes animais. Apesar de um morcego infectado poder passar a doença a uma pessoa ou a outro mamífero ao morde-los, não é provável que o vírus se propagasse na população humana.

Humanos e morcegos são demasiado distantes e a probabilidade de a infecção se instalar e se propagar, mesmo de morcego para morcego, diminui com a relação distante das espécies.

 

 

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