2010-08-02

Subject: Zona de Chernobyl revela redução de biodiversidade

 

Zona de Chernobyl revela redução de biodiversidade

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

The ghost town of Pripyat, built to house workers of the Chernobyl nuclear power plant (Image: AP)

O maior censo da vida selvagem do seu tipo realizado em Chernobyl veio revelar que os mamíferos estão em declínio na zona de exclusão que rodeia a central nuclear. 

O estudo teve como objectivo estabelecer a forma mais fiável de medir o impacto sobre a vida selvagem da contaminação da zona e baseou-se em quase quatro anos de contagens e estudos dos animais aí presentes.

Os cientistas dizem que as aves fornecem a melhor "medida quantitativa" desses impactos, como relatam na última edição da revista Ecological Indicators.

A equipa de investigação refere que os censos que realizaram às espécies da zona, que foram desenvolvidos ao longo de mais de três anos, fornecem mais evidências de que a contaminação teve um "impacto significativo" sobre a biodiversidade.

Timothy Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul, e Anders Moller, da Universidade de Paris-Sud, trabalharam juntos no projecto e, de 2006 a 2009, contaram e examinaram todo o tipo de vida selvagem, incluindo insectos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Os seus trabalhos anteriormente publicados revelaram alguns dos impactos negativos sobre aves e insectos da radiação de baixo nível que ainda contamina a zona de exclusão que rodeia a central nuclear. Os novos dados sobre mamíferos e répteis mostram o que Moussaeu descreve como um "forte sinal" da redução a biodiversidade também nestes grupos.

A equipa de investigação comparou a abundância das espécies na zona de exclusão com tipos de habitats semelhantes na área, que não chegaram a ser contaminados. "A verdade é que estes efeitos da contaminação com radiação foram tão grandes que chegam a ser avassaladores", diz Mousseau.

Durante a realização dos seus censos, ele e Moller também examinaram os efeitos da contaminação por radiação sobre os animais e referem que estes impactos são particularmente óbvios nas aves.

 

Nos seus estudos com andorinhas, a equipa observou aves com tumores nas patas, pescoços e em volta dos olhos: "Pensamos que elas podem ser mais susceptíveis, após as longas migrações que têm que realizar, a stresses ambientais acrescidos", explica Mousseau.

Os cientistas ucranianos já criticaram as conclusões do estudo. Sergii Gashchak, investigador do Centro Chornobyl, não se mostrou disponível para comentar este novo artigo mas no ano passado tinha desdenhado as descobertas anteriores da equipa sobre insectos e aves. Segundo ele, tinha chegado a "conclusões opostas". 

"A vida selvagem realmente está florescente na zona de Chernobyl, devido ao baixo nível de influência [humana]", disse na altura Gashchak. "Todas as formas de vida surgiram e se desenvolveram sob a influência da radiação, logo mecanismos de resistência e recuperação evoluíram para a sobrevivência nessas condições."

Mas Mousseau considera que as evidências de um aumento de biodiversidade na região são "puramente anedóticas". "Este é o primeiro artigo que fornece dados qualitativos e rigorosos que mostram que os mamíferos realmente são significativamente afectados pela contaminação. Isso dito, não é má ideia estabelecer um refúgio da vida selvagem no local, é um laboratório natural onde podemos estudar as consequências a longo prazo deste tipo de acidente."

Mousseau também criticou um documentário em vídeo recentemente realizado chamado "Chernobyl, Uma História Natural", promovido por uma companhia de produção francesa que pretende retratar a forma como a natureza "recolonizou" a zona de exclusão na ausência do Homem.

Mousseau refere: "Para a sociedade chegar alguma vez a aprender mais sobre as consequências ambientais a longo prazo de acidentes em larga escala, de que Chernobyl é apenas um de vários, é importante que levemos todos as nossas responsabilidades muito a sério."

 

 

Saber mais:

Dúvidas acerca da recuperação da vida selvagem de Chernobyl

Greenpeace rejeita relatório sobre Chernobyl

Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com