2010-08-11

Subject: Questionado relatório optimista sobre petróleo no golfo

 

Questionado relatório optimista sobre petróleo no golfo

 

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@ NatureApós meses de literal negrume, o relatório da semana passada sobre o destino do petróleo derramado pela plataforma da BP Deepwater Horizon forneceu um raro pedaço de boas notícias.

"Pelo menos 50% do petróleo que foi libertado desapareceu completamente do sistema", anunciou Jane Lubchenco, administradora da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), numa conferência de imprensa realizada na Casa Branca. 

Esse número tão bem-vindo proveio de um esforço para dar conta do que terá acontecido aos 750 mil milhões de litros de petróleo que foram derramados no golfo do México desde Abril mas apesar dos investigadores terem apoiado algumas das mensagens presentes no relatório, muitos salientam que falha por não deixar claro o grau de incerteza sobre algumas das suas estimativas.

"Do meu ponto de vista é cientificamente indefensável", diz James Cowan, oceanógrafo na Universidade Estatal do Louisiana em Baton Rouge. Outros peritos questionam se o momento de apresentação do relatório, em simultâneo com o anúncio por parte da BP do sucesso no fecho do poço danificado, não terá obedecido mais à política que à ciência.

O relatório estima que cerca de um quarto do petróleo derramado foi capturado, queimado ou recolhido da superfície do oceano, outro quarto foi disperso em gotas minúsculas, naturalmente ou com a aplicação de dispersantes químicos, e que mais um quarto se terá evaporado ou dissolvido completamente.

@ NatureO quarto restante, determinado por subtracção, assume-se que esteja a flutuar na superfície do oceano ou tenha sido trazido para terra pelas marés. A maior parte deste quarto sobrante "está a degradar-se rapidamente ou a ser removido das praias", disse Lubchenco, acrescentando que há "um alto grau de confiança" nestes números. Alertou, no entanto, para o facto de o petróleo dissolvido ou disperso continuar a representar ameaça para a vida marinha.

Cowan não está convencido com estas contas: "Não há informação suficiente para convencer alguém que tenha o mínimo de conhecimentos ecológicos." 

Jeffrey Short, químico ambiental de Juneau, Alasca, acredita que as estimativas do petróleo recolhido e queimado devem ser fiáveis porque são directamente mensuráveis mas, com poucos dados em que se apoiar, as estimativas da quantidade de petróleo dissolvido, disperso ou evaporado podem estar desfasadas por factores de 2 ou 3, diz ele. Short trabalha com a organização conservacionista Oceana e ajudou a realizar a avaliação dos danos do derrame de 1989 pelo Exxon Valdez, antes de se aposentar da NOAA.

Bill Lehr, cientista sénior da divisão de resposta de emergência da NOAA e autor principal do relatório, concorda que esses são os números menos certos mas refere que ele e os seus colegas usaram intencionalmente estimativas conservadoras. Ainda assim, nem o relatório nem os dados que o apoiam mencionam a escala de incerteza e os detalhes são escassos sobre a forma como os números foram calculados.

 

Lehr diz que a forma de cálculo que foi usada para obter as estimativas foi usada pela Guarda Costeira americana desde Junho para orientar a resposta ao derrame e que essa versão inclui os detalhes sobre o grau de incerteza. Mas para conhecimento público ele diz: "A decisão foi tomada, e as pessoas podem defender que foi certa ou errada, de apresentar os valores médios [sem as incertezas]."

"A ferramenta existia por isso decidimos que iria ajudar a responder a algumas das questões que o público tinha", continuou ele. Lehr acrescentou que a agência vai continuar a trabalhar para completar um relatório com todos os detalhes científicos o mais rapidamente possível.

Mas Short apenas vê política por trás da apresentação do relatório. "Dá a sensação de que estão a tentar faze-lo coincidir com o acabar com as contínuas fugas de informação e pôr um laçarote na questão." Cowan acrescenta que o relatório pode ajudar a restaurar a confiança na devastada indústria marisqueira e pesqueira do golfo.

Muitos cientistas concordam que os custos biológicos do derrame nas zonas costeiras parecem ser menores do que se temia. "No total, penso que a maioria de nós no campo concorda que os impactos que surgiram à luz do dia até à data são menos horrendos do que temíamos, largamente porque relativamente pouco petróleo chegou a terra", diz Short. 

Mas o impacto do petróleo disperso ou de alguma forma submerso sobre os juvenis das espécies marinhas permanece uma questão em aberto. "A nossa preocupação é que possamos perder uma geração inteira de peixes, camarões, caranguejos e ostras", diz Deano Bonano, chefe de segurança interna de Jefferson Parish, uma das zonas do Louisiana mais fortemente atingidas.

"O relatório deu a entender que o pior já passou", acrescenta Cowan. "Mas há questões muito graves que gostaria de ver respondidas antes de, confiantemente, dizer que o pior já passou."

 

 

Saber mais:

NOAA

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