2010-08-15

Subject: Custos ambientais dos fogos russos

 

Custos ambientais dos fogos russos

 

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@ NatureÀ medida que os fogos devastam a Rússia neste que tem sido o Verão mais quente e seco de que há registo, o país enfrenta uma multitude de desastres ambientais e de saúde pública, incluindo o risco de partículas radioactivas serem libertadas de terrenos contaminados em volta do reactor de Chernobyl.

Até que ponto a situação é grave?

Mais de 300 mil hectares de floresta e turfeiras arderam desde que os fogos tiveram início em Junho. Algumas das áreas mais afectadas são a região de Moscovo no oeste da Rússia e Nizhni Novgorod a sudoeste da capital, segundo números do Centro de Monitorização Global de Fogos (GFMC), parte do Instituto Max Planck de Química, sediado na Universidade de Freiburg, Alemanha.

Segundo a ITAR TASS, agência noticiosa oficial russa, o Ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social indicou que o número de mortos devido aos fogos subiu para 53, com 806 pessoas ainda a receber cuidados médicos.

Trata-se de uma situação sem precedentes?

Não. Os fogos florestais são frequentes na Rússia. O GFMC indica que mais de 15 milhões de hectares floresta já arderam este ano na Federação Russa, a maioria em fogos desencadeados por relâmpagos em zonas florestadas com espécies tolerantes ao fogo, como pinheiros. Este tipo de de fogo é frequentemente benéfico para o funcionamento dos ecossistemas e as florestas geralmente retomam o seu crescimento rapidamente.

Então porque estamos tão preocupados com isto?

Os fogos actuais estão a queimar em zonas mais urbanas e em locais povoados por espécies de árvore não resistentes ao fogo, como as bétulas. Também estão a alcançar jardins e zonas com outro tipo de vegetação, diz Johann Goldammer, ecologista do fogo e director do GFMC. "Muitas pessoas pobres perderam as suas colheitas, de que precisarão para sobreviver ao Inverno." 

Os efeitos de saúde a longo prazo da inalação de fumo são outra preocupação, acrescenta ele. A poluição por monóxido de carbono subiu 10 vezes acima dos níveis máximos permitidos, em grande parte devido à queima de matéria orgânica nas turfeiras secas. As florestas irão voltar a crescer naturalmente, diz Goldammer, mas vai levar muito tempo, particularmente nas zonas de espécies de crescimento lento como os abetos.

Os fogos também alcançaram a região de Bryansk, a leste de Chernobyl, onde a central nuclear explodiu em 1986. Esta situação fez temer que as partículas radioactivas pudessem ser libertadas para a atmosfera.

Existe risco de radiação?

Nem por isso. Jim Smith, que investiga o destino da radioactividade no ambiente na Universidade de Portsmouth, diz que "não está preocupado" que os fogos possam levar a um aumento de radiação perigosa. A maior parte das partículas radioactivas estão no solo e não na manta morta inflamável ou nas árvores, explica ele. Os fogos que atingiram a zona ficaram no exterior da zona de exclusão de 30 Km em volta de Chernobyl, onde a terra não deverá estar contaminada com isótopos emissores de partículas α, as potencialmente mais perigosas por inalação.

 

Já ocorreram cerca de 100 fogos na zona de exclusão desde o acidente de Chernobyl e estudos demonstraram que resultaram num aumento de radiação de menos de 1%, diz Smith. "Só uma pequena quantidade de radiação volta a ser resuspendida, por isso não estou preocupado com danos por inalação."

Num comunicado, o governo russo anunciou que a radiação na zona de Bryansk e arredores é "normal" mas outros estão preocupados. "Eu não subestimava o risco de exposição pois sabemos muito pouco sobre os efeitos para a saúde da combinação de monóxido de carbono e baixas doses de radiação", diz Vladimir Chouprov, membro da Greenpeace Rússia.

Como começaram estes fogos?

Goldammer diz que os fogos começaram devido a "comportamentos negligentes" do público, que acendeu fogueiras e lançou foguetes em zonas florestais. A Rússia está a atravessar o Verão mais quente desde há 130anos, com as temperaturas de 40 °C a secarem a vegetação e as turfeiras, tornando-as pasto preferencial para as chamas.

Poderiam estes fogos ter sido evitados?

Possivelmente. Legislação aprovada em Janeiro de 2007 descentralizou a gestão da floresta. Goldammer diz que as autoridades locais não tomaram responsabilidade adequada na gestão e protecção da floresta e das turfeiras e que "investimentos na gestão do fogo não foram feitos".

As alterações climáticas vão tornar este tipo de fogos mais comum?

Sim. Se o clima russo se continuar a alterar-se como se espera, as zonas afectadas pelos fogos actuais irão continuar a tornar-se mais secas, tornando fogos futuros mais prováveis. Isso pode impedir que as florestas se renovem e as zonas tornar-se-ão pastagem, o que, por sua vez, as tornará ainda mais vulneráveis a fogos descontrolados, diz Goldammer.

 

 

Saber mais:

GMFC

ITAR TASS

Voam faíscas com estudo sobre fogos florestais

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Fogos asiáticos reforçam aquecimento global

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