2010-08-10

Subject: Remoção do topo de montanhas danosa para cursos de água

 

Remoção do topo de montanhas danosa para cursos de água

 

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@NatureA controversa prática de remoção do topo das montanhas para a mineração de carvão, procedimento que há muito se suspeitava poluísse os cursos de água, revela-se culpada de todas as acusações, revelaram os cientistas.

A 3 de Agosto, investigadores presentes na conferência da Sociedade Americana de Ecologia, que decorre em Pittsburgh, Pennsylvania, deram a conhecer o que consideram as primeiras provas conclusivas de uma associação directa entre este tipo de mina e os danos ambientais.

A investigação colocou lado a lado os efeitos da mineração por remoção do topo de montanhas e a urbanização sobre a qualidade da água na Virginia Ocidental e descobriram que mesmo as operações mineiras em pequena escala causam graves danos aos ecossistemas.

"Mesmo com níveis muito baixos de mineração, descobrimos um impacto dramático na qualidade da água e na composição dos ribeiros", refere Emily Bernhardt, bióloga da Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, e um dos principais investigadores do estudo. Os cientistas apelaram à Agência de Protecção do Ambiente (EPA) americana que seja mais rigorosa sobre os limites impostos às companhias mineiras para a poluição da água.

A mineração por remoção do topo de montanha é generalizada no leste do Kentucky, na Virginia Ocidental e no sudoeste da Virginia. Para expor os veios de carvão, as companhias mineiras abatem as florestas e destroem as rochas com explosivos. Os resíduos são despejados nos vales, frequentemente enterrando os ribeiros. A perda da vegetação e do coberto superior do solo podem causar inundações e a água que emerge dos resíduos contém solutos tóxicos, incluindo selénio, metais pesados e sulfatos, diz Bernhardt.

A EPA recomenda que a actividade mineira não aumente a condutividade eléctrica da água dos ribeiros (uma medida da sua concentração iónica) além dos 500 microsiemens por centímetro (µS.cm−1). No entanto, um estudo anterior já tinha demonstrado alterações significativas na dimensão e composição das comunidades de macro-invertebrados com níveis baixos de condutividade. 

Um segundo estudo descobriu que aumento na concentração de metais na água dos ribeiros e diminuição da biodiversidade de invertebrados estavam relacionadas com a subida da concentração de sulfatos, um indicador de actividade mineira. Ainda assim, nenhum dos estudos estabeleceu uma ligação directa entre a actividade mineira e as alterações ambientais.

Bernhardt sobrepôs imagens de satélite e obtidas a partir de aviões de actividades mineiras nas montanhas Apalaches na Virginia Ocidental a mapas topográficos da zona, o que lhe permitiu estimar a quantidade desta actividade que decorreu em montanhas e seus cursos de água entre 1996 e 2009. A equipa também teve acesso a dados sobre a qualidade da água e biodiversidade de invertebrados de 478 locais da zona, recolhidos ao longo do mesmo intervalo de tempo pelo Departamento de Protecção Ambiental da Virginia Ocidental.

 

Tinha havido mineração em 208 desses locais, onde a condutividade média da água era de 650 µS.cm−1. Nas zonas de actividade mineira mais intensa, onde 92% das escorrências tinha sido minerada em algum momento, a condutividade subiu para 1100 µS.cm−1. Bernhardt refere que mesmo em áreas onde apenas 2,5% das escorrências tinham sido afectadas, cerca de 30% dos ribeiros continham níveis de condutividade superiores à recomendação da EPA. A equipa também notou "declínios acentuados" em alguns invertebrados dos ribeiros em zonas onde apenas 1% das escorrências tinham sido afectadas.

William Schlesinger, biogeoquímico do Instituto Cary de Estudos dos Ecossistemas em Millbrook, Nova Iorque, considera os resultados "significativos" pois "associam directamente alterações na química da água às zonas onde as escorrências foram perturbadas pelas actividades mineiras".

O estudo também analisa os argumentos da indústria mineira de que os standards de qualidade de água não devem ser alterados porque as alterações da condutividade da água frequentemente reflecte urbanização e outras alterações da utilização da terra. Já este ano, a Associação Nacional de Mineração (NMA), sediada em Washington DC, referiu: "Não há provas que correlacionem de forma inequívoca os níveis elevados de condutividade com a mineração de carvão ou o enchimento dos vales."

Em 202 dos locais que Bernhardt estudou, no entanto, não havia actividade mineira mas sim algum desenvolvimento urbano. A água nesses locais tinham uma média de condutividade de 228 µS.cm−1, um valor muito inferior à média dos locais com minas. Em 30 outros locais, sem minas ou urbanização, locais controlo, tinham uma condutividade média de 105 µS.cm−1.

Bernhardt ficou "chocada" com as diferenças mas recusou indicar um valor limiar que recomendaria à EPA, referindo que "parece que temos efeitos a níveis muito inferiores de condutividade do que antes se pensava". Luke Popovich, vice-presidente da NMA para as comunicações externas, recusou comentar o estudo mas salienta que o limite de condutividade estabelecido pela EPA é "difícil ou impossível de manter pelas operações mineiras. Parece-nos que a questão é se a condutividade empregue aqui nos pode dizer alguma coisa sobre os impactos da mineração sobre a biodiversidade".

Num comunicado a EPA considera que os resultados do estudo são "de forma geral consistente" com as suas próprias investigações e que está a ser "actualmente a ser analisado" pelo seu painel de conselheiros científicos. "A EPA continuará a confiar na melhor ciência disponível para rever as propostas para novos projectos de mineração de superfície de acordo com a Acta da Água Limpa."

 

 

Saber mais:

Ecological Society of America

National Mining Association

Environmental Protection Agency

 

 

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