2010-08-16

Subject: Cheias no Paquistão: o pior ainda está para vir?

 

Cheias no Paquistão: o pior ainda está para vir?

 

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@ NatureHá mais de duas semanas que as cheias começaram no Paquistão e as chuvas continuam a cair.

Já consideradas as piores cheias a atingir o Paquistão nos últimos 80 anos, este dilúvio afectou milhões de pessoas e, até agora, matou 1600.

Qual a principal causa desta intensa precipitação?

O culpado é o tempo e não o clima, dizem os meteorologistas. Uma invulgar corrente de ar na atmosfera superior vinda do norte está a intensificar a precipitação numa zona que já está em plena monção de Verão (veja a animação que mostra a extensão das águas da inundação). "O que distingue este ano dos outros é a intensidade e a localização da precipitação", diz Ramesh Kumar, meteorologista do Instituto Nacional de Oceanografia de Goa, Índia. "Quatro meses de chuva caíram em apenas alguns dias."

A actividade humana exacerbou as cheias?

Sim. A alta taxa de crescimento populacional do Paquistão contribuiu para uma rápida deterioração do ambiente, incluindo forte desflorestação e a construção de barragens de irrigação e geração de electricidade em vários afluentes do rio Indo. Anos de instabilidade política também deixaram a sua marca e as águas da inundação estão a arrastar minas anti-pessoal, que colocam perigos extra às missões de ajuda humanitária.

Esta crise humanitária é maior do que criada pelo tsunami de 2004, como alegam alguns meios de comunicação social?

Não em termos de mortalidade. Com 1600 pessoas dadas como mortas, continuamos a ter 100 vezes menos mortos que o tsunami de 2004, no entanto a escala da tragédia continua a aumentar com 14 milhões de pessoas a necessitar de ajuda de emergência. Muitas das pontes e estradas foram destruídas e as más condições climatéricas impedem o voo dos helicópteros, adiando os esforços de ajuda.

E o problema das doenças?

A dura realidade é que as doenças transportadas pela água estão intimamente associadas às cheias e com surtos de cólera já conhecidos no norte da província de Khyber Pakhtunkhwa este caso não é excepção. Teme-se que a falta de condições sanitárias conduza a surtos generalizados de diarreias e disenteria, para além de outras ameaças devidas à água estagnada, como malária.

 

Como pode o Paquistão preparar-se para novas cheias no futuro?

"Actualmente não há uma estratégia eficaz de gestão de água no Paquistão", diz Shah Murad Aliani, representante do país na União Internacional para a Conservação da Natureza.

Essa estratégia incluiria a construção de defesas adequadas ao longo das margens do rio Indo, onde vive a maior parte da população do sul do Paquistão e um melhoramento do sistema de previsão de cheias. Os esforços internacionais nesta frente incluem o Centro Conjunto de Investigação da Comissão Europeia, que está a desenvolver e a testar um Sistema Global de Detecção de Cheias que monitorize as cheias a partir do espaço.

De que forma as alterações climáticas irão afectar a região no futuro?

"À medida que a atmosfera se tornar mais quente, a capacidade de transportar humidade vai aumentar", diz Kumar. "Sem rodeios, se o clima paquistanês aquecer no futuro, a precipitação vai aumentar."

Já parecem existir tempestades mais extremas do que qualquer coisa anterior por todo o subcontinente indiano. Um estudo de 2006 indicou que esta tendência deverá continuar, apesar de os investigadores não a associarem sem sombra de dúvida às alterações climáticas.

Mas muitos investigadores acreditam que as cheias actuais podem ser parte de uma tendência a longo prazo. "As alterações climáticas podem ser um contributo pequeno mas constante para a precipitação na região", diz Jeff Knight, perito em variabilidade climática no Centro Hadley do Reino Unido.

 

 

Saber mais:

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