2010-08-05

Subject: Cientistas da administração Obama admitem preocupação com uso de dispersantes

 

Cientistas da administração Obama admitem preocupação com uso de dispersantes

 

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A plane releases chemical dispersant over the Gulf oil spill

A administração Obama está a enfrentar dissidências internas por parte dos seus cientistas por ter aprovado a utilização de enormes quantidades de dispersantes químicos para lidar com o derrame de petróleo no golfo do México.

A Agência de Protecção Ambiental (EPA) americana tem estado sob ataque no congresso e por parte de cientistas independentes por ter permitido que a BP pulverizasse quase dois milhões de galões do dispersante Corexit na mancha e, de forma ainda mais controversa, no local do derrame a grande profundidade. Vem agora a lume que os próprios peritos da EPA têm vindo a colocar as mesmas questões no interior da agência.

Jeff Ruch, director-executivo do grupo Funcionários Públicos para a Responsabilidade Ambiental, referiu que tinha conhecimento que cinco cientistas e dois outros funcionários tinham expressado as suas preocupações perante os seus superiores sobre a utilização dos dispersantes. "Sei de um toxicólogo que estava muito preocupado particularmente com a aplicação subaquática. A preocupação estava relacionada com o facto de a agência parecer andar às cegas, sem consultar os seus próprios especialistas ou a literatura disponível."

Veteranos do derrame do Exxon Valdez questionaram se seria a atitude mais acertada tentar degradar o petróleo em profundidade ao mesmo tempo que se tentava remove-lo da superfície. Outros peritos da EPA revelaram também preocupação com o efeito dos dispersantes sobre os alimentos marinhos.

Ruch refere que os peritos da EPA foram excluídos do processo de decisão sobre o derrame. "Para além de um punhado de pessoas no comando unido, não há envolvimento do restante pessoal da agência." Os cientistas da EPA não o revelaram publicamente por medo de retaliações, acrescenta ele.

Jerrold Nadler, democrata de Nova Iorque que apresentou a ideia da proibição dos dispersantes até que sejam feitos mais testes através de uma lei sobre derrames de petróleo, que foi aprovada na Câmara dos Representantes na semana passada, considera que a EPA falhou no seu dever de proteger o ambiente.

"Estamos a realizar uma enorme experiência sem qualquer controlo com todo o golfo", diz ele. "Falharam na sua função de forma muito grave por terem permitido que a BP usasse dispersantes. Mesmo quando disseram à BP que parasse de usar os dispersantes, permitiram que a BP ignorasse o seu conselho."

Os cientistas independentes também criticaram a EPA por alegar que a combinação de petróleo e dispersantes não trazia, por si só, perigo para a vida marinha.

Um toxicólogo da Universidade Técnica do Texas testemunhou numa audiência do senado que a utilização sem precedentes de dispersantes "criou uma experiência ecotoxicológica". 

"O importante é que muito petróleo continua no mar, disperso na coluna de água", diz Ron Kendall. "É uma questão ecológica importante para se perceber como é que as coisas eventualmente se desenrolarão." Estudos anteriores, incluindo um estudo de 400 páginas realizado pela Academia Nacional de Ciências, alertaram que a combinação de petróleo e dispersantes é mais tóxica que o petróleo por si só, pois os químicos degradam também as membranas celulares, tornando os organismos mais susceptíveis ao petróleo.

 

A EPA emitiu um relatório, baseado num estudo da quantidade da mistura que seria necessária para matar uma espécie de camarão e outra de um pequeno peixe, apenas duas das mais de 15 mil espécies marinhas do golfo. O teste da EPA não avaliou os efeitos a médio e longo prazo, nem o facto de dispersantes terem sido descobertos em larvas de camarões azuis, o que permite a sua entrada na cadeia alimentar.

"Foi apenas um teste e foi muito rudimentar. Já sabíamos ao começar com isto, tal como a EPA, que esta mistura é altamente tóxica para muitas, muitas espécies, há pilhas de literatura sobre isto", diz Susan Shaw, directora do Instituto de Investigação Ambiental Marinha. "Não se trata de toda a ciência conhecida, é a ciência que convém no momento."

Hugh Kaufman, analista de política da EPA, reduziu os testes a pouco mais do que um truque publicitário. "Estão a tentar apresentar este pequeno pedaço de informação de forma a que pareça que os dispersantes são seguros e, especialmente, que o Corexit é seguro."

A EPA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Já está sob pressão por parte do Congresso por ter permitido que a BP e a Guarda Costeira ignorasse a sua ordem de Maio passado para reduzir a utilização de dispersantes em 75%. 

Documentos dados a conhecer pelo democrata do Massachusetts Ed Markey mostram que a EPA permitiu a pulverização de dispersantes 74 vezes ao longo de um período de 48 dias, chegando a dar autorização prévia para pulverizações durante uma semana. Os documentos também mostram que a EPA permitiu que a BP pulverizasse 36 mil galões de Corexit num único dia.

A controvérsia que rodeia a EPA e o seu papel no derrame do golfo marca um ponto de viragem para a administração Obama, que chegou ao poder prometendo reparar a dilacerada relação entre os cientistas e o governo com George Bush, apregoando uma nova era de transparência.

Nove cientistas de topo escreveram uma carta aberta apelando à BP e à administração Obama que tornem públicos todos os dados científicos relacionados com o derrame, incluindo a mortalidade da vida selvagem. "Da mesma forma que a utilização sem precedentes de dispersantes serviu para varrer milhões de galões de petróleo para debaixo do tapete, estamos preocupados com a possibilidade de o público não vir a ter conhecimento de dados científicos cruciais até que a BP declare o fim da sua responsabilidade", diz Bruce Stein, da National Wildlife Federation.

 

 

Saber mais:

O legado perdido do último grande derrame de petróleo

Debate sobre impacto do petróleo disperso cada vez mais aceso

10 factos sobre o derrame no Mar das Caraíbas que preferíamos nem saber ...

A ciência dos dispersantes

 

 

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