2010-08-06

Subject: Excentricidades dos dentes à cauda

 

Excentricidades dos dentes à cauda

 

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@ NatureOs vestígios de dentes de um antigo crocodilo descobertos no leste de África sugerem que o animal que os apresentava tinha mais a ver com o gato moderno que com os seus parentes vivos mais próximos.

Todas as espécies de crocodilos sobreviventes na actualidade são semelhantes, tanto física como comportamentalmente. Vivem essencialmente na água, emboscam as presas e engolem-nas inteiras ou em grandes nacos.

Mas há cerca de 100 milhões de anos no sul do supercontinente Gondwana, os membros da família dos crocodilianos ocupavam uma variedade de nichos ecológicos muito superior.

O Pakasuchus kapilimai é a forma mais extrema até agora encontrada do grupo extinto dos notosuquianos. Partes de cinco espécimes foram descobertas por uma equipa de paleontólogos liderada por Patrick O'Connor, da Universidade do Ohio em Athens.

Com cerca de 50 centímetros de comprimento da ponta do nariz à ponta da cauda, estes répteis seriam caçadores de insectos e outras presas de pequena dimensão activos e ágeis. É provável que tenham vivido essencialmente em terra pois as suas aberturas nasais estão na frente do crânio, ao contrário dos crocodilianos sobreviventes, que têm as narinas no topo da cabeça para respirarem quando parcialmente submersos.

O'Connor e os seus colegas analisaram a anatomia dos dentes e mandíbulas dos fósseis melhor preservados encontrados até agora na bacia do Rift Rukwa na Tanzânia. O espécime tinha um crânio curto e largo, como o de um gato (daí o nome do género, pois paka é a palavra da linguagem local Kiswahili para gato), mas, tirando esse aspecto, todo o arranjo dos ossos é distintamente crocodiliano.

A equipa usou tomografia microcomputorizada para construir imagens tridimensionais do crânio e para revelar a forma como as mandíbulas se moviam no animal vivo. 

As imagens mostraram que os dentes tinham evoluído formas espantosamente semelhantes às observadas actualmente nos mamíferos, por sua vez muito diferentes da dos dentes simples e cónicos que encontramos em todos os crocodilos e aligátores actuais. Em particular, existiam dentes semelhantes a molares que se encontravam, fornecendo duas linhas de corte paralelas, como a dos carnívoros modernos.

 

"O'Connor está correcto em afirmar que este era um crocodilo a esforçar-se muito por ser mamífero", comenta o paleontólogo Greg Buckley, da Universidade Roosevelt em Schaumburg, Illinois. "Se apenas tivessem sido encontrados dentes isolados, é provável que pelo menos alguns dos dentes do estilo molar tivessem erroneamente atribuídos a algum tipo de mamífero. É sem dúvida uma descoberta muito interessante e ajuda a preencher mais alguns dos espaços em falta na compreensão destes animais tão frequentemente negligenciados."

Mas há uma questão a que o conhecimento actual não consegue responder. O Pakasuchus era um animal elegante, de membros longos e muito móvel, que tinha perdido as escamas espessas que protegem o corpo dos crocodilianos modernos. Estranhamente, no entanto, mantinha parte desta armadura pesada na cauda, uma combinação que O'Connor considera "única entre os crocodiliformes".

A razão porque esta parte das pesadas escamas se manteve permanece um mistério. "É extremamente difícil postular um modelo funcional em acção para este tipo de organização", admite O'Connor.

Vários espécimes de répteis notosuquianos foram descobertos nos últimos anos em África, incluindo Madagáscar, e na América do Sul. Nenhum deles é tão semelhante a um mamífero como o Pakasuchus mas mostram variação de dentição, indicando grandes diferenças de dieta e estilo de vida. Este foi um grupo muito bem sucedido e durante 80 milhões de anos deverá ter ocupado nichos ecológicos que, no supercontinente do norte, Laurásia, eram ocupados por mamíferos.

Mas então porque desapareceram?

O'Connor suspeita que terá sido pelas mesmas razões, ainda por explicar, que os dinossauros. "Mas os ancestrais dos crocodilos modernos foram capazes de ultrapassar as dificuldades e eventualmente chegar ao plano corporal crocodiliano que observamos actualmente." 

 

 

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