2010-07-30

Subject: Voam faíscas com estudo sobre fogos florestais

 

Voam faíscas com estudo sobre fogos florestais

 

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@ The Guardian

É o que se pode chamar um tópico quente, com o Verão que estamos a atravessar: um estudo agora conhecido vem sugerir que fogos florestais intencionais podem reduzir significativamente as emissões de dióxido de carbono devidas aos fogos no oeste dos Estados Unidos.

A troca de galhardetes entre os peritos vem salientar os desafios que os gestores florestais enfrentam para equilibrar os planos para a utilização do fogo para restaurar ecossistemas florestais com os esforços para reduzir as emissões de carbono.

As florestas emergiram como um factor crucial para as alterações climáticas pois as árvores absorvem enormes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera e mantêm-no sequestrado durante muito tempo, nos seus corpos e no solo, após a sua morte.

Já um fogo florestal descontrolado, pelo contrário, inverte estes ganhos em apenas alguns dias, ao vaporizar enormes quantidades de madeira. No oeste dos Estados Unidos, a preocupação com o impacto dos fogos florestais nas alterações climáticas têm crescido, tal como os séculos de supressão de fogos naturais deixou as florestas cheias de material combustível.

Os investigadores temem que o risco de fogos florestais pode aumentar grandemente no futuro, à medida que o clima ocidental se torna mais quente e seco. Para reduzir a ameaça dos infernos descontrolados e ajudar a restaurar os ecossistemas florestais privados de fogo, alguns peritos defendem "queimas controladas". 

Estes fogos intencionais tendem a arder a temperaturas mais baixas e a vaporizar menos madeira, o que levou alguns investigadores a ponderar até que ponto eles serão capazes de ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono devidas aos fogos florestais.

Para o descobrir, Christine Wiedinmyer, do Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder, Colorado, e Matthew Hurteau, da Universidade do Norte do Arizona em Flagstaff, Arizona, estimaram que quantidade de dióxido de carbono tinha sido libertado pelos fogos na costa oeste dos Estados Unidos entre 2001 e 2008. 

Seguidamente, estimaram também o total de carbono que teria sido libertado se os fogos florestais de grande dimensão tivessem sido substituídos por queimas controladas, mais frias e controladas.

 

O resultado, relatado na edição online da revista Environmental Science & Technology (ES&T), que obtiveram foi que os fogos planeados poderiam ter reduzido as emissões de dióxido de carbono entre 18% e 25% na costa oeste dos Estados Unidos e poderia mesmo ter chegado a 60% em certos tipos específicos de floresta.

Estes números, no entanto, são o produto de "um cenário fundamentalmente irrealista", defendem Garrett W. Meigs e John L. Campbell, da Universidade Estatal do Oregon em Corvallis. Num comentário publicado online na ES&T, eles consideram que o estudo original faz assumpções "completamente irrealistas", como que as queimas planeadas seriam 100% eficazes na eliminação dos fogos florestais e de que nenhum fogo planeado escaparia ao controlo dos bombeiros.

Ainda assim, os críticos referem que Wiedinmyer e Hurteau fizeram alguns "melhoramentos importantes" na clarificação do impacto dos fogos florestais sobre o clima. Por exemplo, eles concluíram que os fogos florestais libertam cerca do dobro de carbono por unidade de área que os fogos planeados, muito menos que o aumento de dez vezes que tinha sido assumido em estudos anteriores.

No global, no entanto, Miegs e Campbell dizem que as queimas controladas para melhorar a saúde dos ecossistemas podem ajudar a reduzir a capacidade de armazenamento de carbono das florestas a curto prazo, motivo pelo qual estão preocupados com o facto de "os autores apresentarem conclusões enganadoras que podem resultar em políticas de gestão do carbono florestal erradas".

Wideinmyer e Hurteau respondem a essa questão escrevendo que as críticas derivam da "falta de compreensão" de um termo crucial e de uma "avaliação errada" dos seus métodos. O seu objectivo, salientam eles, foi estabelecer um limite superior nos benefícios potenciais das queimas planeadas e não defender qualquer tipo de política em particular.

Sem surpresa, ambos os lados desta polémica sugerem que tanto os fogos florestais como o clima seriam grandemente beneficiados com mais investigação, talvez depois de este Verão quente passar. 

 

 

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