2010-08-04

Subject: Censo da vida marinha dado a conhecer

 

Censo da vida marinha dado a conhecer

 

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@ NatureUm inventário de 10 anos dos organismos marinhos de todo o mundo revelou um nível espantoso de diversidade e um crescente número de espécies, sem fim à vista.

A última colecção de artigos relacionados com o Censo de Vida Marinha (CoML), publicada pela revista PloS ONE, contém o registo mais abrangente de todos os tempos da biodiversidade marinha, diz o cientista sénior do projecto Ron O'Dor, sediado na Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia, Canadá.

O censo focou-se nas zonas económicas exclusivas dos países participantes, que se estendem 200 milhas náuticas (370 quilómetros) ao largo da costa.

"Poder-se-ia pensar que essas águas estivessem bem documentadas, mas não", diz O'Dor. "De facto, os autores dos artigos estimam que, em média, há três ou quatro espécies a ser descobertas por cada uma já documentada."

Dos copépodes recolhidos ao largo da costa de África, 99,.3% eram desconhecidas para a ciência, diz Thomas Shirley, presidente para a biodiversidade e conservação do Instituto Harte de Investigação da Universidade Texas A&M em Corpus Christi. Mais ainda, as amostras de copépodes recolhidas com apenas 30 Km de distância umas das outras tinham apenas duas espécies em comum.

@ Nature"Uma conclusão é que temos muito mais a aprender acerca do oceano", diz Sylvia Earle, exploradora residente da National Geographic Society em Washington, DC. "Uma estimativa conservadora das espécies oceânicas aponta para 10 milhões mas pode atingir os 50 milhões ou mais. Menos de 5% do oceano foi observado, o que fará explorado."

Treze comités nacionais e regionais, envolvendo mais de 360 cientistas de todo o mundo, mas muitos mais no total, reuniram dados publicados e não publicados sobre a biodiversidade marinha. Alguns organismos foram registados há 500 anos. 

Os comités tiveram que se organizar a si próprios: a Europa, por exemplo, formou um comité para todos os seus múltiplos corpos de água, tal como os países em volta do Índico. Esta abordagem organizacional vai facilitar a aplicação da conservação e gestão, diz O'Dor, à medida que mais países adoptem os planos de gestão baseados nos ecossistemas em vez de esforços focados numa única espécie.

A maior diversidade de espécies surgiu onde os cientistas esperavam, nos trópicos, e estava geralmente associada a recifes de coral. As águas australianas e japoneses são as mais diversas, cada uma com quase 33 mil formas de vida merecedoras de estatuto de espécie, seguidas pelos oceanos ao largo da China, Mediterrâneo e golfo do México. No entanto, os comités que cobriram águas mais diversas, incluindo a Indonésia, Madagáscar e mar Arábico, ainda não apresentaram os seus relatórios.

 

Os autores do censo também catalogaram as maiores ameaças à biodiversidade marinha por todo o mundo, que têm sido a pesca excessiva, a perda de habitat, espécies invasoras e poluição, mas acrescentando ameaças emergentes, onde se incluem a subida da temperatura das águas e acidificação dos oceanos.

Outra das mais recentes descobertas do CoML é que grande parte das espécies que vivem em redor da Antárctica, Nova Zelândia, África do Sul e Austrália são endémicas, diz Mark Costello, do Laboratório Marinho Leigh em Warkworth, Nova Zelândia, e principal autor do artigo sumário "Um Censo da Biodiversidade Marinha, conhecimento, recursos e desafios futuros". Ele e outros cientistas expressaram preocupação com a diminuição das competências taxonómicas signifique uma menor capacidade de identificação de novas espécies.

O projecto está a trabalhar de perto com o Barcode of Life (Código de Barras da Vida), diz O'Dor, atribuindo um código de barras de DNA a cada espécie. Os cientistas do CoML estimam que leve 200 anos a descrever todos os espécimes novos, acrescenta O'Dor: "Com o código de barras, pelo menos temos um nome de máquina para a nova espécie, mesmo que não apareça na literatura."

@ NatureA identificação permanece uma questão importante pois a taxa a que as espécies novas estão a ser descoberta não mostra sinais de abrandar. "O CoML representa uma fracção das espécies que realmente andam por aí", diz Shirley. "Dado que não conhecemos todas as espécies, não sabemos os seus papéis ecológicos. Se começarmos a remover estas pequenas peças de uma máquina muito delicada, vamos ter um efeito dominó e perder a função."

Eventualmente será possível fazer buscas no CoML por oceano e por país, à medida que os computadores começarem a seleccionar os dados recolhidos pelos diversos comités por zona. Os dados do CoML estão a ser introduzidos no Sistema de Informação Biogeográfica Oceânica do projecto.

"Não podia ser em melhor hora o surgimento de toda esta informação, agora que estamos a ver graves problemas com os oceanos", diz Earle. "Estes são empreendimentos vitais para avaliar o planeta e nos darem a informação que precisamos para avançar com novas políticas." 

 

 

Saber mais:

Census of Marine Life

PloS ONE COML

Barcode of Life

Ocean Biogeographic Information System

 

 

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